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A QUESTÃO DO EMPREGO VAI MUITO ALÉM DA ESCALA 6X1

EXEMPLO DE UM AMBIENTE TÓXICO NO TRABALHO, COM O CHEFE IMPONDO SOBRECARGA DE TRABALHO A UM FUNCIONÁRIO E AINDA AGREDI-LO COM OFENSAS.

O governo Lula torna-se tendencioso na questão das causas trabalhistas. Com seu terceiro mandato tendo desperdiçado tempo com viagens ao exterior e discursos em eventos, Lula só tardiamente abraçou a causa da luta contra a escala 6x1 do trabalho. E, mesmo assim, depois de resistir, deixando o assunto para "ser debatido" entre trabalhadores e empresários.

Só que, além de Lula só ter assumido a luta em última hora, quando deveria ter extinto, no começo do atual mandato, esse tipo de carga horária profissional - baseado na jornada de seis dias de trabalho e um de descanso - , ele não parece se dedicar a combater outros problemas trabalhistas.

É necessário, sim, combater a escala 6x1 que compromete o rendimento dos trabalhadores. A urgência de garantir a redução da carga horária e permitir, pelo menos, dois dias de descanso, não é sinônimo de vadiagem, pois muitos trabalhadores aproveitam o tempo de folga para resolver seus problemas, comprar o que precisam na vida e até mesmo arrumar as casas.

Mas há outros problemas. Como, por exemplo, analisar as relações de trabalho, que em muitos casos se tornam tóxicas, quando até patrões, em certos casos, cometem valentonismo (bullying) sobre seus subordinados, fazendo piadinhas jocosas ou, quando irritados, humilham e impõem tarefas pesadas.

Há também o problema do cancelamento de currículos, que desnorteia a procura por emprego, cada vez mais dependente da medida clientelista do "quem indica". Muitos candidatos ficam perdidos e têm que se redobrar para obter o emprego que necessitam, enquanto os recrutadores, ao jogarem fora os currículos que recebem, ignoram que podem estar perdendo a oportunidade de contratar alguém que pode salvar uma empresa nos momentos de dificuldades.

Temos também o trabalho 100% comissionado, que no caso de funções como corretor de imóveis, é bastante romantizado. Ouvi conversas de gente deslumbrada acreditando que os ganhos fartos das comissões ocorrem com certeza, ignorando a triste realidade de que isso é tão certo quanto uma loteria. Muitos corretores acabam trabalhando de graça, devido à dificuldade de venderem um imóvel, com todo o esforço e argumentação para conquistar um comprador.

Temos também que lamentar o baixo salário mínimo que Lula lançou no começo deste ano, enquanto os preços dos alimentos continuam muito caros. Lula reconheceu que o valor é baixo, mas tudo ficou sempre naquela coisa do presidente que, quando não pode fazer, apenas opina, e os lulistas, delirantes, pensam que ele está agindo quando apenas opina.

Um salário como o de R$ 1.621 não consegue arcar com as despesas do mês, além de forçar o trabalhador a ter um regime subnutrido de alimentação. Só quem festejou o aumento foi quem sempre ganhou, pelo menos, o equivalente a quatro salários-mínimos, ou seja, passou a ganhar, pelo menos, R$ 6.484 por mês.

Há outras questões, como o horário das refeições e das pausas durante a jornada de trabalho. E tudo isso deveria ter sido discutido e seus problemas resolvidos, através de regulações de profissões como telemarketing, corretagem e trabalhadores de aplicativos, estes de uma maneira mais ampla do que se tentou fazer.

São coisas que poderiam ter sido discutidas e resolvidas há uns três anos, diminuindo o sofrimento das classes trabalhadoras. Mas para um presidente que realizou precários aumentos salariais e só encampou a causa do fim da escala 6x1 no fim deste mandato, é necessário muita humildade e autocrítica para convencer os trabalhadores de que não deixou de lhes dar a atenção necessária. 

Um presidente que colocou a festa antes do trabalho, com a desculpa do trocadilho, terá mais trabalho para convencer as classes populares de que não deixou as causas trabalhistas. O povo não aguenta esperar e foi um vexame ter esperado três anos do terceiro mandato de Lula para que os problemas do trabalho sejam tratados com o devido destaque.

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