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O SORVETE QUE COLOCOU O PRESIDENTE TEMER NUMA FRIA


O assunto tem alguns dias, pode ter virado matéria fria na imprensa, mas se transformou no iceberg que irá destruir a "ponte para o futuro" do governo temeroso.

Ávido por cortar gastos públicos, Temer é generoso demais, até além da conta, quando os gastos envolvem ele ou seus aliados.

Sua "maravilhosa" PEC do Teto, que agora é lei, dificultará as escolas públicas de reformar suas instalações, reciclar seus professores com salários melhores e implantar projetos educacionais mais ousados que ampliariam a qualidade pedagógica.

Da mesma forma, também dificultará que hospitais públicos renovem equipamentos, agilizem o atendimento e eliminem de vez as lotações nos corredores, cujo ambiente estressante acelera o falecimento de quem está seriamente enfermo.

Isso só para dizer algumas coisas mais óbvias.

O vergonhoso é que Temer, desde que chegou ao poder, incluindo a fase interina, aumentou para 900% as verbas publicitárias só para revistas solidárias.

Jornais, rádios e TVs, então, nem se fala.

Temer derrama rios de dinheiro na mídia venal.

A TV Bandeirantes, ontem, fez uma reportagem elogiosa sobre o discurso de Temer sobre o balanço de seu governo.

Tudo "positivo", com Temer mostrando suas "grandes realizações", como a PEC do Teto.

No caso da Globo, nem se fala. E mais uma vez os irmãos Marinho terminam 2016 entre os dez brasileiros mais ricos na lista da Forbes, de uma lista total de vinte.

Aumenta salário de juízes e procuradores, faz agrados para parlamentares, age para manter o abusivo controle de políticos em emissoras de rádio e TV e imprensa regionais.

E veio com uma "pérola": o gasto de R$ 1,748 milhões em doces e sorvetes previsto numa licitação para o lanche nas viagens aéreas do presidente da República, que já são um primor de mordomia.

O que chamou a atenção foi a quantidade de 500 unidades do sorvete Häagen Daz, uma marca de sorvetes caríssimos.

Me lembro dessa marca desde quando eu morava em Salvador e via o refrigerador cheio de seus potes nas filiais do Bom Preço e do G Barbosa.

Revelaram que, apesar do nome "dinamarquês", a marca é estadunidense. Seus donos até criaram uma "estória escandinava", como dessas histórias fictícias de empresas que querem ter uma reputação mais "nobre".

A imprensa tentou minimizar o caso e dizer que Dilma Rousseff também fazia isso.

A mordomia nas viagens da Presidência da República, no entanto, são uma regra geral já determinada pela classe política.

Não é um "privilégio" do PT. Mas o governo Temer adere com muito mais gosto.

Todavia, diante de tanta má repercussão, incluindo muitas piadas nas redes sociais, o presidente temeroso cancelou a licitação, que já havia publicado seu resultado no Diário Oficial da União.

Consta-se que o maior beneficiado dos sorvetes seria Michel Temer Jr., o Michelzinho.

Ele recebe tudo do pai: título de propriedade de imóveis, reforma do quarto bancada por dinheiro público etc.

Mas, diante do barulho causado pelos vaiadores de plantão, papai Temer teve que cancelar desta vez.

"Sabe como é, filho, papai às vezes enfrenta problemas para certas coisas...", imagina-se ele dizer ao menino.

O sorvete foi cancelado, porque colocou o presidente Temer numa fria.

Embora Temer tente manter as aparências e, discursando para quem o apoia, afirme que seu governo foi "difícil", mas de "grandes realizações", sua crise atinge níveis estratosféricos.

Sua decadência política ocorre num momento em que a plutocracia política-jurídica-midiática estão se desentendendo.

Até o Estadão é obrigado a dar uns beliscões em Temer.

STF e Ministério Público se desentendem, a base aliada de Temer se desentende com o presidente, Gilmar Mendes e Sérgio Moro parecem tucanos se bicando, Geraldo Alckmin se desentendendo com José Serra e Aécio Neves, Fernando Henrique Cardoso chamando Temer de "pinguela".

O Brasil está um caos, mas as pessoas que acreditam nas mentiras da grande mídia estão felizes, achando que o calorão insuportável do Rio de Janeiro dá uma boa praia e tudo está às mil maravilhas.

Acham que quando chegar a noite, se ninguém for para as boates, vai sobrar tempo para a boa leitura dos "livros para colorir", na insaciável procura de palavras que quase não existem.

O Brasil está em situação caótica e esse pessoal na maior felicidade...

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