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A PRISÃO DE LULA, O GOLPE POLÍTICO E O GOLPE CULTURAL


Os anti-petistas continuam existindo. Não é porque o bolsonarismo está em crise que as forças progressistas afastaram seus opositores para retomar o protagonismo.

Não, infelizmente as forças progressistas não vão recuperar o protagonismo. Eu desejaria, mas existem pressões contrárias a isso.

Afinal, o legado do golpe político está esperando fechar seu primeiro capítulo.

Esse capítulo é o de pauperizar o Brasil: desfazer conquistas trabalhistas históricas, vender as riquezas nacionais para empresas estrangeiras e, se não privatizar as estatais de grande porte, pelo menos as subsidiárias.

Em seguida, virá a era do bom-mocismo.

Virão o Renova BR, Agora!, Caldeirão do Luciano Huck, Tábata Amaral, Jorge Paulo Lemann e até o Espiritismo brasileiro, religião que foi coadjuvante do golpe de 2016 e dos governos Temer e Bolsonaro e vai protagonizar os tempos "bons-moços" vindouros.

O povo pobre, em parte, vai se sentir como se fossem personagens do canal Hope For Paws do YouTube, só que de maneira mais tosca e menos generosa.

E, é claro, com o "caridoso" em questão cobrando mais protagonismo para si do que benefícios para a população carente.

É como diz o anedotário popular: "Ao benfeitor, as medalhas, aos carentes, as migalhas".

Dizem que Luís Inácio Lula da Silva ajudou os pobres sem prejudicar os mais ricos. Em termos.

Os mais ricos estavam, aos poucos, perdendo privilégios. Empregados domésticos, por exemplo, passavam a se equiparar aos trabalhadores remunerados comuns.

Os salários se revalorizavam aos poucos. Havia mais encargos para os ricos terem que pagar para seus trabalhadores.

Se Lula não tivesse ameaçado tanto os privilégios dos ricos, embora ele tivesse sido cauteloso com eles, o golpismo político não teria ocorrido.

Ele ocorreu desde o início. Se incluirmos o golpismo cultural, com aquela "revoada" de intelectuais da mídia venal para a mídia de esquerda - fácil guerrear na trincheira adversária bancando o falso aliado - , para pregar o "ideal da pobreza linda", ele ocorreu desde, pelo menos, 2005.

Intelectuais "bacanas" e "tão bonzinhos" diziam que "era lindo" ser pobre, camelô, prostituta, favelado, viver da miséria e da ignorância.

Faziam das "periferias" as Disneylândias de miséria e precariedade, mas as paisagens de consumo para as elites esnobes.

Um dos efeitos nefastos dessa campanha do dito "combate ao preconceito" dos intelectuais "mais legais do Brasil" foi o "safári humano" para o turismo das "generosas elites" que acham lindo a espetacularização da pobreza.

Foi um golpe político que quase quebrou a mídia alternativa, que afastou leitores ao defender a bregalização cultural. Mas uma baixa foi significativa, a Caros Amigos.

Também foi derrubada a Lei Rouanet e, em etapas, o Ministério da Cultura.

E a intelectualidade "bacana" ficou sem verbas estatais para alimentar seus "coletivos". Tinham que apelar para pedir aumento das mesadas de Jorge Paulo Lemann, George Soros e até dos barões da mídia.

O golpe político e econômico de 2016 pegou de surpresa até quem os defendia, porque gerou um pesadelo pesado demais para o Brasil.

Daí a crise de hoje que anda afastando, sobretudo, os bolsonaristas do bolsonarismo.

E Lula acabou preso por boatarias exploradas levianamente pela Operação Lava Jato, acusações sem provas que apenas foram ventiladas pela mídia para forjar o ódio dos que consomem o veneno midiático de cada dia.

A Operação Lava Jato foi a sobremesa do banquete da bregalização que a mídia venal pregou, na sua campanha "pelo fim do preconceito".

As esquerdas foram aceitar a idiotização cultural midiática sob o pretexto de ser a "cultura das periferias" e, de repente, foram surpreendidas por Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e companhia surgindo do nada.

E aí vemos o quanto temos que ser cautelosos. As esquerdas, emotivas, acreditaram nas falácias dos intelectuais "bacanas" e seu culturalismo conservador travestido de "progressista".

O povo pobre foi posto para fora das manifestações sociais pela intelectualidade orgânica (jornalistas culturais, cineastas documentaristas, antropólogos, etc) que dizia que "seu ativismo é rebolar o 'funk' ou cantar berrando o brega com uma garrafa de pinga na mão".

