TED SE RENDE AO 'MARKETING' FUNQUEIRO. ISSO É MAU


O "funk carioca" nunca foi um movimento social e se trata apenas de um ritmo dançante para puro entretenimento e consumismo. É muito mais tolo e muito menos divertido que o twist e seu valor sócio-cultural está muito mais próximo do esquecido hully-gully - e ainda assim, de maneira piorada - do que de qualquer dança folclórica.

A sorte é que os empresários de "funk" são excelentes marqueteiros. Eles têm boas sacadas de publicidade e só. Nada que faça o ritmo se equiparar às maiores manifestações culturais da Contracultura nem ao movimento modernista da Semana de 1922. Mas têm pretensões suficientes para convencer, a todo custo, que o "funk" possui "importância máxima" para a cultura brasileira.

Balelas. Mas a todo o momento o "funk" quer ser o penetra "injustiçado" nas festas dos outros. Entra pelas portas dos fundos, ou talvez pela porta da frente por conta de algum apoio condescendente, e tenta fazer papel de coadjuvante ou mesmo de protagonista, causando polêmicas sem qualquer necessidade.

O "funk" posa de ativista, mas é aliado dos chefões da grande mídia, queira ou não queira a intelectualidade "bacana" que quase monopoliza os debates culturais no país. Seu raio de patrocínio inclui desde banqueiros do jogo-do-bicho até o magnata George Soros. Seu raio de apoio envolve "hidrófobos" mais flexíveis da Folha de São Paulo e das Organizações Globo.

Para quem não sabe, "hidrófobos" não são fãs do personagem Cascão, da Turma da Mônica, mas porta-vozes da grande mídia que não toleram ativismo social das classes populares. Desta maneira, eles preferem apoiar o "funk", que trabalha pela domesticação das classes populares, do que ter que aturar protestos pela reforma agrária e pelo fim do analfabetismo.

Eles são "hidrófobos" porque seus pontos-de-vista retrógrados - considerados sujos - não podem ser "encharcados" pelo banho de argumentos da mídia progressista. E o apoio deles ao "funk" não significa que eles queiram o "funk" para eles, mas como uma forma de controle social, já que forjar o "funk" como suposto ativismo social evita que os verdadeiros ativismos venham à tona.

As esquerdas médias, responsáveis em parte pelo fraco desempenho do PT na política brasileira, ignora que muito do discurso pseudo-ativista do "funk", que agora apela para promover a "dança do passinho" na conferência internacional TED Global (as iniciais da sigla se referem a Tecnologia, Entretenimento e Design), que acontece desde ontem e vai até sexta-feira.

Depois que atitudes "provocativas" de incluir até um grupo de funqueiras para abrir uma mostra de Josephine Baker, ou de associações bastante tendenciosas e falsas do "funk" à alta cultura, como mero recurso de criar reservas de mercado nas classes mais abastadas (o que rende muito dinheiro para os já muito ricos empresários-DJs do gênero), agora é a vez de um "baile funk" inserido no evento.

E aí vem a "batalha do passinho", marcada por aquele sucesso dos Lelekes que gerou um bafafá judicial por causa dos créditos de autoria e até de um clone dos intérpretes originais, na mesma desesperada ladainha de vender o "funk" como um pretenso ativismo, algo que faz os intelectuais dormirem tranquilos, com eles mais poderosos e o "povão" mais domesticado.

O pseudo-ativismo do "funk" é uma das plataformas do magnata George Soros, especulador financeiro que anda brincando de "dono do mundo", financiando a domesticação e a cooptação de movimentos ativistas para exercer o controle do neoliberalismo sobre países emergentes.

Assim, o discurso "ativista" do "funk" tenta convencer as pessoas de que o ritmo tem sua "missão social", quando por trás desse discurso atraente e verossímil há uma mera intenção de fortalecer um mercado já hegemônico que domestica as populações pobres e a impedem de mobilizar-se verdadeiramente.

O "funk" domestica as multidões dando a falsa impressão de que é ativista. Mas ele aprisiona o povo nas favelas e fortalece o poder das elites e dos barões midiáticos. E faz com que os jovens pobres sejam proibidos de tocar instrumentos musicais e compor melodias, sendo limitados apenas a "dançar o passinho" e "rebolar até o chão". Triste.

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