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LULA NÃO OBTEVE NOBEL DA PAZ

ABIY AHMED ALI TEVE MÉRITOS PARA RECEBER O NOBEL DA PAZ, MAS A ESCOLHA DO PRÊMIO EVITOU PERSONALIDADES MAIS REPRESENTATIVAS, COMO LULA E RAONI.

Nos solidarizamos aos grupos de defesa pela moradia popular que tiveram seus ativistas mais destacados presos sem um pingo de motivo justo.

Janice "Preta" Ferreira, do Movimento dos Sem-Teto do Centro, foi uma das pessoas presas durante três meses, acusada de uma estória infundada sobre "cobrança de aluguéis", um factoide plantado - à maneira do triplex do Guarujá contra Lula - para intimidar as lutas populares.

Como os presos sofreram essa humilhação, que é a prisão arbitrária e sem qualquer fundamento, eles merecem ser indenizados por danos morais. Preta Ferreira deu entrevista dizendo que irá à Justiça provar sua inocência. Damos total apoio a ela e seus companheiros de causa.

Enquanto isso, o governo Jair Bolsonaro continua decadente.

Ainda que dentro daquela linha "Balança Mas Não Cai" dos governos golpistas, Jair Bolsonaro está envolvido em três acontecimentos.

Um são os desentendimentos dele com seu partido, o Partido Social Liberal (PSL), sobretudo na pessoa do seu presidente, Luciano Bivar.

Esse conflito se deu depois que a Folha de São Paulo publicou reportagem sobre o envolvimento de Jair Bolsonaro no esquema de "laranjas" do PSL que teria feito caixa dois para a campanha presidencial do ex-capitão.

Bolsonaro aparentemente diz que "fica" no partido, mas a coisa está tão feia que ele só diz isso porque, talvez, não tenha outra "marquise" partidária para se abrigar.

Outro é a proposta do Brasil de entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, um "clube" de países ricos.

O Brasil não tem condições para entrar nesse bloco econômico, porque era um país em desenvolvimento e, hoje, está em processo de decadência.

E olha que Bolsonaro se empenhou para sabotar o Mercosul, conforme sabemos.

Donald Trump, aparentemente, não está interessado em conceder um assento para o Brasil na OCDE, com todas as declarações de amor do subordinado governante brasileiro.

O terceiro episódio é a poluição nas praias do Nordeste, que atingiu a praia de Stella Maris, em Salvador, onde eu frequentei várias vezes durante o verão, quando morava em Salvador.

Bolsonaro acusou a Venezuela de ter despejado petróleo para poluir as praias nordestinas.

Fernando Brito, filho de um professor de Geografia, disse que isso era impossível porque seria ir contra a corrente dos ventos no Oceano Atlântico, em matéria do Tijolaço.

Mas aí o G1 noticiou que uma pesquisa do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia - já passei perto do local várias vezes e fiz até prova para concurso numa delas - , através de nove amostras comparadas, confirmou que a origem do petróleo é venezuelana.

Só que aí se pergunta. Como isso se deu? Um navio venezuelano foi visto em alguma parte da orla nordestina?

Vamos adiante.

Temos o caso dos deputados do PSL que fizeram "visita surpresa" ao Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

Isso chamou a atenção da reitoria, que chamou a Polícia Federal para deter os dois parlamentares, o deputado federal Daniel Silveira e o deputado estadual Rodrigo Amorim, que não tiveram autorização para entrar no estabelecimento.

Estudantes foram informados da "visita surpresa" e imediatamente reagiram com protesto, causando uma grande confusão.

Daniel e Rodrigo são os mesmos que, durante campanha eleitoral do hoje governador fluminense Wilson Witzel, rasgaram uma placa de homenagem à falecida vereadora Marielle Franco.

Os dois alegaram que estavam "visitando" o Colégio Pedro II para fazer uma "vistoria", acrescentando que foram solicitados a verificar o estabelecimento para ver se necessita de verbas do governo.

Eles juraram que "não vieram por ideologia", mas disseram que, se tivessem encontrado alguma "mensagem ideológica", iriam notificar o ministro da Educação, Abraham Weintraub.

E vamos ao assunto do Nobel da Paz.

Logo de manhã, foi anunciado o prêmio para uma figura política mundialmente pouco conhecida, o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali.

Ele ganhou o prêmio porque foi responsável por negociar um conflito de fronteira com a Eritreia.

Com habilidade, Abiy resolveu o conflito pacificamente, promovendo diálogo entre as partes.

Da parte de Abiy, foi um prêmio merecido. Mas, da parte dos organizadores do Prêmio Nobel, a escolha foi para um caso inofensivo diante do contexto da geopolítica atual.

Afinal, haviam três candidatos favoritos ao Nobel da Paz: a adolescente sueca Greta Thunberg, o índio brasileiro Raoni e o também brasileiro e ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Nenhum deles ganhou. Acredita-se que, pelo ponto de vista dos organizadores do Prêmio Nobel, os três eram controversos e trariam algum incômodo à comunidade internacional.

Greta é uma ativista sueca que defende causas ambientalistas, mas causa controvérsia por não ser uma ameaça a interesses neoliberais estratégicos.

Raoni, que há pouco mais de três décadas foi conhecido por ter sido levado pelo músico Sting (o ex-The Police) para ser apresentado às autoridades estrangeiras, é defensor da Amazônia, mas o mundo capitalista não se identifica com as causas indígenas.

E Lula? O ex-presidente é persona non grata das elites brasileiras e do mundo capitalista que saqueia as riquezas de nosso país.

É essa a razão do Nobel não querer conceder prêmio a Lula, porque isso seria uma desfeita ao mundo "democrático", eufemismo para o mundo capitalista.

E aí foi escolhido um político de expressão regional, que não causasse polêmicas e que evitasse ameaçar os interesses dos grandes grupos do capital.

E aí, vida que segue, o golpismo segue com sua tragicomédia "Balança Mas Não Cai".

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