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HAVIA MAIS REALISMO NOS TEMPOS DE JANGO DO QUE EM LULA?


A situação atual é muito complexa, e prefiro ser cético diante da esfera de sonho que envolve hoje o presidente Lula em relação ao cenário aparentemente mais frágil com o qual contava o governo João Goulart em 1964, que sofreu um golpe militar patrocinado pelos EUA comandados pelo Partido Democrata.

A aparente sensação de triunfalismo do governo Lula e a ilusão de que os lulistas podem tudo é preocupante. Afinal, há maior ingenuidade hoje do que em 1964, que já mostrava seu teor de inocência crédula. Hoje existe até uma arrogância, como se o futuro já tivesse virado serviçal de Lula.

Em 1964 havia a utopia da valentia subdesenvolvida idealizada por intelectuais de esquerda na época, assim como havia a crença na burguesia nacional e, no governo Jango, acreditava-se na suposta força do “dispositivo militar” do ministro da Guerra Argemiro Assis Brasil que, depois, fracassou, com a adesão de seus soldados.

Mas, e agora? Lula ensaia uma “volta à esquerda” depois de fazer um governo que foi marcado mais pela propaganda, pelos simulacros de realizações e pelos discursos. Mas não é o mesmo que quando Jango deixou a fase parlamentarista para encampar suas reformas de base.

Lula tomou gosto com as alianças com a direita moderada e só recuou um pouco para ver se consegue ser reeleito “voltando às origens”. Mas isso ocorreu sob o caro preço da queda de popularidade, obtida pela falta de ações concretas. A título de comparação, João Goulart foi deposto gozando de grande popularidade, em 1964.

Já Lula só está plenamente popular entre setores da sociedade considerados abastados. Há um clima de faz-de-conta na qual Lula finge que ainda é o líder do povo pobre e as elites que o apoiam fingem que são esses miseráveis. As tretas fingidas de Lula com a Faria Lima e seu suposto desprezo à classe média indicam isso.

Já fora da bolha lulista, a desconfiança continua e isso faz com que o governo Lula viva uma situação complexa que, praticamente, somente blogues como os nossos têm coragem de diagnosticar. 

E isso é doloroso para muitos, pois o mito de Lula se sustentou pelo respaldo dos mais pobres e ver que eles justamente são os que mais abandonaram o petista pode comprometer a reeleição. Falam que João Goulart, assim como Getúlio Vargas, era um pelego, mas os dois, apesar de fazendeiros, pensavam muito mais nos trabalhadores, enquanto Lula, ex-operário, enfatizava demais o "diálogo com os empresários" nas medidas de seu atual mandato.

Mas para que dizer isso para os lulistas? Eles vivem no mundo dos sonhos e estão no clima da "nuvem nove". Realidade não é coisa que lhes agrade, até porque Lula prometeu a seus seguidores que eles iriam "voltar a sonhar". E, fora da bolha lulista, o povo pobre da vida real continua é obrigado a sonhar seus pesadelos acordados de todo dia.

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