Pular para o conteúdo principal

LULA E O PERIGO DO APROVEITADOR MÁRIO KERTÈSZ


Diante da possibilidade de retorno do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto, devemos manter os olhos atentos para todos os lados.

Devemos ser como um farol no litoral, olhando para áreas claras e para a penumbra, para o solo e para o mar.

O retorno de Lula não está apenas ameaçado pela mídia venal e pela plutocracia, mas por aproveitadores que sempre se passaram por solidários ao petista.

Esses aproveitadores batiam ponto já no começo do primeiro mandato presidencial.

Eles integraram a frente ampla que, em princípio, se aliou com Lula e cuja debandada foi lenta e gradual.

Essa debandada culminou na turma que traiu a sucessora Dilma Rousseff e criou as condições para o atual cenário político que temos.

Os mais perigosos são os que viajam na garoupa, que caíram na base do governo Lula de paraquedas e, diante desse hiato político do petismo, fazem o papel de "bons esquerdistas".

Em nome de um protagonismo tendencioso, eles querem "apoiar" Lula nos momentos mais difíceis.

Existem intelectuais "bacanas" que pregam a "ditabranda do mau gosto" na cultura popular e vão logo se passando por progressistas, em nome de uma grana da Lei Rouanet.

Existem supostos agentes culturais, como no caso do "funk", aliados orgânicos do baronato midiático, que também pegam carona no esquerdismo, visando lucrar com as conveniências do momento.

E há também gente arrivista de diversos tipos, a embarcar numa "solidariedade de resultados".

Há poucos dias, uma emissora de rádio da Bahia viveu seus quinze minutos de fama nacional.

A Rádio Metrópole, do ex-prefeito de Salvador Mário Kertèsz, deu uma entrevista exclusiva com o ex-presidente Lula, que repercutiu em todo o país.

Embora toda a mídia tivesse divulgado a entrevista, incluindo G1, Estadão e Folha/UOL, por exemplo, o oportunismo de Kertèsz teve um objetivo.

Bancar o "bonzinho" para as páginas progressistas e de esquerda da Internet.

Kertèsz poderia ter entrevistado um Geddel Vieira Lima, um Antônio Imbassahy, mas isso não traria a repercussão mais vantajosa ao "astro-rei" da Rádio Metrópole.

A de Lula, sim. E dá a Kertèsz uma postura de "bom moço" diante da truculência habitual da mídia patronal.

Filhote da ditadura militar, Kertèsz apenas reinventou suas formas de obter poder político.

Sem poder seguir formalmente a vida político-partidária, ele usa a mídia como seu próprio palanque pessoal, pois sabemos que o poder midiático é muitas vezes mais político do que a carreira política propriamente dita.

Vide a Rede Globo, ela mesma um "partido político", um "poder político", parecendo querer governar e legislar mais do que governantes e legisladores.

Mas Kertèsz parece querer repetir o protagonismo da Folha de São Paulo durante o movimento Diretas Já.

O periódico paulista que transportou presos políticos para as instalações do DOI-CODI, no auge da repressão, queria ter protagonismo no processo de redemocratização do Brasil.

Aproveitou a omissão da Rede Globo na cobertura do acontecimento e segurou a "bandeira" da redemocratização.

Folha de São Paulo, TV Bandeirantes e Isto É viraram o trio que passou a se contrapor ao radicalismo golpista da mídia patronal.

Claro que isso era um jogo de cena visando interesses comerciais.

Era apenas um relativo contraponto. E que parece se repetir com a Rádio Metrópole pegando carona com a situação controversa que envolve Lula.

Atualmente vítima de rumores ditos de maneira "taxativa", através do empreiteiro Léo Pinheiro da OAS - o Deltan Dalagnol da vez, no sentido do impacto da declaração - , Lula é o favorito para a campanha eleitoral de 2018.

Lula é ao mesmo tempo a esperança dos brasileiros e o derrotado da mídia venal.

Devemos desconfiar da "sincera solidariedade" da Metrópole nessa "entrevista exclusiva" de alguns dias atrás.

Mário Kertèsz quer ser o contraponto da família de seu ex-padrinho Antônio Carlos Magalhães, dona da Rede Bahia.

