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SÍLVIO SANTOS, "MECENAS" DA BREGALIZAÇÃO, DÁ MAU EXEMPLO PARA A SOCIEDADE


O doce verão do "combate ao preconceito" da bregalização fez seus estragos.

Até hoje vemos esses efeitos, como a invasão do "pagodão" pós-Tchan no Teatro Gregório de Matos, a tal "Batalha do Pagode" que mostra o quanto ritmos comerciais tentam ocupar espaços que eram de tendências não-comerciais.

Hoje quem faz música não-comercial usa espaços subalternos. No Rock In Rio, o King Crimson, poderosa banda de rock progressivo de vanguarda, tocou em um palco subalterno.

Em outros tempos, a banda de Robert Fripp estaria no Palco Mundo, se valorizássemos os nomes da música pela música e não pela visibilidade obtida por factoides e outros artifícios.

Oe embuste do "combate ao preconceito" enganou muita gente e só fez encher dinheiro de ídolos popularescos, jogar o "funk" para o mainstream internacional e fazer acadêmicos e jornalistas culturais "de esquerda" receberem verbas de George Soros e Jorge Paulo Lemann.

A intelectualidade "bacana" de acadêmicos porraloucas, farofafeiros de plantão, dirigentes funqueiros apadrinhados por um cineasta "coxinha", quis tanto combater o preconceito que suas pregações só fizeram combater Dilma Rousseff, o Ministério da Cultura e a Lei Rouanet.

A mídia alternativa perdeu leitores depois que ela passou a defender "funk", tecnobrega e até o depois bolsonarista "sertanejo", perdendo a Caros Amigos, deixando a Revista Fórum cancelar versão impressa e deixar a Caros Amigos balançando em crise.

Os blogueiros de esquerda tentam fugir do prejuízo, se lembrando da MPB autêntica e da cultura de verdade - teatro, literatura, cinema etc - , depois de achar que a bregalização traria a Revolução Bolivariana para o Brasil.

O grande mecenas dessa bregalização foi ninguém menos que Sílvio Santos, que "educou" muito esquerdista de primeira viagem que achava que Waldick Soriano era o embaixador da Revolução Castrista na música brasileira.

Num país em que se guevariza até os tucanos Chitãozinho & Xororó esquecemos que o maior divulgador dessa "cultura sem preconceitos" é, hoje, o maior apoiador do governo Jair Bolsonaro.

Intelectuais amestrados por Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990 e que se fantasiavam de "petistas desde criancinhas" na década seguinte não previram o pesadelo bolsonarista que os internautas das redes sociais sonhavam discretamente.

Tudo parecia um mar de rosas. Na mídia esquerdista, o proselitismo da intelectualidade "bacana" fazia com que a bregalização fosse erroneamente vista como la dolce vita dos intelectuais progressistas.

Mas é só entrar nas redes sociais, como Orkut, por exemplo - lembremos que o reacionarismo digital dos sociopatas já estava a pleno vapor no Orkut, quando o Facebook ainda era menos popular - , que vemos quem é que defendia o chamado "popular demais".

Quem defendia a bregalização cultural em vários aspectos - música ruim, mulheres vulgares, programas imbecilizantes, imprensa sensacionalista - eram os que hoje se consideram bolsomínions ou, quando não é este o caso, os sociopatas raivosos, enrustidos mas altamente reaças.

E aí vemos Sílvio Santos fazendo das suas. Depois da excitação sexual pela cantora Cláudia Leitte, o apresentador e empresário do SBT resolveu apelar mais ainda.

O distinto Senor prestes a fazer 89 anos de idade foi lançar um concurso de meninas pequenas usando maiôs, num sutil processo de sexualização infantil.

Em seguida, Sílvio Santos foi fazer perguntas maliciosas para uma criança de oito anos, a menina Deborah, dizendo: "Deborah, o que você acha melhor? Sexo, poder ou dinheiro?".

Sílvio Santos já chamava a atenção pela forma com que promovia a idiotização da mulher solteira, através de parte de suas "colegas de trabalho", as mulheres que ficavam na plateia de seu programa.

