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RÁDIOS DE POP ADULTO NÃO DEIXAM OUVINTE SINTONIZADO COM O QUE OCORRE LÁ FORA NA MÚSICA


Quem ouve as rádios de pop adulto, ou "adulto contemporâneo", está sintonizado com o que ocorre no mundo da música lá fora, certo?

Errado. Aliás, nem as rádios de pop adulto e nem as rádios de pop mais juvenil atualizam e deixam as pessoas conectadas com a música estrangeira que realmente acontece.

No Brasil, aliás, o mercado de músicas radiofônicas não só é selvagem, como bastante ultrapassado, lerdo e repetitivo.

Aqui o que há é uma máfia de editores musicais que é responsável por um punhado de sucessos do hit-parade, que tocam repetitivamente nas FMs.

No Rio de Janeiro, tanto o Estado como a ex-Cidade Maravilhosa, onde o provincianismo chegou como uma terrível pandemia, transformando cariocas e fluminenses em matutos piores que os do Acre, Amapá e Roraima, o hit-parade tornou-se um bolor nos ouvidos.

Há poucos dias, vi um sujeito cantando o sucesso da fase comercial de Tina Turner, "We Don't Need Another Hero", como se fosse novidade.

Só que essas músicas são tão marteladas pelas rádios, que várias delas concorrem ao "Troféu Stairway to Heaven" de "canção respeitável que ninguém aguenta mais ouvir".

Num pop mais juvenil e dançante, um dos que martelam muito é um hip hop cujo refrão termina com um tal de "ula-ula-ula-ula".

Há uns sucessos que parecem serem os únicos curtidos por cariocas e fluminenses, que parecem ouvir um mesmo repertório de pop dançante a cada dez anos.

No pop adulto, os flash backs estrangeiros são tão martelados que eles perderam a aura da época original em que foram gravadas.

Não há mais como ouvir um flash back numa JB FM, por exemplo, e pensar na época original em que foi gravada.

Elas são tão tocadas que só lembram o dia de hoje, e os flash backs tocam mais do que a lista das dez mais tocadas publicada na Internet.

Tudo isso envolve apenas a necessidade de editores que representam músicas estrangeiras no Brasil faturarem em torno da mesmice radiofônica.

No hiato de uma FM de música brasileira no Rio de Janeiro, entre o fim da MPB FM e a volta da Nova Brasil FM, notou-se um drama.

Enquanto não eram divulgados novos artistas de MPB autêntica, as rádios adultas praticamente sustentavam as aposentadorias de muitos artistas estrangeiros.

Artistas que nem gravavam mais discos tinham músicas tocadas pelas FMs de pop adulto como se estas fossem os sucessos do momento.

O emepebista batalhador não tinha espaço para divulgar música no rádio. 

Nesse contexto, compreendemos, por exemplo, por que Tiê gravou com Luan Santana e Gal Costa, com Marília Mendonça, com o objetivo de serem comercialmente viáveis e tocarem numa FM O Dia.

Em compensação, desconhecidos one hit wonders que abandonaram a carreira há mais de 25 anos rolam nas rádios adultas como se fossem músicas atuais. 

A aposentadoria está bem remunerada e aquele ídolo de "um só sucesso" pode até passar o dia inteiro em casa, só saindo para passear ou ir ao banco pagar as contas e pegar seu farto salário.

Desconhecido em seu país de origem, geralmente EUA, Reino Unido ou algum outro país europeu não lusófono, o ídolo desconhecido que rola nas FMs adultas só não pode viajar para o Brasil.

Afinal, nesse país maluco em que vivemos, os ídolos desconhecidos do pop adulto, que vivem como anônimos em suas terras natais, se tornam celebridades badaladas como se estivessem começando as carreiras hoje.

O pop estrangeiro não tem contemporaneidade, não tem diversidade e atualmente até as "rádios rock", mesmo as mais esforçadas, sucumbiram a uma irritante mesmice.

O roqueiro médio brasileiro virou um debiloide bitolado (nenhum trocadilho com Beatles).

Não sabe quem foi Pete Shelley, um dos gigantes do punk rock, mas sabe, por exemplo, os jogadores do time reserva do Santos Futebol Clube.

É patético que, na cultura rock, se preocupe mais em entender de futebol do que entender de rock. E os adeptos de programas como Rock Bola e Na Geral são realmente uns "malas sem alça" que ficam se achando nas redes sociais.

Essas coisas mostram o quanto o Brasil, sobretudo o Rio de Janeiro, está culturalmente doente.

Daí a vitória eleitoral de quem não merecia ser presidente da República.

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