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PRISÃO DE GUILHERME BOULOS AGRAVA CRISE POLÍTICA NO BRASIL


A prisão do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, é uma clara demonstração da crise política em que vivemos.

Defendendo moradores que protestavam contra uma ordem de despejo de uma ocupação em um terreno em São Mateus, bairro da Zona Leste de São Paulo, Boulos tentou fazer acordo com a PM.

Boulos não aceitava a retirada dos moradores que não tinham para onde ir.

Eram 700 famílias ameaçadas de serem postas ao olho da rua.

Boulos foi detido por não aceitar as ordens da PM, o que foi visto erroneamente como desacato.

Faz mais sentido a PM ter desacatado os argumentos de Boulos, que representava milhares de pessoas carentes.

Detido na 49ª DP, Boulos é uma das vítimas de estranhos episódios de condenação e banimento político.

É uma época em que vozes destacadas das forças progressistas, não exclusivamente petistas, estão sendo perseguidas pelo establishment político-jurídico-policial-midiático.

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) receberam processos de suspensão de mandatos.

A senadora Gleisi Hoffmann é investigada por supostas irregularidades político-administrativas.

A blogueira Lola Aronovich chegou a ter sua conta no Google suspensa por conta de uma armação de caluniadores.

Eles usavam fakes que se passavam por ela para justificar mensagens de calúnia tidas como de autoria da professora.

Vivemos uma época de reacionarismo político violento.

Numa época em que o ex-presidente Lula pretende anunciar sua sexta candidatura à Presidência da República.

Mas a prisão de Boulos, feita por motivação política, só agrava a crise do governo Michel Temer, uma coleção interminável de escândalos de dimensões catastróficas.

A PM alega que Guilherme Boulos agiu por "reincidência", depois de ter sido detido durante uma ocupação dos sem-teto em frente à casa do presidente Temer, em São Paulo.

A repercussão política da prisão de Boulos pode até ter empolgado os reacionários.

"Bem feito para ele. Hoje é Boulos, amanhã é Lula", rosnam os reaças de plantão.

E a importância de Boulos em defender quem tem dificuldade de arrumar uma moradia deve ser considerada.

Só isso o faz mais caridoso do que todos os ídolos religiosos juntos, envoltos num paradigma de "bondade" que mais promove o filantropo do que ajuda as pessoas carentes.

Apesar desse cenário repressivo, os progressistas estão dando uma amostra de coerência e competência.

O ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão, recentemente questionou os abusos cometidos pelo procurador Rodrigo Janot e pelo ministro da justiça (com minúsculas), o truculento Alexandre de Moraes.

Não é um questionamento vindo de "achismos", mas de análises mediante conhecimentos das leis.

As páginas "de opinião" (segundo Temer), os chamados "blogues sujos" estão dando um banho de informação sobre leis, fatos concretos e lembranças históricas.

Já as "imparciais" páginas reaças, vindas de midiotas temperamentais, muitos escondidos no ofício de "jornalismo" ou de "intelectuais orgânicos", é que são antros de "achismo" e comentários odiosos.

Os reacionários não sabem as fronteiras entre a ofensa e a crítica objetiva.

E ainda não gostam de ser contrariados.

Pressente-se que o Brasil agravará, em níveis descontrolados, a crise que já se desenhava em 2016.

Especialistas alertam para isso, sobretudo para o "tiroteio" moral das convulsões sociais.

A prisão de Boulos não resolve a crise política do país nem recupera a "normalidade" social.

Pelo contrário, pode agravar ainda mais a crise do cenário político de hoje, já gravemente ferido pela crise penitenciária.

O país vive uma fase de terrível instabilidade, e não é para as pessoas irem para praias e praças tranquilas.

Não é momento para sorrirmos como se fôssemos caçar borboletas no bosque.

Os escândalos políticos do governo Temer e da plutocracia associada não são erros que devam ser encarados com risos, como se fossem travessuras de moleques na rua.

São erros que devem ser encarados com apreensão e muita cautela.

E isso num país desigual, em que oito brasileiros têm uma riqueza maior do que 100 milhões de brasileiros.

Entre esses poucos, estão os irmãos Marinho, das Organizações Globo.

São os donos da Rede Globo que anda mentindo que está "recuperando audiência".

É fácil botar um aparelho de TV num restaurante, ligado para ninguém ver, e depois usar o número de fregueses diários do estabelecimento para "atribuir a audiência" da emissora sintonizada.

É algo que as FMs de Salvador já faziam, fraude de audiência para enganar o Ibope e iludir os anunciantes.

A grande mídia é culpada por esse cenário calamitoso em que vivemos.

Ver que as pessoas que se incomodam com servidores públicos ganhando "um pouco mais", parlamentares tendo até uma boa fortuna, mas não se inquietar com as fortunas nababescas dos irmãos Marinho, é de uma incoerência absurda.

E não é dinheiro para investir nas empresas: a fortuna dos Marinho só é aplicada nas contas pessoais dos donos da Globo.

Quem paga os funcionários da Globo são os anunciantes.

Neste cenário, só poderemos esperar que a crise política aumente, mesmo se Boulos for solto daqui a algum momento.

É porque a mentalidade reacionária mostra um Brasil dominado por quem despreza o povo.

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