SOCIÓLOGO MICHAEL LÖWY ALERTA PARA "MODERNISMO REACIONÁRIO" NO BRASIL


Em entrevista recente ao jornal Folha de São Paulo, o sociólogo paulista radicado em Paris, Michael Löwy, fez um alerta sobre o que ele define como "modernismo reacionário", que é o crescimento das manifestações radicais de direita no Brasil. Para ele, o país vive uma era conservadora.

"Há um modernismo reacionário, que sempre é favorável ao sistema capitalista, por mais que se critique este ou aquele aspecto da vida política, como a corrupção e a má administração", disse o sociólogo, acrescentando que o aspecto mais sinistro da direita é o apelo aos militares, como se observam nas mobilizações que pedem intervenção militar no Brasil.

A situação radicaliza um quadro que existia há cerca de 15 anos. O reacionarismo da Internet de 2002 a 2008 era violento, mas um tanto enrustido, a ponto de vários internautas se autoproclamarem "esquerdistas" adotando, porém, visões e pontos de vista de extrema-direita.

Eram jovens que tentavam disfarçar seu reacionarismo "odiando também" George W. Bush, o Imperialismo, a Rede Globo e as multinacionais, enquanto fingiam gostar de Ernesto Che Guevara (poucos anos antes deles mesmos passarem a adorar a direitista Yoani Sanchez). Como eram jovens, eles faziam isso para impressionar seus contemporâneos progressistas.

Era a época em que a base de apoio do PT era tão eclética que, por uma formalidade de respaldo partidário, figuras como Marco Feliciano, Jair Bolsonaro e Eduardo Cunha eram "de centro-esquerda", enquanto figuras históricas da ditadura militar como Paulo Maluf, Fernando Collor e os regionais Jaime Lerner e Mário Kertèsz tentavam se passar por "progressistas".

Hoje, com os escândalos e contradições se vazando e a própria esquerda admitindo o vácuo ideológico, programático e prático não só do PT mas também do PSOL, PSTU e outros, a crise está mais delineada, mas o reacionarismo deixou sua máscara "progressista" e passa a adotar o mais convicto direitismo golpista.

Exemplos disso estão nos movimentos pela intervenção militar, mas também em grupos que pregam a violência e a intolerância social de extrema-direita, que começam a crescer de forma preocupante na Região Sul do país. O Brasil parece hoje viver um horizonte sombrio, alertam jornalistas e intelectuais conceituados.

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