Evidentemente, ele está aproveitando uma lacuna que a grande imprensa do eixo Rio-São Paulo deixou, pelo ódio doentio ao ex-presidente.

A Rádio Metrópole, poucos imaginam, é o que há de mais tendencioso na mídia brasileira.

Nem sempre ser tendencioso é ser faccioso, vale lembrar bem.

O aparente ecumenismo ideológico da Rádio Metrópole, acolhendo os mais diferentes pontos de vista, tem um objetivo não muito generoso.

É o de vincular a pessoa de Mário Kertèsz à diversidade social que ele pretende dominar, como poderoso barão de mídia da Bahia.

A Rádio Metrópole se passa por "mídia progressista" para evitar que haja mídia progressista na Bahia.

Quer ser mais comunitária que as rádios comunitárias, quer ser mais regional que as rádios regionais.

Já foi uma FM que queria ser mais AM que as outras AMs, e agora quer ser mais TV que a TV Bahia.

Um poder midiático muito perigoso se desenha na Bahia e é bom ficar atento.

Até porque Kertèsz é do tipo que muda de posição, também. Tal qual a Isto É que ninguém imaginou agir com tanta ferocidade em relação a Lula.

Hoje Kertèsz é o generoso Dr. Jeckyll. Amanhã, poderá ser o Mr. Hyde.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

AS ESQUERDAS COMPLICAM SEU CONCEITO DE “DEMOCRACIA” NO CASO DO IRÃ

COMPLEXO DO LÍDER SUPREMO AIATOLÁ ALI KHAMENEI, EM TEERÃ, DESTRUÍDO PELO ATAQUE. O LÍDER FOI MORTO NA OCASIÃO. A situação é complicada. Não há heróis. Não há maniqueísmo. Apenas vivemos situações difíceis na política internacional, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu bombardear o Irã e matar o líder supremo, o Aiatolá Ali Khamenei, sua filha, seu genro e seu neto, entre outras vítimas. Outro ataque atingiu uma escola de meninas em Teerã, matando 148 pessoas, entre elas muitas crianças. O governo iraniano decretou 40 dias de luto após o bombardeio que matou Khamenei. O ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, também foi morto no atentado à sede do governo daquele país. Outros ataques ocorreram. Depois do atentado, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, prometeu vingança como “direito legítimo” e o governo do Irã já realizou os primeiros ataques contra Israel. Já no Irã, assim como na Índia e no Paquistão, seguidores e opositores de Khamenei fizeram manifestações. ...

O QUE FIZERAM COM O LANCHE DA RAPAZIADA?

Nutricionistas alertam, em vários perfis nas redes sociais, que os alimentos industrializados, que fazem parte do cardápio do lanche de muitas pessoas, principalmente as mais jovens, estão sendo adulterados de tal forma que seus sabores anunciados se tornam uma grande mentira. Cafés, biscoitos, sorvetes, salgadinhos e chocolates são alvo de fraudes industriais que fazem tais alimentos se tornarem menos saborosos e, o que é pior, nocivos à saúde humana, ao serem desprovidos dos ingredientes que, em tese, seriam parte integrante desses produtos. São marcas de café que, em vez de oferecerem realmente café, servem uma mistura que inclui cevada, pó de madeira e até insetos transformados em pó, ingredientes queimados para dar a impressão de, estando torrados, parecerem "café puro". Uma marca como Melitta chega a não ter sabor de café, mas de cevada de péssima qualidade misturada com diversas impurezas. O que assusta é que esses supostos cafés, terríveis cafakes  de grife cujo lobby...

POR QUE OS BRASILEIROS TÊM MEDO DE SABER QUE FEMINICIDAS TAMBÉM MORREM?

