RETRATOS DE UM BRASIL ESQUISITO


O Brasil anda muito confuso e muitos não sabem ou se recusam a saber.

Ontem foi a cerimônia de comemoração do Dia do Exército, com a entrega da medalha da Honra ao Mérito Militar a personalidades que se destacaram no país.

Por prudência de seu ofício, os ministros do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso, se recusaram a comparecer ao evento.

Como juiz, não era para Sérgio Moro comparecer para ser homenageado.

Mas se ele apareceu até ao lado de um dos donos das Organizações Globo (Rede Globo, O Globo, Globo News, CBN etc), então tal restrição "não vem ao caso".

Sérgio Moro recebeu medalha ao lado de Luciano Huck, que virou dublê de ativista social.

O juiz midiático ainda cumprimentou o presidente Michel Temer, de forma efusiva.

Foi mais uma gafe, depois daquela em que Moro, o "herói do Brasil", apareceu rindo e contando confidências com Aécio Neves.

Aécio tem uma longa lista de acusações de corrupção em seu lombo.

Michel Temer não fica longe. É um dos maiores citados em delações da Odebrecht.

No entanto, Temer tem foro privilegiado, na condição de presidente da República.

Não pode ser investigado por atos ocorridos fora de seu governo.

Além disso, Temer não parece fazer parte da "jurisdição" de Moro, juiz de primeira instância.

O paranaense também disse que Aécio também "não é de sua jurisdição".

Mas, independente disso, não era para haver esse cumprimento tão efusivo.

Temer pode até ser oficialmente um chefe de Estado, mas está encrencado até a medula.

Aécio, que é "cliente" de Temer por este cumprir o projeto político derrotado em 2014, está associado a vários possíveis esquemas de corrupção, em Minas Gerais, São Paulo e em âmbito nacional.

O senador e presidente do PSDB é acusado de envolvimento nos escândalos do Banestado, Mensalão, Lava Jato, Furnas e na compra de votos para reeleição de Fernando Henrique Cardoso.

Temer está envolvido no esquema da Lava Jato e tem seu próprio esquema no Porto de Santos.

A ligação de Moro e Temer está no caso do ex-deputado Eduardo Cunha, hoje preso.

Cunha iria fazer 41 perguntas a Temer, na sua defesa na Justiça Federal de Curitiba, mas Moro vetou 21, três delas relacionadas ao amigo do presidente, José Yunes.

Na cerimônia, Moro e Temer apenas não conversaram e não sentaram em lugares próximos.

Temer foi embora antes do magistrado, mas este também saiu em seguida.

Apesar desse espetáculo todo, Moro é visto como "imparcial".

E com o "ativista" Luciano Huck, o "pai" da gíria "balada", durante o recebimento da medalha.

As pessoas andam vendo Rede Globo demais...

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