Resultado: a solteirice virou, praticamente, "coisa" de funqueira, ex-BBB, mulher-fruta, "garota da Banheira do Gugu", ou das "marias-coitadas" que ouvem "pagode romântico" e "sertanejo" falsamente de "raiz".

Existe até falsa solteira, como uma ex-dançarina de pagode que "se divorciou" de um atleta mas que fica falando da vida dela e do "ex" marido nas redes sociais, mais do que muita it girl "muito bem casada" com empresário ou banqueiro e que leva vida de solteira viajando no exterior.

A pergunta que Sílvio Santos, indelicadamente, deu a uma criança que está começando a conhecer o mundo em volta, não mediu escrúpulos em saber que risco isso pode trazer para uma mente infantil em formação.

No passado, a péssima educação, com meninas pequenas expostas à hipersensualização de Banheiras e Tchans, produziu mulheres adultas que só querem fazer papel de "brinquedos sexuais" de internautas afoitos, só vivendo de "sensualizar demais" nas fotos.

O que é pior, essas mulheres-objetos, dentro de uma esquizofrenia cultural, ainda se arrogam em dizer que são "empoderadas" com isso, sob o silêncio das esquerdas que, mesmo por boa-fé, acham que isso é um tipo de "feminismo popular", mesmo movido a glúteos e peitos siliconados.

Essas mulheres-objetos são o subproduto das perversidades que Sílvio Santos, Raul Gil, Faustão e, nos bastidores, Marlene Mattos, então empresária da Xuxa Meneghel, fizeram jogando hipersexualização para a criançada, produzindo mulheres-objetos e bolsomínions, ambos afoitos.

A Internet se revoltou com Sílvio Santos perguntando baixarias para a menina Deborah.

Seguem algumas declarações:

Pedro Cardoso, ator e escritor:

"Nunca gostei de Silvio. Acho o trabalho dele de péssima qualidade. Acho o programa dele chatíssimo. Acho que Silvio fez dinheiro vendendo ilusão para pobres brasileiros. Acho Silvio um irresponsável social. Estive na TV dele para dar entrevista sobre o meu trabalho e nunca gostei de ir lá! Silvio participa de longa data do projeto fascista brasileiro".

Márcia Tiburi, filósofa e ativista:

"E o assédio pedófilo feito por Silvio Santos em plena televisão brasileira contra uma menina indefesa? O que Crivella e outros pastores dirão sobre essa violência? Ou um coronel da mídia pode assediar crianças assim só porque é dono e senhor da cabeça e dos olhos dos brasileiros?".

Felipe Neto, youtuber e agora ativista social:

"Um senhor de 88 anos pergunta para uma criancinha: “você prefere sexo, poder ou dinheiro?” Na TV aberta! Adivinha quem não falou absolutamente nada? Crivella Malafaia, deputados do PSL, Família Bolsonaro, psicóloga que falou que sou má influência. Silêncio…".

Felizmente os tempos são outros, embora tivesse sido necessário que ocorresse o golpe político de 2016 para que os brasileiros acordassem.

Mesmo as esquerdas aprenderam a serem esquerdas depois do golpe de 2016, porque, antes, elas encamparam referências culturais de centro-direita, iludidas com seu suposto apelo popular.

As esquerdas passaram muito tempo assinando embaixo para referenciais culturais apoiados pela família Marinho, por Sílvio Santos, por Tutinha da Jovem Pan, por Luciano Huck.

E achavam que "nada havia de mais" apoiar esses referenciais, por acreditarem, ingenuamente, que eles estavam "acima das ideologias" e que as oligarquias e aristocracias midiáticas só estavam se aproveitando de "fenômenos populares demais".

Essa ingenuidade teve seu alto preço. As esquerdas mais jovens apoiaram a bregalização que os esquerdistas mais velhos desaconselhavam apoiar, mas consentiam, na boa-fé, porque os mais jovens vinham com uma retórica "neotropicalista" trazida pelos intelectuais "bacanas".

As esquerdas viveram muito tempo passando pano para a cultura de centro-direita e tudo o que ela fez foi somente fortalecer o poder da mídia hegemônica que apoiou a bregalização cultural e que, fortalecida, realizou o golpe político de 2016.

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