A resistência surreal da gíria “balada”, o jargão privativo da Faria Lima que tentou se passar por uma expressão “Universal” e “acima dos tempos e das tribos”, nos faz a pensar como uma palavra de um vocabulário particular de empresários da Zona Sul de São Paulo pode se impor a diferentes segmentos sociais em regiões das mais distantes do país.
O “Jornalismo da OTAN”, que aposta no “culturalismo sem cultura”, não quer que as pessoas saibam que o “vocabulário do poder” analisado pelo jornalista britânico Robert Fisk é aplicado no Brasil justamente no cotidiano comum dos brasileiros. Limitam-se a dizer que o “culturalismo viralata” se limita a propaganda política e ao humorismo sociopata ou a algum golpista de plantão, podendo ser uma Cássia Kis, um Amado Batista ou um Zezé di Camargo.
Dito isso, vemos o quanto representou uma gíria, que definia o consumo de drogas alucinógenas em São Paulo, ao se impor como um jargão pretensamente universal e atemporal para o Brasil inteiro.
A gíria “balada” não se propagou por simbolizar “as emoções e vivências “ do povo brasileiro, mas por um bem bolado processo midiático de fazer os grandes barões da mídia estadunidense ficarem de queixo caído. Vejamos:
A gíria”balada” foi primeiramente divulgada pela Jovem Pan, um dos paradigmas da “mídia moderna” do Brasil;
Luciano Huck, que trabalhava para a Jovem Pan, levou a gíria ”balada” para a Rede Globo, assim que foi por esta contratado;
Depois, a gíria “balada” foi difundida por aqueles programas vespertinos de entretenimento de canais como Band, Record, Rede TV! e SBT, e a partir daí o jargão da Faria Lima pegou no aparente gosto popular.
É insólito que, agora, a mídia anda criticando as gírias de tipos de rapazes e moças bonitinhos, chamados “enzos” e “valentinas”. São os mauricinhos e patricinhas de hoje. Ainda bem, porque o título brasileiro do filme Clueless, As Patricinhas de Beverly Hills, focou muito fofo e associado à nossa incurável saudade da deliciosa Brittany Murphy e, também, da nossa alegria em ver alguns de seus atores ativos até hoje.
Pois é, os novos “filhinhos de papai” são hoje conhecidos pelo vocabulário no qual se destaca a expressão “farmar a aura”. Essa expressão quer dizer “se destacar nas redes sociais e nos grupos de amigos”, algo que pode ser sinônimo de “lacração”. Mas a mídia venal que critica esta gíria deixa passar vários erros de português.
Essa elite midiática que passa pano no ridículo substantivo “perca”, usado no lugar de “perda”, e que aceita erros grotescos como “forçação de barra” e “encheção de saco” (os corretos são “forçamento” e “enchimento”), agora critica o tal “farmar a aura”, que pode ser uma expressão esquisita, mas não tem a ambição de ultrapassar os séculos e os grupos sociais como a gíria”balada”.
Pois a gíria”balada” chega a descontextualizar no tempo e no espaço, com jornalistas falando até em “baladas do Egito Antigo”, o que é um sério contrassenso. Se as tais “baladas” existiram, elas foram as versões bregas das raves britânicas e, no tempo, só existiram entre 1991 e 1999. O resto é FORÇAMENTO de barra.
Mas aí a gíria “balada” acabou “farmando a aura” depois que embalou as festas de ecstasy de pessoas que correspondem aos enzos e valentinas de hoje. A Faria Lima apenas transformou a gíria numa pretensa expressão universal para afastar a sombra alucinógena das velhas badalações (“baladações”?! Xiiii, a aura farmou de vez).
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