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MÔNICA IOZZI, FEIA? AHN?!


Tem cada louco nas mídias sociais e a gente vê o quanto tem gente retrógrada, desinformada e meio míope. Recentemente, a atriz e apresentadora Mônica Iozzi, prestes a se despedir do programa Vídeo Show da Rede Globo (até a edição deste texto ela apresentava o programa), foi atacada por internautas depois que, novamente solteira, beijou o ator Klebber Toledo durante o Carnaval.

Rótulos como "baranga feia" e até "dragão" (?!?!?!?!?!?!) eram usados para desmoralizar a gata. E olha que esses surtos vindos de internautas que parecem recém-saídos de um pileque não é uma coisa exclusivamente nacional.

Afinal, a saudosíssima Brittany Murphy, de As Patricinhas de Beverly Hills (Clueless), também era chamada de ugly (feia). Eu adorava muito a Britt e achava ela lindíssima. E, não bastasse a curta vida, ela ainda era chamada de "má atriz", "neurótica", "relapsa" e "arrogante", tudo injustamente. Britt era talentosa, adorável e supergracinha. E, além de brilhante atriz, uma excelente cantora.

PUXANDO O TAPETE DE QUEM TEM TALENTO

Aqui no Brasil, pessoas com alguma competência e talento são vítimas, de vez em quando, de ataques pesados, que geralmente nunca são dados para canastrões, oportunistas e incompetentes em busca de alguma vantagem.

Vide Chico Buarque, vide a rádio Fluminense FM (ridicularizada pelos furiosos seguidores da canastrona Rádio Cidade), vide a Bossa Nova, vide o educador Paulo Freire, os Centros Populares de Cultura (1961-1964) da União Nacional dos Estudantes.

De vez em quando, quem tem um mínimo de neurônios funcionando ou faz um trabalho de notável competência é esculhambado por conta de defeitos menores que são aumentados. No caso da Flu FM, antes de ser recentemente reabilitada, teve seu eventual episódio da briga de Maurício Valladares com o saudoso Alex Mariano interpretado de maneira exagerada.

A ideia dos urubólogos de plantão, no caso da Fluminense, é "criminalizar" Alex Mariano e desmoralizar a ideia de que rádio de rock não pode ser feita por quem entende do ramo, como se radialista de rock que é entendido do ramo não fosse um especialista, mas um masturbador sonoro.

Via uns "coxinhas" poluindo a lista de comentários da coluna de Magaly Prado, combinando entre si posições de concordância, para defender a tese absurda, aberrante e desprovida de lógica de que rádio de rock teria que ser feita por quem NÃO entende do ramo e nem gosta de rock.

A tese, não bastasse contrariar princípios sérios do mercado de trabalho - que sempre recomenda a um profissional gostar e entender do que faz, e NUNCA o contrário - , era feita por esses golpistas digitais para favorecer a ascensão de "aventureiros radiofônicos" (rótulo pejorativo para radialistas que metem em causa na qual não entendem) originalmente formados para o radialismo pop.

É aquela coisa do medíocre puxar o tapete de quem tem talento. Fala-se da Fluminense FM como "algo horrível", "rádio de motoqueiros drogados" e outras alegações preconceituosas, porque o excedente que as rádios pop criaram de "locutores engraçadinhos" fez uma parcela deles, um bando de mauricinhos sorridentes e tolos, querer trabalhar em radialismo rock.

Aí esses locutores nem precisam ter talento para isso, até porque eles trabalham em rádios cujo repertório msusical é previamente montado pelos departamentos comerciais das gravadoras, leem textos de uns dois ou três produtores sem entender o que dizem. Locutores da 89 FM e Rádio Cidade leem textos sobre rock como se estivessem emitindo sons, como papagaios, e não como pessoas que transmitem alguma informação.

No caso de Chico Buarque, ele é "criminalizado" por ser um membro de uma família ilustre - mas que, na verdade, não é tão aristocrática como se diz por aí - que gosta de sambas, e é injustamente acusado de se apropriar da cultura dos morros, ele que apenas prestava solidariedade às classes populares como um aliado sincero e não como um bárbaro usurpador.

E Paulo Freire, com seu método educacional de ensinar as pessoas a pensar por conta própria? Era injustamente acusado de "manipulador de mentes" e "panfletário". E os CPCs da UNE? Destinados a debater a cultura popular, eram tidos de forma injusta como "fábricas de ideologias".

Em vários desses aspectos, nota-se a intenção de desmoralizar quem é competente, inventando defeitos do nada ou apenas de pequenos incidentes e raros deslizes, amaldiçoando aqueles que sabem fazer algo com o objetivo de abrir caminho para canastrões, canalhas, usurpadores e enganadores de toda espécie, que se ascendem posando de "bonzinhos", após a puxada do tapete.

MERCADO QUE PRIVILEGIA SUBCELEBRIDADES

Daí o problema de Mônica Iozzi, que é o mesmo de tantas outras atrizes com talento. De vez em quando, colunistas de fofocas da TV tentam desqualificar atrizes talentosas inventando chiliques aqui e ali, e até exagerando ao reportar momentos de estresse que são confundidos com estrelismo.

A ideia é tentar mexer no mercado para ver se a cotação de tais atrizes baixa e elas possam ir para a "geladeira" (termo dado a contratados de TV que ficam sem trabalho, equivalendo ao que o serviço público define como "disponibilidade") e liberar a área para subcelebridades darem "voos altos" na carreira.

Daí que tem funqueiras, "mulheres-frutas" e ex-BBBs (não se está citando Grazi Massafera, porque ela é realmente talentosa e já tinha uma carreira antes da edição do BBB em que ela participou) que, protegidas por importantes empresários, são poupadas de comentários mais duros, sendo limitadas a serem noticiadas com fofocas mais brandas.

Aí inventa-se que a Mônica Iozzi é sem sal e os internautas vão logo definindo a coitada como um"canhão", um "dragão", uma "baranga sem sal". Sabe-se que ela está deixando o Vídeo Show para retomar os trabalhos de atriz e esse "linchamento" é para tirar a atriz do páreo e liberar espaço para uma canastrona que só fica "mostrando demais" no Instagram.

Há "musas" vindas da Banheira do Gugu que estão com o rosto envelhecido e ninguém diz que é "dragão". Tem "mulher-fruta" forçadamente sensual, arrogante e sem graça, e ninguém diz que é "baranga sem sal". Tem funqueira feiosa que faz um monte de plástica e ninguém diz que é "canhão".

Mesmo as tidas como "lindonas", como Aline Riscado e, lá fora, Arianny Celeste, que no fundo são moças sem sal, não sofrem essa tortura que a gracinha da Mônica Iozzi - que, depois que sair do CQC, virou a "bonequinha de luxo" do Vídeo Show, charmosa e graciosa - está sofrendo.

Aliás, Mônica Iozzi é uma das poucas que recomendam o público juvenil a ouvir Rock Brasil e MPB autêntica, abrindo mão das porcarias radiofônicas que os jovens ouvem hoje. Já dá para perceber que isso a fez ainda mais uma "vidraça". Foi ela criticar o "sertanejo universitário" para um monte de "coxinhas" de rodeios reagir com a famosa "raivinha" nas mídias sociais.

Infelizmente, é o showbiz brasileiro. Perverso, cruel, provinciano, coronelista. A ideia do mercado predador é desmoralizar a doce e supertalentosa Mônica Iozzi - que é formada em Artes Cênicas pela Unicamp - até ela ir para a "geladeira" e abrir caminho para aquela ex-BBB siliconada e tatuada que só fica "mostrando demais" nas mídias sociais. Terrível isso.

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