ACREDITE SE QUISER, MAS ADULTOS ACREDITAM, POR SUPERSTIÇÃO, QUE FEMINICIDAS, AO MORREREM, "MIGRAM" PARA MANSÕES ABANDONADAS E SUPOSTAMENTE MAL-ASSOMBRADAS. Um enorme tabu é notado na sociedade brasileira, ainda marcada por profundo atraso sociocultural e valores ultraconservadores que contaminam até uma boa parcela que se diz “moderna e progressista”. Trata-se do medo da sociedade saber que os feminicidas, homens que eliminam as vidas das mulheres por questão de gênero, também morrem e, muitas vezes, mais cedo do que se imagina.  Só para se ter uma ideia, um homem em condições saudáveis e economicamente prósperas no Brasil tem uma expectativa de vida estimada para cerca de 76 anos. Se esse mesmo homem cometeu um feminicídio em algum momento na vida, essa expectativa cai para, em média, 57 anos de idade. A mortalidade dos feminicidas, considerando aqueles que não cometeram suicídio, é uma das mais altas no Brasil. Muita gente não percebe porque os falecidos cometeram o crime m...

A FARIA LIMA É MUITO MAIOR DO QUE ESCÂNDALOS FINANCEIROS SUGEREM SER

As pessoas cometem o erro de fugir de narrativas consideradas incômodas. Vivendo uma felicidade tóxica, ignoram armadilhas e riscos graves. O Brasil ainda não resolveu muitos entulhos da ditadura militar e, o que é pior, parte dos entulhos culturais virou objeto de nostalgia. Ultimamente, foram divulgados escândalos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, cujo impacto é comparável ao do esquema de tráfico sexual do falecido bilionário Jeffrey Epstein. Os escândalos começam a respingar sobre políticos e celebridades e há rumores atribuindo envolvimento tanto do filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, quanto da família Bolsonaro. Mas quem pensa que a Faria Lima seria uma pequena máfia envolvida apenas em episódios como a lavagem de dinheiro do PCC e, agora, com o escândalo do Banco Master, está enganado. A Faria Lima, infelizmente, exerce um poder sobre a sociedade brasileira com muito mais intensidade do que se pensa. A Faria Lima "desenhou" o Brasil em 1974, ...

DOUTORADO SOBRE "FUNK" É CHEIO DE EQUÍVOCOS

Não ia escrever mais um texto consecutivo sobre "funk", ocupado com tantas coisas - estou começando a vida em São Paulo - , mas uma matéria me obrigou a comentar mais o assunto. Uma reportagem do Splash , portal de entretenimento do UOL, narrou a iniciativa de Thiago de Souza, o Thiagson, músico formado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) que resolveu estudar o "funk". Thiagson é autor de uma tese de doutorado sobre o gênero para a Universidade de São Paulo (USP) e já começa com um erro: o de dizer que o "funk" é o ritmo menos aceito pelos meios acadêmicos. Relaxe, rapaz: a USP, nos anos 1990, mostrou que se formou uma intelectualidade bem "bacaninha", que é a que mais defende o "funk", vide a campanha "contra o preconceito" que eu escrevi no meu livro Esses Intelectuais Pertinentes... . O meu livro, paciência, foi desenvolvido combinando pesquisa e senso crítico que se tornam raros nas teses de pós-graduação que, em s...

LULA AINDA NÃO ENTENDE OS MOTIVOS DE SUA QUEDA DE POPULARIDADE

O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu encomendar uma pesquisa para entender os motivos da queda de popularidade de Lula. A ideia é compreender os níveis de desaprovação que, segundo as supostas pesquisas de opinião, são muito expressivas. O negacionismo factual também compartilha dessa dúvida. Afinal, o negacionista factual se recusa a entender os fatos, ele acha que suas opiniões, seus estereótipos e suas abordagens vêm primeiro, não suportando narrativas que lhe desagradam. Metido a ser objetivo e imparcial, o negacionista factual briga com os fatos, tentando julgar a realidade conforme suas convicções. Por isso, os lulistas não conseguem entender o óbvio. Lula fez um governo medíocre, grandioso por fora e nanico por dentro. O terceiro mandato foi o mais ambicioso dos três mas, pensando sem sucumbir a emoções a favor ou contra, também foi o mais fraco dos três governos do petista. Lula priorizou demais a política externa. Criou simulacros de ações, como relatórios, opiniões, discu...

