BONNIE TYLER NUMA DE SUAS ÚLTIMAS APRESENTAÇÕES, NA ALEMANHA, EM MAIO DE 2025.
O que é o jornalismo de escritório e o tratamento que dá aos fatos… A imprensa pós-Temer, que trata o Art Garfunkel, da dupla Simon & Garfunkel, como “apenas um ator” e chama Cid Moreira de “jornalista”, uma qualidade que ele nunca teve (ele era apenas um locutor noticiarista, o que é outra coisa) cometeu uma gafe ao anunciar o falecimento da cantora britânica Bonnie Tyler, aos 75 anos, depois de sair de um coma devido a perfuração no intestino.
Na Globo News, a jornalista Aline Midlej, ao anunciar a morte da cantora - da qual meu pai era, fã - , fez um comentário animado dotado de aparente desinformação:
“É dessa que eu tô falando, você com certeza já dançou até o chão, ‘Total Eclipse of the Heart’. Não me peçam para cantar, vou pedir para o Henrique Porto fazer, porque ele está aqui, para falar um pouco dessa diva do tecnobrega”.
Bonnie Tyler era uma cantora de pop adulto, com influências leves de hard rock, country e soft rock, de voz rouca . Havia feito sucesso a partir da música “It’s a Heartache”, de 1978. O falecimento de Bonnie foi lamentado por diversas personalidades, como Alan Parsons, que já trabalhou com ela certa vez, o ator Kevin Bacon, de Footlose (cuja trilha sonora teve uma música cantada por ela, “Holding Out For a Hero”), e, sobretudo, Rod Stewart, cuja voz era comparada a ela pela rouquidão e havia sido amigo da estrela. Nos últimos anos, o ex-cantor do Jeff Beck Group incluiu “It’s a Heartache ‘ em suas apresentações.
Que eu saiba, havia gente que dançava colado nas festas noturnas ao som de “Total Eclipse of the Heart”, quando balada se definia como música lenta, como a própria canção, e não como “agitos” conforme a Faria Lima quis impor para nossa linguagem. E ainda nossa imprensa falava que existia as “baladas” (festas) nos anos 1980. Nunca houve. “Balada”, no sentido de “festa noturna”, só existiu na Zona Sul de São Paulo entre 1991 e 2000. Depois disso, “balada” só houve como resposta brega às raves do Reino Unido.
Bonnie Tyler até teve uma relação com o brega-popularesco. Foi quando fez um dueto com Fábio Jr., em 1986, com a música “Sem Limites Pra Sonhar”, que teve uma letra em inglês feita para a convidada galesa cantar. Na época, Fábio Jr. era trabalhado pela gravadora CBS ( hoje Sony Music) para ser um representante mais jovem do modelo de cantor romântico já feito pelo outro contratado da companhia, Roberto Carlos.
Já o tecnobrega é um ritmo brega-popularesco que soa como uma versão eletrônica do brega mais dançante dos anos 1970, assim como o arrocha em relação ao brega romântico da mesma década. Com seu juízo de valor, o advogado carioca e dublê de pensador cultural Ronaldo Lemos alegou que o tecnobrega "não tonha espaço na mídia", mas o ritmo oriundo do Pará foi lançado sob o suporte midiático do grupo O Liberal, parceiro das Organizações Globo no Estado nortista.
Se o forró-brega ou o tecnobrega fazem versões de sucessos como “Total Eclipse of the Heart”, o problema nunca foi da Bonnie Tyler, que aliás compôs pouco e o famoso sucesso não é de sua autoria, mas do produtor e músico Jim Steinman.

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