O PARCIALISMO DE SÉRGIO MORO NÃO PODE MAIS SER DISFARÇADO


Enquanto o Supremo Tribunal Federal decidiu que Renan Calheiros ficasse na Presidência do Senado, favorecendo as voações da PEC do Teto e outras propostas temerosas para o país, o "herói da nação", Sérgio Moro, deixou a máscara cair.

À frente da Operação Lava Jato, Sérgio Moro demonstrou se divertir muito com dois envolvidos em esquemas graves de corrupção, alvo dessa mesma operação.

Aécio Neves foi o caso mais destacado. Envolvido em escândalos de Furnas e da CPI dos Correios, o mineiro foi citado por um dos delatores como o "mais chato" em cobrar propinas.

Segundo conversa de Sérgio Machado com Romero Jucá, hoje líder do governo Temer no Senado, Aécio seria "o primeiro a ser comido".

Na conversa, gravada e depois divulgada, Machado e Jucá confirmaram que o impeachment do governo Dilma Rousseff era um plano para evitar que a Lava Jato chegasse ao PMDB e PSDB.

O golpe político seria uma forma de "estancar a sangria".

Já no governo interino de Michel Temer, os tucanos voaram com apetite, como pombos sobre o milho.

Temer mais parecia um "funcionário de plantão", porque o projeto político era claramente o que foi derrotado nas urnas em 2014.

E tudo isso se deu porque a Operação Lava Jato pegou no PT e em partidos menores como o PP.

Mas não atingia o PSDB de forma alguma. Sérgio Moro disse que "não vinha ao caso", que "não via indícios" de envolvimento do partido no esquema de propinas da Petrobras e disse que os tucanos, por serem oposição aos governos petistas, "não fariam sentido" em serem alvos de investigação.

Moro fez de tudo para dar a impressão de austeridade e imparcialidade.

E tudo foi feito para abafar os vínculos de Moro com o PSDB, apesar de haver casos na família colaborando com o partido.

Pois agora ficou difícil disfarçar. Na festa da Isto É, no Citybank Hall, em São Paulo, cerimônia de entrega do prêmio Brasileiros do Ano 2016, Moro estava animado em conversas com tucanos.

Poderia ser algo sem gravidade. Mas os tucanos são Aécio Neves, senador, e José Serra, ministro temeroso das Relações Exteriores, citados em várias delações da Operação Lava Jato.

Sérgio Moro estava com a animação maior que a festa, para alguém dizer que foi apenas uma coincidência, afinal a festa da Isto É tinha o juiz paranaense e os políticos tucanos como convidados.

A grande mídia e os internautas de direita tentam minimizar a cumplicidade de Moro e Aécio, que davam risadas e faziam cochichos e brindes com um entusiasmo acima do normal.

Tentaram até comparar a cena com uma antiga foto de Aécio Neves rindo ao lado de Lula.

Só que isso era uma casualidade. A cena de Aécio e Moro mostrava uma clara cumplicidade.

Era só observar. Risadas, camaradagem, sussurros. Aécio e Moro pareciam velhos amigos de infância.

Moro não teve sequer o cuidado de esconder sua satisfação diante do tucanato.

E, dias atrás, ainda foi convidado de honra de uma cerimônia promovida por um governador tucano, Pedro Taques, do Mato Grosso, denunciado por envolvimento em um esquema de propina.

Taques também é acusado de envolvimento em esquemas de corrupção na Secretaria de Educação estadual e nas licitações de seu governo.

Enquanto isso, na grande mídia, o destaque havia sido a prisão da ex-primeira dama do Estado do Rio de Janeiro, Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador e hoje detento Sérgio Cabral Filho.

A mídia parecia viver no seu mundo, esquecendo que seu "herói" foi flagrado ao lado de um tucano enquadrado pela Lava Jato.

Afinal, o caso de Sérgio Moro envolve uma série de complicações.

Primeiro, desmente sua tão alegada imparcialidade e confirma sua conhecida seletividade.

Ele já apareceu ao lado de executivos de mídia, de empresário aspirante a político, o hoje prefeito eleito João Dória Jr., e se ostenta na mídia, contrariando o que deveria ser o trabalho de um juiz.

Ele cometeu irregularidades como vazar gravações sigilosas para promover sensacionalismo e lançar a opinião pública contra um suposto suspeito, o ex-presidente Lula, que é hostilizado pela grande mídia e pela sociedade dominante.

Por Lula ter recorrido à Comissão de Direitos Humanos da ONU, por causa dos abusos do juiz Sérgio Moro, o órgão internacional está monitorando as atividades do juiz paranaense.

O órgão pode não intervir no Brasil, mas a reputação de Moro está em jogo.

Será difícil explicar a camaradagem com Aécio Neves, que deveria ser um dos alvos da Lava Jato.

O mesmo com José Serra, que recebeu uma doação, via caixa dois da campanha presidencial de 2010, um valor de R$ 23 milhões da Odebrecht, equivalente hoje a R$ 34 milhões, pelas correções da inflação.

E isso poucos dias depois dos protestos em favor de Moro e contra a punição aos abusos de juízes, promotores, procuradores, policiais etc.

Que combate à corrupção se defende se o "herói" aparece feliz ao lado de dois corruptos históricos?

A camaradagem é muito grande para se atribuir mera coincidência.

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