A PEGADINHA DE FALSOS ESQUERDISTAS

FIQUEM ESPERTOS - APESAR DE ESTAR JUNTO A LULA (CENTRO), LINDBERGH FARIAS (DE CAMISA POLO) E MARCELO FREIXO (D), O PREFEITO CARIOCA EDUARDO PAES (DE CAMISA AZUL MARINHO E CALÇA CINZA) É UM POLÍTICO DE DIREITA, QUEIRAM OU NÃO QUEIRAM LULISTAS E BOLSONARISTAS. Nesta foto acima, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, aparece na inauguração de um túnel que integra um novo complexo viário no bairro de Campo Grande, na Zona Oeste carioca. Ele aparece ao lado do presidente Lula, o que faz muita gente crer, principalmente os bolsonaristas, que o prefeito carioca é um figurão da esquerda política local, certo? Errado. Erradíssimo. Eduardo Paes é um político de direita, mas que usa o esquerdismo como sua marquise ideológica. De valentões de Internet a políticos arrivistas, passando pelos intelectuais pró-brega, por tecnocratas ambiciosos e por latifundiários nordestinos, há uma parcela da direita brasileira que, mesmo incluindo antigos apoiadores da ditadura militar, passou a apoiar "i...

TRANSFÓBICO, RATINHO É SUBPRODUTO DO "OPINIONISMO DE FM"

Na semana passada, o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, cometeu transfobia ao comentar no seu Programa do Ratinho, do SBT, no último dia 11 de março, a nomeação da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Disse o apresentador: "Não achei muito justo, não. Com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? A Erika Hilton. Ela não é mulher, ela é trans". Ratinho até tentou dizer que "não é contra mulher trans", mas fez um comentário bastante grotesco e cheio de clichês machistas: "Se tem outras mulheres lá, mulher mesmo... Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente! Eu respeito todo mundo que tem comportamento diferente. Tá tudo certo! Agora, mulher tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata três quatro dias". Erika Hilton, que é uma das parlamentares mais atuantes em prol do interesse das classes populares, decidiu processar o apresentador, e anunciou sua ...

COMO A FARIA LIMA TRAVOU A RENOVAÇÃO DA CULTURA ROCK NO BRASIL

O portal de rock Whiplash enumerou dez bandas que poderiam representar a renovação do Rock Brasil , hoje em momento de crise a ponto de bandas como Paralamas do Sucesso, Titãs e Barão Vermelho, que durante anos nos brindou com canções novas, fazerem revival de suas carreiras. Bandas boas de rock brasileiro existem. A cultura rock respira fora do esquemão ou mesmo das redes sociais. Mas o grande público foi entregue à supremacia da música brega-popularesca, que em vez de representar, como sonhava o “filho da Folha” Pedro Alexandre Sanches, a “reforma agrária na MPB”, virou um coronelismo musical dos mais perversos. Se um cantor do Clube da Esquina quiser tocar em Goiás, por exemplo, tem que cantar com o ídolo breganejo de plantão. No entanto, desde os anos 1990 o radialismo rock, que deveria ser uma bússola para a formação cultural de quem curte e faz rock, decaíram de vez. A programação se reduziu a uma fórmula que, na época, poderia ser conhecida como “Jovem Pan com guitarras”, mas ho...

“COMBATE AO PRECONCEITO” E “BRINQUEDOS CULTURAIS “ FIZERAM ESQUERDAS ABRIREM CAMINHO PARA O GOLPE DE 2016

AS ESQUERDAS MÉDIAS NÃO PERCEBERAM A ARMADILHA DOS "BRINQUEDOS CULTURAIS" DA DIREITA MODERADA. Com um modus operandi que misturava fenômenos de “quinta coluna” de um Cabo Anselmo com abordagens “racionais” de think tanks como o IPES-IBAD, o “combate ao preconceito”, campanha trazida pela mídia a partir da Rede Globo e Folha de São Paulo, enganou as esquerdas que tão prontamente acolheram os “brinquedos culturais”. Para quem não sabe, “brinquedos culturais” são valores e personalidades da direita moderada que eram servidos para o acolhimento das esquerdas médias sob a desculpa de representarem a “alegria do povo pobre”.  Muitos desses valores e pessoas eram oriundos da ditadura militar, mas as gerações que comandam as esquerdas médias, em grande parte gente com uma média de 65 anos hoje, era adolescente ou criança para entender que o que viam na TV durante a ditadura simbolizava esse culturalismo funcionalmente conservador, embora “novo” na aparência, sejam, por exemplo, Gret...