O personalismo de Lula, que queria ser o dono do conceito de “democracia”, como se fosse uma invenção sua, empolga a sua bolha de seguidores. Mas causa problemas sérios que apontam que, tanto nas viagens ao exterior quanto nos discursos impulsivos, Lula cometeu sérios erros.
A falta de humildade de Lula e sua obsessão em fazer do seu terceiro mandato um trampolim para um possível quarto, fez gerar críticas do meio neoliberal, dando até razão ao lado opositor quando fala que o ego do presidente brasileiro prejudicou as negociações.
Anteontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um tarifaço de 25% para vários setores da economia externa brasileira. Móveis, tabaco, máquinas agrícolas e etanol serão taxados. Já os produtos isentos incluem café, carne bovina, celulose, peixes crustáceos (como tilápia), petróleo e aeronaves.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, criticou os excessos de Lula que acabaram complicando os acordos:
“O presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé. Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso “.
Lula rebateu Rubio das acusações de que não fez negociação de boa-fé, afirmando que realizou 30 reuniões para fazer acordos em relação ao tarifaço. O presidente brasileiro estudou medidas legais para reagir à decisão unilateral do governo estadunidense e anunciou um programa para assistir empresas atingidas pelo tarifaço. Lula também estuda usar reciprocidade contra os EUA.
A FIESP, Federação da Indústria do Estado de São Paulo, publicou um comunicado no mesmo tom de Rubio, afirmando que, em um momento de sensibilidade econômica mundial, “a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington” causaram dano em uma parceria política bilateral entre EUA e Brasil, que existia há cerca de 200 anos.
Lula se considerava tão “democrático” que sinalizava poder dialogar com os EUA e manter parcerias comerciais. Podia estabelecer parcerias com a China sem comprometer a dos EUA, o que, em tese, seria possível, se Lula pudesse pôr em prática sua habilidade técnica e seu senso estratégico.
E até se Lula não priorizasse tanto a política externa ele poderia enviar ministros que o representassem nos acordos, enquanto o próprio petista poderia ficar no país para a verdadeira reconstrução.
Sobre o tarifaço, devemos entender que ele é um problema de economia externa, cujos efeitos internos são indiretos, podendo ser até eventualmente danosos. Mas não vamos confundir as coisas.
Política externa não é o mesmo que política interna e, se Lula soa bravo contra o tarifaço, até agora ele não resolveu um assunto interno, os juros da dívida pública,mesmo colocando Galípolo no Banco Central. Rebaixar a defesa da soberania a um espetáculo de bravata dificilmente vai ajudar na melhoria econômica do nosso país.

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