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ENCONTRO DO G-20 COM LULA MOSTRA A MEDIOCRIDADE EM QUE VIVEMOS

 
Com mais grandiloquência do que grandeza, o encontro do G-20 Social, Festival Aliança Global Contra a Fome, realizado ontem no Rio de Janeiro, poderia ser um evento bem intencionado, se não fosse a cúpula um gancho para Lula se projetar mundialmente.

Afinal, até agora a tal "reconstrução do Brasil" não ocorreu de fato. Lula se perde, ora dizendo que a reconstrução "já está concluída", ora alegando que "há muito o que reconstruir no nosso país", discursos contraditórios que, no entanto, tentam se encaixar conforme as circunstâncias.

Em vez de promover um hiato de políticas internacionais - é bom deixar claro para Lula, que se considera um grande símbolo das esquerdas, que a Rússia, para fazer sua revolução socialista, teve que abandonar o combate mundial da Primeira Guerra Mundial - para promover uma política interna de recuperação do Brasil, Lula preferiu fazer turismo pelo mundo e maquiar a crise brasileira com relatórios e outros artifícios, os chamados "simulacros".

Nestes "simulacros", se anunciam supostos "recordes históricos" que, de tão fáceis e rápidos, soam falsos e não correspondem à realidade complexa de nosso país. E esses relatórios se repetem, o que aumenta a desconfiança dos brasileiros. Além disso, Lula tenta parecer bem na foto dando opiniões quando percebe que não pode agir em determinados momentos, como controlar os preços dos alimentos ou reverter a privatização da Eletrobras e as altas nas taxas de juros da dívida pública.

Lula também tenta parecer prosaico nas suas declarações, e ele chega a ser pueril com a superficialidade de suas declarações como orador político. Querendo obter a grandeza das grandes personalidades do passado, Lula chega a ser óbvio demais, como numa fala no evento do G-20:

"Eu queria dizer pra vocês que essa é uma campanha em que a gente não tem que ofender ninguém. Nós não temos que xingar ninguém. Nós devemos apenas indignar a sociedade".

E a declaração se deu depois que a esposa de Lula, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, ter xingado Elon Musk. Isso porque Janja estava discursando num painel social do evento, quando um som de busina de navio interrompeu a fala. "Deve ser o Elon Musk. Eu não tenho medo de você. F*** You, Elon Musk", disse a primeira-dama, em seguida.

Com isso, o próprio empresário e ativista da extrema-direita reagiu à mensagem de Janja e escreveu, em inglês, no seu perfil do X (plataforma digital da qual Elon é dono): "Eles (Lula e companhia) vão perder a própria eleição". Elon foi escolhido, recentemente, pelo presidente eleito dos EUA, Donald Trump, para chefiar o Departamento de Eficiência Governamental.

Janja também se irritou quando uma mulher chamou o festival musical que anima o encontro do G-20 de "Janjapalooza", um trocadilho com o festival de música descolada Lollapalooza. Mais uma vez, a primeira-dama reagiu: "Não, filha, é Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Vamos ver se consegue entender a mensagem, tá?".

Enquanto o evento acontece visando a promoção pessoal de Lula, nosso país está bastante complicado. Alimentos caros, precarização do mercado de trabalho, precarização cultural, população em situação de rua sem receber alguma solução. Nosso país continua em ruínas, mas Lula quer festa, quer pompa, acha que primeiro ele tem que se tornar líder mundial para depois tomar alguma providência em prol dos brasileiros.

Sobre a campanha contra a jornada 6x1, Lula preferiu ser lacônico e dizer que "defende uma jornada de trabalho equilibrada". Pelo tom da fala, Lula, que se tornou um pelego político, complacente com os abusos do empresariado, não parece se empenhar para combater essa sobrecarga profissional - seis dias de trabalho e apenas um de descanso - , pois o presidente contraiu dívidas com a burguesia, devido à formação de uma frente ampla demais para garantir a vitória eleitoral do petista.

Lula, dizendo assim sobre o mercado de trabalho, demonstrou a atitude típica daquele que "quer, mas não quer muito". O PSOL, depois de tanto se consagrar como um partido identitário, tomou a dianteira em relação ao PT e, através da deputada Erika Hilton, propõe uma reforma da carga horária substituindo a atual escala pela 4x3, ou seja, quatro dias de trabalho e três de descanso.

O fato de Lula estar confuso e atrapalhado na condução da reconstrução do Brasil, que decepciona muitos antigos simpatizantes pois, em outros momentos, o petista demonstrava serviço, mostra o quanto seu atual mandato está se manifestando pela mediocridade que é a mesma que assola o nosso país, que, no seu viralatismo cultural, deseja ser grande demais e pensa e age tão pequeno e tão mesquinho.

Fora da bolha lulista, não se percebe a presença do presidente no imaginário afetivo dos brasileiros. É como se Lula não existisse, e só aparecesse de vez em quando. Lula tenta crescer demais, através desse encontro do G-20, fruto de sua obsessão pela política externa, mas obtém o efeito inverso, se encolhendo cada vez mais, pondo em risco sua chance de reeleição, principalmente devido à pressão dos EUA e Argentina, que elegeram políticos reacionários.

Promover a aliança mundial contra a fome parece uma boa ideia. Mas o povo brasileiro foi abandonado por Lula e a fome grita através das barrigas roncando dos brasileiros carentes. O problema é que os lulistas e a burguesia de chinelos tentam abafar o ruído desses roncos, com a festa hedonista dos identitários que, pelo jeito, estão mais próximos do PT do que do PSOL.

(POR RESTRIÇÕES DE TEMPO, TV LINHAÇA PAUSA SUA ATUAL TEMPORADA MAIS UMA VEZ)

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