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O EQUÍVOCO DO PROTESTO ANTI-GLOBO, NO ÚLTIMO 31 DE MARÇO


Viver numa sociedade hipermidiatizada tem dessas coisas.

O indivíduo adota os valores da grande mídia e não percebe que está sendo manipulado.

Ele protesta contra a grande mídia, mas assimilou seus valores, suas gírias, seus hábitos, seus modos de ver o mundo.

E aí situações como o protesto contra a Rede Globo de Televisão, ocorrido em 31 de março passado, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro, se revelam um equívoco.

Em primeiro lugar, foi na data que coincidiu com a grande manifestação no centro carioca.

Que manifestação isolada e fragmentada foi marcada para aquele dia não se sabe que motivo.

E isso quando, diante da cegueira dos políticos e juristas, entre outros "líderes" plutocráticos, é necessário que todo o país fizesse uma só manifestação, em Brasília.


A ocupação da Rede Globo nem parece ter incomodado os funcionários e o porteiro da sede da emissora.

Creio que o protesto foi pueril, inócuo.

Pode não ser aquele "protesto anti-Globo" feito por falsos opositores da Globo que adotam essa postura só para impressionar os outros com uma bandeira jovem.

Mas tem seu grave erro: o de usar o "funk" como trilha sonora do protesto.

Usaram até um dos sucessos mais comerciais, "Ela é Top", do MC Bola, a tal da "capa de revista", numa sátira forçada e sem muita graça.

Além disso, há uma grande insensatez nos manifestantes usarem o "funk" no protesto anti-Globo.

O "funk" é cria das Organizações Globo.

Quem acompanhar qualquer veículo das Organizações Globo, entre 2003 e 2005, quando o "funk" tentava vender uma pretensa imagem socializante, o ritmo estava onipresente na corporação dos irmãos Marinho.

A Rede Globo inseria o "funk" em tudo quanto era programa. Os mais dedicados eram o Globo Esporte e o Caldeirão do Huck.

Mas o "funk" era empurrado até em festas de trintão classe média (seriado Sob Nova Direção) e em tudo quanto era novela, não só no núcleo pobre, mas no núcleo jovem, mesmo o rico.

Até personagens de Casseta & Planeta foram criados para servir de "escada" para os funqueiros darem uma de "geniais": MC Ferrow e MC Deu Mal.

As relações do "funk" com a mídia venal são de plena cumplicidade.

Quem propôs o Dia Estadual do Funk no Rio de Janeiro não foi um político do PT ou PSOL, mas o ex-secretário do então prefeito carioca Eduardo Paes, André Lazaroni, que integrou a chapa "Aezão", que em 2014 apoiou Luiz Fernando Pezão para governador e Aécio Neves presidente.

Luciano Huck é o "embaixador do funk", escolhido pela Furacão 2000 que fingiu apoiar Dilma Rousseff naquele tenso 17 de Abril do ano passado.

A gíria "é o caldeirão" é um agradecimento dos funqueiros ao apoio incondicional de Huck.

Mesmo MC Leonardo nada seria se não fosse o empurrãozinho de José Padilha, cineasta ligado ao Instituto Millenium e admirador do trabalho de Sérgio Moro na Operação Lava Jato.

A propósito, a manifestação anti-Globo ocorreu poucos dias depois de Valesca Popozuda aparecer mais uma vez no programa The Noite, de Danilo Gentili.

Gentili é um dos propagadores do "ideal coxinha", e a banda de apoio do programa é o Ultraje a Rigor, com Roger Rocha Moreira, um dos porta-vozes da direita nativa.

A funqueira "feminista", quando houve um incidente de estupro coletivo relacionando machismo e "funk", foi passear com uma vencedora do Big Brother Brasil.

E aí os manifestantes anti-Globo usam o "funk" como trilha sonora, ainda que seja com tocadores de tambor e não DJ.

Ainda assim, soa como um protesto do seis contra a meia-dúzia.

O "funk" tem até hit inspirado na vinheta do plim-plim: "Aquecimento da Globo". Está no YouTube.

Se o uso do "funk" foi uma paródia, será que os manifestantes anti-Globo também fariam o mesmo com "Rebelde Sem Causa", do Ultraje a Rigor, e "O Rock Errou" de Lobão?

Ou então "Mãe é Mãe", do Casseta & Planeta?

Mas se usaram o "funk" como "arma" anti-Globo, caíram no ridículo.

E aí me lembra aquele quadro do Marcelo Adnet parodiando o manifestante anti-Globo no "Tá No Ar, a TV na TV".

O pessoal deveria rever os métodos de mobilização, pois protestar contra a Globo usando a "prata da casa" não surte efeito algum.

Pelo contrário. A Globo sai fortalecida, como se não bastasse imperar na TV paga com a debandada de três concorrentes vindas da TV aberta.

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