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LULA E OS DOIS LADOS DA GANGORRA SOCIAL

LULA NÃO CONVENCEU O POVO POBRE AO ALEGAR QUE A ÊNFASE DA POLÍTICA EXTERNA É PARA "TRAZER INVESTIMENTOS PARA O PAÍS".

Hoje o presidente Lula completa 80 anos no auge de seu prestígio, mais como um popstar político do que como um gestor, em que pese algumas ações acertadas que são muito poucas diante de um governo que preferiu a cosmética estatística dos “recordes históricos” do que uma reconstrução de verdade, com trabalhos semdo mostrados. 

Vamos lembrar que é melhor haver um resultado modesto que seja fruto de um trabalho conhecido por todos do que divulgar resultados fantásticos dos quais ninguém sabe como foram obtidos e surgiram da noite para o dia.

Seguindo um raciocínio de que todo resultado vem de um longo trabalho, se os ditos “recordes históricos do Efeito Lula” tivessem realmente ocorrido, não seriam fruto de um estalo de nove dedos do chefe da nação brasileira, mas vindos de governos tenebrosos como os de Michel Temer e Jair Bolsonaro. No caso do emprego, a gente vê que, infelizmente, o crescimento se voltou mais para o trabalho precarizado.

Para quem está bem de vida e domina as narrativas nas redes sociais, a verdade é um patrimônio exclusivo do lulismo. O negacionista factual, o “isentão” dos tempos atuais, busca boicotar narrativas que divergem do que Lula representa oficialmente, até pelo trauma da campanha bolsolavajatista de tempos atrás.

Não é o Brasil que está pronto para ser uma das nações mais desenvolvidas do planeta, nem algo perto disso, mesmo considerando erros e perfeições aqui e ali. É, na verdade, o protagonismo de uma elite numerosa e relativamente flexível que tem ânsia de protagonismo pleno para poder curtir seu turismo e seu divertimento sem problemas. E Lula torna-se o fiador certo para a burguesia bronzeada.

É claro que as narrativas vão exagerar, achando que até os mais pobres conquistarão um espaço no planeta. Se olharmos para o mundo fora das cavernas digitais, veremos os pobres brasileiros na situação de abandono ou, quando muito, só recebendo cuidados paliativos, ou seja, que apenas permitem “segurar a barra”, sem trazer uma solução definitiva para seus problemas. 

Para a burguesia ilustrada que confunde “aliviar o sofrimento” com “transformar vidas”, tanto faz, por exemplo, deixar os sem-teto nesta situação é só alimentá-los com marmitas. E ainda temos que aceitar suas narrativas, cheias de juízos de valor, como “verdadeiras”, apenas por serem compartilhadas pela mídia patronal, pelas redes sociais e por seus respectivos públicos, em aparente consenso.

A narrativa oficial aponta que Lula só acumula apoio, tanto entre as classes populares quanto a setores "democráticos" da burguesia. Mas isso é fantasia, pois Lula, um pelego que deixa as causas trabalhistas em segundo plano - vide o que ele fez no começo do terceiro mandato, focalizando a política externa antes das pautas trabalhistas - , acabou se tornando mais próximo da classe dominante do que das classes populares, cuja decepção com o petista chegou a refletir até nas supostas pesquisas de opinião.

Para Lula conquistar as classes dominantes, ele teve o preço de ver os movimentos sociais se sentirem abandonados, traídos e decepcionados. É como o movimento da gangorra, Lula fez pesar mais os interesses de quem está no topo da pirâmide e o peso menor acabou ficando para o lado inferior. Lula tem fama de conciliador e de negociador, mas tudo tem limites e não dá para agradar dois lados da sociedade brasileira ao mesmo tempo. Alguém acaba ficando de fora e abandonando o barco.

Não dá para arrumar como desculpa os "investimentos estrangeiros" e as tais "parcerias multilaterais". O povo pobre não é ingênuo, essas desculpas não lhe colam e essa classe é quem menos trata Lula como um fetiche, pois essa classe não quer esperar, aguentando trabalho precarizado e esperando que medidas como a escala 6x1 no trabalho sejam extintas com três ou quatro anos de atraso. 

O povo também não aceita o contraste entre as "verbas para emendas parlamentares" que Lula despeja para comprar votos do Congresso Nacional e os ínfimos reajustes salariais que a cada ano não dispensam as classes populares de continuarem apertando o orçamento.

O Brasil real não cabe no Instagram nem no Tik Tok. O povo pobre da vida real não tem dinheiro nem tempo para usar as redes sociais e viver as narrativas de contos de fadas. Este Brasil está desiludido com Lula e o próprio presidente acaba reconhecendo a sua dificuldade de se comunicar com as bases populares. O que Lula ainda não admite, no entanto, é que ele se tornou pelego e quando o pelego se aproxima das elites, o povo se sente frustrado e se afasta dele.

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