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FIM DA BEAT 98 EXPÕE CRISE NO RÁDIO FM DO RJ E DO BRASIL

POUCOS DIAS DEPOIS DA BEAT 98 SAIR DO AR, A PÁGINA FICOU ASSIM, NO PORTAL DA GLOBO RÁDIO.

Na última sexta-feira, às 19 horas, a Beat 98, emissora de música brega-popularesca e pop estrangeiro do Sistema Globo de Rádio, saiu do ar depois de tantas crises e saída de vários profissionais. Na última segunda-feira, foi noticiada a transferência da "Rádio Globo AM" dos 89,5 mhz para os 98,1 mhz como uma medida de reestruturação do SGR.

Um comunicado oficial afirma que a Beat 98, que voltou ao ar depois, permanecerá até o dia 17 de novembro, quando passará o passe para a Rádio Globo. Esta, por sua vez, não renovará o contrato de transmissão dos 89,5 mhz, que, com a saída da Globo, não teve seu destino anunciado. A frequência era famosa por ter abrigado a rádio Nova Brasil FM.

Quem imagina, porém, que a crise da Beat 98, numa época em que o rádio AM caminha para a extinção definitiva, revela a crise das rádios musicais, é bom deixar claro que a própria Rádio Globo sofre uma crise, sofrendo o problema humilhante de, mesmo com mais espaço de sintonia, como FM e canais de rádio em pacotes de TV paga, ter audiência inferior à dos tempos em que era só em AM.

Paralelamente ao fim da Beat 98, houve demissões na CBN. A própria Rádio Globo, a exemplo de sua concorrente, a Super Rádio Tupi, também fez diversas demissões e, apesar de todo o alardeamento, as duas rádios já não têm a grande audiência de antes.

O reflexo da crise que assola o rádio FM no mundo, e que se expressou no caso do fim de uma rádio FM noticiosa que, depois de demitir 47 profissionais, passou a tocar somente sucessos de Beyoncé Knowles, desafia os antigos otimismos do corporativismo de radiófilos.

Afinal, a Internet acabou refletindo na concorrência forte sobre o rádio, a TV e a mídia impressa. A princípio, a opinião pública dominante achava que apenas a mídia impressa sofria uma crise aguda, tendo a TV aberta sofrido um abalo menor e o rádio resistiria numa vida próspera, da qual só a Amplitude Modulada sairia sacrificada.

Esses mesmos setores da opinião pública também acreditavam que somente o rádio musical reduziria seu espaço, e que o "Aemão de FM" - ou seja, rádios noticiosas, programas de locutor e jornadas esportivas em espaços totais ou parciais em emissoras FM - entraria com toda a força. Isso nunca ocorreu e hoje está pior.

RÁDIO FM ESTÁ VELHO E CANSADO

A verdade é que o rádio FM está velho e cansado, viciado em fórmulas meramente pragmáticas vigentes desde os anos 90, simplistas, superficiais e visando exclusivamente interesses comerciais. Aos poucos o rádio FM abandonou o idealismo dos anos 80 e emissoras que eram consideradas referências, como a Fluminense FM e a Antena Um, foram extintas no dial FM.

Enquanto isso, rádios como Transamérica FM tornam-se mofadas, não conquistando mais a audiência e o apelo moderno que lhe eram marca. Atualmente, a Transamérica mais parece uma rádio de aluguel, sej para DJs de casas noturnas, gerentes de gravadoras e dirigentes esportivos, já que suas jornadas esportivas se devem à parceria de seus donos com Ricardo Teixeira, da CBF.

O "Aemão de FM" foi usado desde os anos 70 para atender aos interesses de grupos coronelistas no rádio brasileiro. O formato decolou nos anos 90 como reflexo das concessões politiqueiras de José Sarney e Antônio Carlos Magalhães e ganhou novo impulso em 2000, sob o apoio de Fernando Henrique Cardoso.

Com isso, o rádio AM que estava estagnado no seu espaço de sintonia original migrou para o rádio FM completamente mofado e ultrapassado. As transmissões esportivas, por exemplo, mais pareciam retiradas de gravações antigas da década de 1970, e mesmo incluir mais repórteres femininas e números de besteirol não conseguiram melhorar a baixa audiência desse filão de programação.

Para piorar, escândalos que atingem o rádio FM na Bahia - envolvendo "coronéis" midiáticos como Mário Kertèsz, Marcos Medrado e Pedro Irujo - há muito tempo comprovam que a corrupção (jabaculê) nas jornadas esportivas em FM é maior e mais perigosa do que o inocente esquema de jabaculê musical, que mais parece brincadeira de criança.

Mesmo o truque de disfarçar audiências individuais em ambientes coletivos como se fossem audiências coletivas não deu certo, porque o retorno de audiência continuava sendo muito fraco. Nas ruas, a maior parte das pessoas está indiferente ao que se passa no rádio FM.

Subordinado aos interesses comerciais e às mesmas fórmulas de sucesso - que já não garantem mais a audiência bem-sucedida de antes - , o rádio FM em crise também assiste à decadência existencial das rádios "roqueiras" Cidade FM, do Rio de Janeiro, e 89 FM, de São Paulo.

As duas rádios aparentemente mostram índices de audiência satisfatórios - pelo menos dentro do mínimo que os executivos de FM esperam - , mas elas não correspondem ao público especializado em rock, cujo respaldo a essas duas rádios é praticamente nulo. Além disso, a Rádio Cidade e a 89 FM repetem a mesma experiência que havia gerado fracasso em 2005-2006.

Isso se deve porque as duas rádios não adotam caraterísticas nem linguagem apropriadas para o segmento rock, com uma conduta que reúne erros e omissões diversas. Com isso, as duas rádios se beneficiam mais pelo desgaste de rádios de pop dançante ou popularescas do que por uma suposta revitalização da cultura rock, que não ocorreu na prática.

Isso tanto é verdade que, até agora, a única banda de rock ou coisa parecida que chegou perto do mainstream foi o grupo paulista Malta, e mesmo assim através do apelo midiático de um reality show musical em que dois de seus jurados são brega-popularescos: Cláudia Leitte e Daniel.

Há fortes indícios de que o desgaste da Beat 98, que "convivia bem" com as igualmente brega-popularescas FM O Dia e Nativa, se deu na verdade com a concorrência da Rádio Cidade que, sem conseguir atrair o público roqueiro, tem que se contentar em "importar" fãs da Transamérica, Mix e Beat 98, dando ênfase em sua programação a programas de besteirol e locutores "engraçadinhos".

O futuro do rádio FM é sombrio, até pior do que o rádio AM, que morrerá sem ter a possibilidade de se reformular e se renovar. Já o FM, tomado de comercialismo extremo e eventualmente parasitando, direta ou indiretamente, ideias e atitudes do rádio AM, agoniza pela falta de ideias, pela repetição de fórmulas fáceis e outros erros, e não existe esperança de recuperação nesse cenário viciado.

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