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A EXPLOSÃO NERVOSA DA REVISTA ISTO É


Que a grande mídia perdeu a cabeça quando se trata de fazer oposição doentia ao PT, é verdade.

Depois da denúncia na Internet do triplex da filha de um dos irmãos Marinho, donos das Organizações Globo, a coisa mudou.

A Globo era opositora doentia do PT, mas tinha alguma compostura.

Depois do triplex de Parati, essa compostura foi rompida.

A Globo passou a ser tão psicótica quanto a revista Veja. E tão neurótica quanto.

Mas isso era esperado, ver a Globo repetir os mesmos surtos paranoicos de Veja.

Que se esperava que a Folha de São Paulo se tornaria tão retrógrada quanto O Estado de São Paulo, ainda vai.

Mas agora a chamada "mídia boazinha", a parcela da mídia conservadora que tinha um mínimo de profissionalismo e objetividade informativa, também surtou.

A Isto É sucumbiu às explosões nervosas da Globo e Veja e despejou uma edição supondo que a presidenta Dilma Rousseff é uma "louca descontrolada" que destruiu móveis e gritou com subordinados.

Que Dilma Rousseff é do tipo que se irrita, isso é verdade.

Mas não se imagina que uma chefe política como ela possa se comportar de maneira tão irresponsável.

Com todos os erros que Dilma, seu antecessor Lula e o PT cometam, que merecem de fato serem criticados, a presidenta não seria capaz de provocar um vandalismo dessa ordem.

A Isto É, antigo ícone da imprensa "boazinha", é que entrou no mesmo surto nervoso de Globo, Veja, Folha e semelhantes, surpreendendo com seu reacionarismo agudo.

Eu, como jornalista, tenho como vantagem enxergar de longe as coisas, analisando as relações de contextos.

Muitas coisas que ocorreram nos últimos anos eu havia escrito com muita antecedência.

Na minha antiga página Preserve o Rádio AM, eu escrevia que o futebol estava substituindo a música no esquema de jabaculê no rádio FM, quando ninguém se atrevia a sequer admitir tal hipótese.

Em pleno começo do século XXI, blogueiros influentes escreviam sobre o jabaculê como se ele ainda estivesse na escala Dó-Ré-Mi da década de 1980.

Entre 2004 e 2014, diversas denúncias de esquema jabazeiro envolvendo FMs baianas - sobretudo a Rádio Metrópole, do "Maluf baiano" Mário Kertèsz, outro ícone da mídia "boazinha" - e dirigentes esportivos locais, derrubou a reputação antes intocável dos radialistas de Salvador.

A coisa foi tão séria que Kertèsz quase morreu de infarto, em 2008, diante de denúncias tão contundentes.

Portanto, um infarto que vale como uma confissão de participação do esquema de corrupção, em que o rádio FM virava "caixa dois" dos "cartolas" baianos.

Em 2007 eu, vítima de trolagem no Orkut, descrevia os internautas que me agrediram como reacionários de direita escondidos nas mídias sociais.

Oito anos depois, os blogues da Internet publicavam muitos textos a respeito dos fascistas mirins das redes sociais, que realizaram ofensas diversas a gente como a atriz Taís Araújo, a jornalista Maria Júlia Coutinho e a professora universitária Lola Aronovich.

Em 2004, quando a mídia reacionária propriamente dita era reconhecida apenas pelos exemplos mais explícitos, a Rede Globo, o Estadão e a Veja, eu alertava sobre possíveis surtos reacionários da mídia "boazinha", a parcela mais contida da mídia conservadora.

Até a Folha de São Paulo era considerada "boazinha", neste contexto, juntamente com a Isto É e a TV Bandeirantes. E a baiana Metrópole FM.

Anos depois, o que se viu?

Na Bahia, Mário Kertèsz surtou e esculhambou os esquerdistas Oldack Miranda e Emiliano José, que eram complacentes ao astro-rei da Rádio Metrópole, no programa apresentado pelo ex-prefeito de Salvador e proprietário da emissora.

A Folha de São Paulo passou a ter um reacionarismo rabugento e virar panfleto oficial do PSDB.

A TV Bandeirantes contratou um Bóris Casoy que se revelou reacionário quando vazou o som do jornalista esculhambando garis que estavam alegres com o fim de ano, naquele 2009.

Agora, a Isto É vem com essa truculência, em que a revista, antes contida, teve o surto editorial que vemos na capa da edição desta semana.

A Isto É, perdendo a cabeça, quebrou as regras do bom jornalismo, gritou com o leitor de maneira violenta, e mostrou-se incapaz de expressar a objetividade que se espera de um órgão de imprensa conservador, sim, mas pelo menos com alguma dignidade.

A Isto É, com esta edição, perdeu a dignidade.

Juntou-se a outras corporações midiáticas na sua truculência de confundir o livre direito de criticar o PT e seus governantes com a libertinagem da calúnia e da difamação.

Dessa maneira, a Isto É emporcalhou suas páginas com essa verdadeira demonstração de desserviço à sociedade, que quer informação e não calúnia.

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