Não tivemos cuidado com as "Tábata Amaral" que haviam por trás de jornalistas, cineastas e acadêmicos exaltando a breguice como se fosse uma suposta rebelião popular!

Quer dizer, eu tinha. O pessoal das esquerdas é que não. Deixaram que a breguice e, em seu bojo, a imbecilização cultural crescesse e invadisse até redutos antes voltados à MPB, ao rock alternativo e ao jazz.

Universidades condecorando ídolos brega-popularescos, tidos como "pensadores populares", distraíram o povo, enquanto Sérgio Moro estava no seu camarim planejando o seu espetáculo.

Os "rebolations", "beijinhos no ombro" e "lepo-lepos" serviram de aperitivo para os "coxinhas" vestidos de camisetas da CBF, uns pedindo até o golpe militar, sob o eufemismo de "intervenção".

O "baile funk" da Furacão 2000 em 17 de abril de 2016 anestesiou as esquerdas, distraindo-as com a aparente alegria que as tranquilizou, garantindo a votação, sem protestos, do golpe a ser dado contra Dilma Rousseff.

A História ainda definirá nomes como Rômulo Costa e Bruno Ramos (Liga do Funk) como "novos Cabos Anselmos" para o golpe de 2016. E definirá a bregalização defendida por Pedro Alexandre Sanches, Paulo César de Araújo e companhia como o IPES-IBAD de 2005-2016.

As esquerdas, desnorteadas, não conseguem admitir isso. Tomadas de emotividade e ainda iludidas com o truque dos "pobres sorridentes", que escondiam um processo de domesticação, se recusam a ver que tiveram também seus inimigos internos, usurpadores etc.

A bregalização foi muito crucial para o golpe de 2016. "Combate ao preconceito" era uma falácia. As formas defendidas tratavam o povo pobre de maneira preconceituosa. Nas redes sociais, os bolsomínions adoravam a bregalização. Na TV, Sílvio Santos era o divulgador maior.

Daí que precisamos menos de emotividade e mais de prudência e raciocínio.

Neste caso, Lula é um dos mais prudentes. Lá da prisão, ele sabe das coisas, é informado sobre quase tudo. E não se ilude com a oferta do regime semiaberto da Operação Lava Jato.

Ele sabe que, se aceitar essa "liberdade condicional", ele estará legitimando aqueles que o prenderam sem um motivo mínimo sequer, sem um fundamento, sem uma prova jurídica sequer.

Lula é o que menos pensa no Lula Livre. Ele pensa no país, nos brasileiros. Ele quer é retomar a normalidade legal, a recuperação dos direitos dos brasileiros e o resgate das riquezas nacionais.

As esquerdas emotivas é que só querem festa. Não querem protestos de verdade, mas "marchas" dotadas de algum espetáculo, algum entretenimento. Manifestações que mais parecem maniFESTAções.

Cultuam funqueiros que defendem o aborto, incondicionalmente, e "médiuns espíritas" que o combatem, também de forma incondicional.

Se confundem todos. Afinal, acolhem aquilo que a cultura de centro-direita lhes parece "inofensivo" e "sem ódio". E que mostre pobres supostamente felizes, sorrindo de orelha a orelha.

É essa emotividade das esquerdas sonhadoras, cheias de pensamentos mágicos mas vazias de ação e combativismo de verdade, que permite que o governo Jair Bolsonaro fique de pé, apesar das confusões.

Assim como permitiu que Michel Temer governasse tranquilo seu tempo de mandato, apesar de toda a sujeira em torno de seus atos e decisões.

O golpe cultural não vai trazer o Lula Livre. Nem que as drag queens das marchas LGBTQ só vistam de vermelho. Nem que fantasiemos antigos cantores bregas e "médiuns espíritas" reacionários com alguma montagem digital "esquerdizante" que agradasse a todos e lacrasse a Internet.

Se continuarem acolhendo a cultura de centro-direita e maquiá-la de suposto esquerdismo ao gosto do pensamento desejoso, só vão contribuir para a continuação do golpe dos últimos anos.

O momento tem que ser de ruptura. Não queremos polarização, mas o ideal é nos aliarmos com os forasteiros certos.

O critério não pode mais ser a emotividade efusiva, a bajulação nem a exibição de pobres sorridentes. E nem flores, guloseimas, bombons e batons.

O critério deveria ser se o virtual aliado de fora irá nos acolher nas situações difíceis, coisa que os usurpadores mais calorosos e que pagam uma rodada de chope são incapazes de fazer.

Se tivermos um pouco mais de cautela e abrirmos mão de pensamentos mágicos e sonhadores, isso seria um pequeno passo para dissolver o golpe político e, quem sabe, tentar reverter o seu amargo legado.

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