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DESCONFIO DA EXPECTATIVA DE "VITÓRIA FÁCIL" DAS ESQUERDAS

INFELIZMENTE, AS ESQUERDAS, EM MAIORIA, SUCUMBIRAM AO ATIVISMO DE SOFÁ.

Desde que estava finalizando meu livro 1961 - O Ano que Havíamos Esquecido, apenas li, sem me aprofundar para fazer postagens, alguns assuntos do cenário político atual.

Teve o erro do ator José de Abreu em dizer que agrediria a deputada Tábata Amaral. Erro grosseiro. A garota tem que ser enfrentada com ideias e debate, não com agressões físicas.

Admirável em vários momentos, José de Abreu aqui está deplorável, fortalecendo o estereótipo do "esquerdomacho" que faz a direita cair em cima.

Tivemos o caso do Prevent Senior e seus testes suspeitos de "tratamento precoce" com o uso de cloroquina, usando idosos como cobaias, o que acabou matando esses pacientes.

Tivemos Jair Bolsonaro que, só para agradar aliados do Centrão, disse que "não vai mais fazer golpe" nem "melar as eleições de 2022".

As investigações sobre fake news indicaram que um dos filhos de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, o Carluxo, é considerado "líder de uma organização criminosa".

Jair Bolsonaro, em Nova York, onde participou de um evento da Organização das Nações Unidas, teve que, num almoço, comer uma pizza e, em outro, ganhar um "puxadinho" para comer em outro restaurante, porque lá exigem gente vacinada para entrar nesses locais.

Bolsonaro cometeu gafes, mas é cedo para dizer que ele já caiu.

O que vemos é o desgaste de sua pessoa, que com seu negacionismo ainda criou incidentes ainda mais desastrosos.

Seu filho Eduardo Bolsonaro pegou Covid. A madrasta deste e primeira-dama Michelle Bolsonaro tomou vacina contra a doença nos EUA, o que simbolizou uma séria contradição com o "patriotismo acima de tudo" dos bolsonaristas.

Diante de fatos como esses, além do aumento das confusões no Congresso Nacional - deve ser por causa das "boas energias" que um "médium" vigarista trouxe para Brasília, depois que um deputado bolsomínion o elegeu "herói da Pátria" - , vemos o quanto o Brasil está muito, muito confuso.

O que chama a atenção é o triunfalismo cego das esquerdas que cruzam os braços e acham que Lula já ganhou todas as batalhas. E o pior é que o próprio Lula se contagia com esse triunfalismo.

Só por causa de especulativas e duvidosas pesquisas de opinião, as esquerdas acham que estão vitoriosas. E acham que o jogo "está fácil" para elas.

Falo da maioria das esquerdas, que são formadoras de opinião, refletem o comportamento dominante e são formadas por gente de classe média que se acha "a família real da cocada preta".

Com sua memecracia e seu ativismo de sofá, as esquerdas quase não protestam nas ruas e, quando o fazem, é sempre no clima de convescotes e micaretas.

As exceções vão longe do "esquerdismo de redes sociais": tribos indígenas, sem-teto e proletariado protestam à maneira deles, sem muita visibilidade e desprezados pelas próprias esquerdas que se perdem em tuitaços e memes.

Lula não é a sombra do grande líder sindical que foi, e ele anunciou que "vai tentar negociar" com o Congresso Nacional para abrir processo de impeachment contra Bolsonaro, numa pálida lembrança do antigo poder de mobilizar alguma coisa.

O problema de Lula é que ele acha que o Brasil está tudo bem, que tudo está legal, que vai ser moleza reconstruir o Brasil.

É o espírito do tempo. O Brasil está decadente, ruim, ameaçado até pelo vulcão Cumbre Vieja, nas Ilhas Canárias, que aumenta a violência e pode causar um tsunami que devastará boa parte do Norte e Nordeste brasileiros, do Amapá a, pelo menos, Pernambuco.

Vivemos uma tensão permanente, a idiotização cultural está atingindo níveis insustentáveis e ainda vem um Rodrigo Faour falando naquela velha lorota do "combate ao preconceito" (sobre isso, ver Esses Intelectuais Pertinentes...).

Mas também temos o jornalista cultural "isentão", dizendo que o Brasil vive "a melhor fase de toda sua História", sob a desculpa de que "temos múltiplas vozes e muitas narrativas".

O que temos é um shopping center, um megastore, mas nem todas as "muitas vozes" têm vez. As que repercutem mais e obtém lacração e visibilidade são as mais medíocres, para não dizer ruins.

Mas eu tenho que passar pano nisso tudo, né? E aí tenho que engolir todos os absurdos, em nome da Espiral do Silêncio (estou lendo o livro sobre o assunto, da finada pesquisadora Elisabeth Noelle-Neumann), para ter algum cartaz na Internet, não é mesmo?

As esquerdas cruzam os braços, não suportam ter que ir às ruas sábados consecutivos, e depois se recusam a admitir o fracasso diante de tão presas estão em suas zonas de conforto.

Pensam que Bolsonaro cairá por suas próprias trapalhadas e que Deus, por si só, irá garantir a vitória eleitoral de Lula.

Desconfio muito dessa expectativa de "vitória fácil".

O golpe de 2016, contra Dilma Rousseff, ocorreu "ainda há pouco" (cinco anos atrás é, em dimensões historiográficas, há poucos segundos) e as elites não vão largar o osso.

As próprias esquerdas hoje tratam o golpe de 2016 como um pesadelozinho da noite passada e acham que estamos em 2002, crendo que nada conseguirá deter a vitória de Lula.

As esquerdas se acham vencedoras, mas quem está agindo para enfraquecer o bolsonarismo é a direita moderada, a "terceira via" que os esquerdistas acham que é um bando de "birutas de posto de gasolina".

As esquerdas não agem, quem está agindo são as instituições que, tempos atrás, estavam com Michel Temer e que, vendo os exageros de Bolsonaro, MBL, Moro e outros radicais, resolveu recuar para evitar que a democracia formal seja sacrificada.

A campanha presidencial ainda não começou, as elites já começam a reaquecer o antipetismo, e o próprio Lula não colabora.

Lula não estimula seus seguidores a fazer protestos de rua verdadeiros e constantes, e vai dar entrevistas com a serenidade acomodada de uma madame da alta sociedade.

E o pior é que, Lula iludido com as alianças que faz na cabra-cega, acaba falando o que não deve.

Ele vai falar de regulação da mídia nas entrevistas para a mídia corporativa?

Ele vai falar em taxar os impostos dos ricos, quando depende do empresariado para pavimentar a sua tão sonhada vitória eleitoral?

Folha de São Paulo e O Globo, este na pessoa do "colonista" Merval Pereira, já começam a repudiar Lula por conta dessas "ousadias" que o petista pretende realizar, não se sabe com que condições.

As esquerdas, acreditando nessa "vitória fácil", correm o risco de perderem feio. A "tartaruga-aligátor" do bolsonarismo, com todas as suas caneladas, continua firme.

Vamos ver se, ao menos, Lula conseguirá convencer o Legislativo a abrir impeachment de Bolsonaro, na semana que se chega.

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