DESMONTE DO BANCO DO BRASIL E O ASSALTO EM NITERÓI


São apenas peças soltas de uma narrativa estranha.

Uma manhã ensolarada e movimentada na Rua Santa Rosa, em Niterói, às 10 horas da manhã.

A poucos metros do fim desta rua, há um posto policial.

Um ladrão saiu de um carro, no qual estavam quatro comparsas, e entrou calmamente na agência do Banco do Brasil, que fica em frente ao Império da Banha, às vistas dos fregueses deste supermercado.

O assaltante, então, entrou armado no acesso ao interior do banco, cujo detector de metais estava, estranhamente, desligado.

Rendeu a funcionária e a obrigou a sacar R$ 450 mil.

Pegando o dinheiro, o ladrão saiu tranquilamente e foi embora.

Pouco depois, um gerente chamou a polícia e, assim que os guardas entraram para se informar do ocorrido, os clientes saíram assustados, achando que o ladrão ainda estava lá.

Foram realizadas buscas pelo local, na altura do Largo do Marrão e da Rua Noronha Torrezão, e nenhum suspeito foi encontrado até a edição deste texto.

O que estranha é que o ladrão parecia ter conhecimento da rotina do banco.

E o detector de metais estava desligado, naquele começo de expediente.

E o assalto era aparentemente arriscado, mas foi consumado de forma tranquila e o ladrão parecia "profissional".

Sem haver qualquer hipótese sequer provável, pessoas suspeitam de ter sido alguém ligado a um demitido do banco.

Não há o que se supor a respeito do ocorrido de maneira plausível. Até agora não dá para entender as razões do estranho assalto.

Mas o que chama a atenção é que, semanas atrás, o presidente Michel Temer anunciou a redução de agências do Banco do Brasil e a demissão de milhares de funcionários.

Ele havia anunciado a demissão de 18 mil trabalhadores e criou um esquema para reduzir e enfraquecer a instituição, alegando que o BB tinha "muitos cargos desnecessários".

Temer lançou o programa de estímulo às aposentadorias, o que, com a reforma previdenciária a caminho, é atirar o trabalhador na rua da miséria.

O presidente temeroso também reduziu o status de várias agências, transformadas em "postos de atendimento", com estrutura mais simplória e menos funcionários.

Será que o assalto ocorrido em Niterói tem alguma relação com a indignação de algum demitido?

O que se sabe é que, com o desmonte de postos de trabalho e outras medidas de arrocho e de fim dos direitos e garantias sociais, haverá mais assaltos por aí, com tanta gente desempregada sem dó.

Comentários