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"FUNK" É CAPITALISMO, NÃO É ATIVISMO


Lamentável a exaltação do "funk" ocorrida no TED Global, em que estereótipos caricatos passam a compor o discurso de "identidade social" das periferias, dentro de um projeto ideológico do "orgulho de ser pobre" e de uma "etnografia de resultados" que nada tem de progressista ou de dinâmico, mas de um processo de domesticação e resignação social dos jovens pobres.

O "funk" tenta vender uma falsa imagem de ativismo, com apelações que não raro são contraditórias, confusas e altamente tendenciosas. A coleção de gafes e factoides associados a vários nomes do gênero, sobretudo através de apropriações da "alta cultura" - de Josephine Baker a Gustave Flaubert - , prova que o gênero não passa de uma mera estratégia de marketing.

Patrocinado por George Soros, pelos barões da mídia e pelas multinacionais, o "funk" bem que poderia ter surgido nos tempos do IPES, o "instituto" de fachada supostamente dedicado a pesquisas e estudos sociais, mas na verdade uma agremiação que pregava ideias reacionárias entre 1961 e 1972.

Isso porque o "funk" poderia ter sido um contraponto à música brasileira de raiz que era debatida pelos acadêmicos de esquerda do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes, já que o "funk" adota influências predominantemente estrangeiras, dentro de uma perspectiva que não era muito diferente daquelas sonhadas pelos militantes do IPES.

A turma do IPES perdeu uma boa oportunidade para defender um "modelo de música brasileira". Seus aliados só promoveram uma "cultura popular" de moldes coronelistas nos anos 70, com a bregalização em ritmo vertiginoso.

Os empresários do entretenimento brega até tentaram calar as esquerdas, "comprando" seu apoio a tudo que for bregalização - pouco importando se tem o claro apoio das oligarquias midiáticas Frias e Marinho - , o que fez com que durante anos o retrocesso da cultura brasileira fosse visto, equivocada mas insistentemente, como algo "progressista" e "avançado".

A bregalização é música de consumo, sucessos nas paradas e só. Não produz conhecimento nem valores sociais sólidos. Tanto que, mesmo com 25 anos de carreira, muitos ídolos "populares" ficam perdidos na carreira, até de forma pior do que muito medalhão aburguesado da MPB.

O "funk" não é exceção à regra. Seu discurso é contraditório e confuso, seu "protesto" é mais resignado, o ritmo explora estereótipos das classes populares dos mais caricatos. Até seu ativismo possui um discurso que chega até a ser articulado, mas sua validade de sentido, observando bem, é bastante duvidosa.

O "funk" prende o povo nas favelas e proíbe os jovens pobres de aprenderem instrumentos e composições musicais. Tudo é feito pela decisão autoritária do empresário-DJ. Se o empresário-DJ quiser que o "funk" sampleie música flamenca, solo de gaita ou violão, isso nada significa senão uma forma tendenciosa de moldar o ritmo à "vontade do freguês".

Não há criatividade no "funk". Andando pelas ruas, os celulares tocados por estudantes e jovens pobres mostra sons repetidos, também tocados pelos carrões de rapazes broncos que percorrem ruas diversas. É o mesmo som, a mesma verborragia grotesca, os mesmos efeitos sonoros. Uma mesmice que essencialmente não variou nos dez anos da retórica pseudo-ativista do gênero.

"Funk" não é ativismo. "Funk" é capitalismo. Algo que foi até explicitado pelo "funk ostentação" paulista, exaltando carrões e tênis caros. Consumismo sem cidadania. As esquerdas médias tentaram, sem dar uma explicação convincente, dizer que o "funk ostentação" era a última palavra em ativismo social e rebelião socialista (?!) na sociedade brasileira. Balelas.

Da mesma forma, as esquerdas médias também tentaram dar explicações nada lógicas de que as "musas" funqueiras eram "feministas", porque estava mais do que evidente que elas encarnavam estereótipos machistas caraterísticos da mulher-objeto. Para piorar, se adotavam algum "feminismo", era o tal "ódios aos homens" contestado pela admirável atriz Emma Watson.

O "funk" não convence com essa pose de ativista. Chega de seus apologistas falarem em "romper o preconceito". Romper o preconceito não significa aceitar qualquer coisa e, cá para nós, o "funk" musicalmente é ruim pacas. É só eliminar toda apologia intelectualoide em favor do ritmo e tocar seus CDs que a única e definitiva impressão que se tem não pode ser outra: "FUNK" É UM LIXO SÓ.

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