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PARA A CLASSE MÉDIA ABASTADA, ESTÁ TUDO BEM


A classe média abastada tem medo da verdade. Não é ela que sofre os problemas que, por exemplo, tiram o sono dos favelados e enlouquecem os sem-teto. Todos falam em "reconstrução do Brasil", mas comemoram como se o trabalho tivesse sido completado sem começar, e entram em sérias contradições ao definir o atual momento do nosso país.

Sinceramente, não era para Lula viajar e fazer política externa. Reconstrução do país tem que ser com seu líder ficando em casa, cuidando primeiramente do Brasil. Mas Lula levou cinco meses para definir medidas em prol dos trabalhadores e nove meses para a sua maior promessa eleitoral, o "combate à fome". 

Mas tão cedo Lula foi viajar para o exterior, quando ele deveria ter designado ministros para a função, desenvolvendo um espírito de equipe necessário para a reconstrução nacional. Mas, em vez de mandar ministros, como Marina Silva, Fernando Haddad ou mesmo o vice Geraldo Alckmin, foi o próprio Lula, que não tem forças físicas para sair viajando o tempo todo, fazer o seu marketing político, fazendo discursos cheios de coisas óbvias, mas que não fazem mais efeitos. Falar não é fazer.

Em vez disso, Lula demite uma ministra de atuação técnica para o Esporte, Ana Moser, e a substitui por um fisiologista político, André Fufuca. Isso mostra o quanto a equipe ministerial não tem muita relevância por conta do personalismo de Lula, que na campanha eleitoral também desrespeitou a concorrência, apostando na "democracia de um homem só", uma "democracia de cabresto".

Para a classe média abastada que compõe a elite do bom atraso, ou seja, os descendentes da Casa Grande e das famílias golpistas de 1964 que agora não suportam uma crítica sequer ao governo Lula, está tudo bem. Nesses 60 anos essas elites nada perderam, sempre viveram do bom e do melhor, o que pode não ser um problema não fosse o desprezo histórico ao povo pobre, agora apreciado de maneira demagógica e claramente etnocêntrica pela burguesia pós-tropicalista do Baixo Gávea e do Corredor da Vitória.

Afinal, viver prosperidade não é ruim, mas na forma abusiva das elites, mesmo a classe média abastada que sonha em "democratizar os super-ricos", trocando as festas de gala pelas festas na laje, e dando dinheiro de bandeja para dirigentes de times de futebol e empresários de cerveja, não dá.

Suposta pesquisa do IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica) aponta que 53% dos brasileiros aprovam as viagens constantes de Lula ao exterior e não as veem como exagero. Isso é compreensível, afinal a pesquisa, se existiu, reflete os interesses da "classe media de Zurique", ela mesma viajando para Paris como se fosse visitar a casa da tia.

As narrativas que existem nas redes sociais seguem a orientação dessa bolha social fechada e restrita, de uma classe média abastada que se acha "dona de tudo", por se julgar "a classe social mais legal do mundo", se achando capaz de dar pitacos até para o resto do mundo, na sua megalomania fruto do complexo de superioridade garantido por muito dinheiro no bolso para comprar carros SUV e ter no mínimo três televisões em casa.

Para essas pessoas, Lula faz bem viajando para o exterior, porque é o que essa classe faz. Se Lula viaja, o presidente do Brasil demonstra estar ao lado dessa elite do bom atraso, está "curtindo as boas coisas da vida", embora aparentemente esteja presente em cúpulas internacionais para garantir parcerias para o Brasil. Mas até isso poderia ser exercido por algum ministro.

Com a máxima certeza, Lula cada vez mais decepciona e está movido somente pelos seus impulsos. Lula não é o dono da verdade, não é o rei do mundo, e ele foi eleito para governar o Brasil e cuidar dos brasileiros nesta reconstrução que o presidente brasileiro subestima, porque o petista nunca levou a sério a constatação de que Jair Bolsonaro causou estragos para o Brasil. De repente, para os lulistas, o único estrago que Bolsonaro causou foi comprar joias para sua Michelle com o dinheiro público.

Para a classe média abastada, a elite do bom atraso que predomina nas redes sociais, está tudo bem. O problema é o povo pobre de verdade, que não aparece nas novelas, comédias nem em comícios de Lula. Esse pessoal está desesperado, sofrendo e se enlouquecendo. A realidade não é o mundo da Barbie.

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