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A ESTRANHA FÓRMULA DO SUCESSO NOS ANOS 90


Consta-se que os anos 90 foram a década dos aproveitadores.

Década em que canastrões alcançavam o sucesso absoluto e depois cobiçavam redutos de vanguarda.

Já não eram mais meros canastrões, mas arrivistas, aventureiros das causas mais avançadas.

Tinha antigo político da ARENA que comprava rádios no esquema de corrupção e hoje quer ser um dublê de jornalista e de intelectual de esquerda.

Tinha mulher que erotizava demais em programas da TV aberta e depois queria ser um pretenso símbolo de feminismo.

Rádios que nasceram pop e pareciam se estabilizar no gênero se aventuraram na cultura rock sem entender 1% do segmento.

Pior: locutores treinados para serem equivalentes de Emílio Zurita e Celso Portiolli se apropriavam do rock querendo ter o mesmo prestígio do hoje saudoso Kid Vinil.

E a geração de neo-bregas, que fizeram pastiches de música caipira e samba e fizeram muito sucesso entre 1989 e 1992?

Eles nunca tiveram interesse em fazer MPB, achava que MPB não enche a barriga, na época do seu sucesso estrondoso como símbolos do Brasil da Era Collor.

Mas hoje a obsessão deles de serem levados a sério pelo primeiro escalão da MPB é assustadora.

Eles não deixaram de ser canastrões, só ganharam uma cosmética mais "limpa".

Melhoraram na embalagem, suas músicas são embelezadas por arranjadores de plantão nas gravadoras, até seu marketing tornou-se palatável para um público de maior poder aquisitivo.

Mas, no conteúdo, continuam desafinados e canastrões como quando usavam penteados tipo mullet, penteado do Beiçola ou cabelo crespo oxigenado de falso louro.

O próprio "funk" também surgiu como uma tosqueira, uma "reforma trabalhista" em forma de música, e hoje quer porque quer se vender sob a falsa imagem de "vanguarda".

O funk original era feito com forte estrutura instrumental, tinha bons cantores, melodias e arranjos de arrepiar.

O tal "funk carioca", que nem para versão eletrônica do funk autêntico serviu, nunca passou de um karaokê hierarquizado, em que o MC era o porta-voz a serviço do arrivismo comercial do empresário-DJ.

E por que tanta canastrice, tanta calhordice, feita de propósito nos anos 1990, para depois seus responsáveis venderem uma imagem hipócrita de "relíquias vanguardistas", "cultura alternativa" etc?

Tinha até ator que tirou a vida da colega e que, hoje reduzido a subcelebridade, monitora a grande imprensa para ver se ninguém está falando mal do cara.

Esse sujeito se comporta como se pensasse merecer um Nobel da Paz ou ter um tratamento equiparado a esta condição.

Por que a década de 1990, no Brasil, foi marcada por tanto arrivismo?

Por que uma parcela de famosos ou autoridades cometeu erros de propósito, visando de forma desesperada as vantagens pessoais, e hoje eles querem ter a respeitabilidade dos grandes gênios?

A mídia venal colabora, combinando trash e politicamente correto, para definir esse mercado livre da canastrice e da canalhice humana como um "tempo dourado".

Seus personagens, antes associados a baixarias, breguices, grosserias e até crimes, retornam duas décadas depois promovidos a "personalidades geniais".

Eles podiam ao menos terem se prevenido antes de tentarem se afirmar pelas más qualidades ou atitudes.

Mas não. Eles preferiram primeiro errarem de propósito, movidos pelo impulso do momento, para depois, sem o menor pingo de remorso, embarcarem numa causa de vanguarda.

É como um sujeito que quebra a vidraça em uma semana e, na semana seguinte, é condecorado.

O mais grave é que boa parte da vanguarda social e cultural do Brasil se tornou refém desses arrivistas, desses canastrões parafrentex.

Isso preocupa porque, no Brasil, a verdadeira vanguarda quase não tem espaço. E muitos dos personagens que atuam na vanguarda morrem cedo.

Já os canastrões fazem plantão para usurpar a vanguarda, mesmo sendo eles da pior retaguarda.

Aproveitavam o espírito de complacência que marcou os anos 90 até hoje, sendo penetras da festa alheia promovidos a anfitriões por puro oportunismo.

Desta forma, não poderemos ter uma revolução sócio-cultural decente, porque estaremos à mercê daqueles que não se arrependem de seus erros, apenas não errando mais por terem perdido a vontade.

Esses erros lhes deram visibilidade, mesmo à custa de polêmica.

Se não cometem mais esses erros, é apenas porque lhes falta interesse para isso. Mas no fundo eles agradecem aos seus equívocos que lhes fizeram famosos e célebres.

Dá dó ver que mesmo entre alguns esclarecidos a canastrice aparece como pretensa "preciosidade sócio-cultural".

Desta forma, que futuro sócio-cultural teremos para o nosso país, quando incompetentes de duas décadas atrás são agora convertidos, sem esforço, em pretensos mestres?

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