O BRASIL EM SUSPENSE DIANTE DO OCASO DO GOVERNO TEMER


Parece fim de festa.

Michel Temer, o (até agora) presidente da República, está perplexo, aflito e melancólico, apesar de, na saída da reunião do G-20, tenha afirmado "estar tranquilíssimo".

A Operação Lava Jato praticamente acabou com o fim da força-tarefa da Polícia Federal, e o que restou dela só servirá para ouvir as delações que restam e tentar prender o ex-presidente Lula.

No STF, o ministro Alexandre de Moraes já começou a fazer sérios estragos.

Tirou da prisão dois familiares de Aécio Neves e um assessor do também senador Zezé Perrella, famoso (fora da grande mídia) pelo caso do "helicoca".

E Moraes, aparentemente, pediu vista aos inquéritos que apuram o envolvimento dos homens de confiança de Temer, Wellington Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Moraes não devolveu os processos e "segurará" até o caso ficar frouxo.

Na prática, ele está protegendo os caras.

São bastidores da sujeira política num tempo em que a sociedade brasileira anda muito confusa.

Depois de um bom período de muita felicidade, com as elites fazendo tudo para que o biênio 2016-2017 sejam os novos anos dourados, elas e a classe média solidária estão num impasse.

Viram a violência eclodir e, em suas ruas nobres, aumentaram o número de mendigos e pedintes.

Confiando demais no "prestígio social", de caráter técnico, político, empresarial etc, os brasileiros votaram em políticos desastrosos.

De repente o pessoal passou a defender até a redução dos salários e o aumento da carga horária do trabalho.

O Brasil virou uma tragédia de Franz Kafka, inaugurada com O Processo contra Dilma R..

Retrocessos sociais profundos foram instituídos ou anunciados, e as pessoas de repente passaram a viver como se estivessem no paraíso.

Viraram marionetes da grande mídia e só passaram a se sentirem incomodadas com o governo Michel Temer depois das delações da JBS.

Custaram a se indignar, ou pelo menos parecer que estão se indignando.

Até pouco tempo atrás, viam os escândalos do governo Temer como se fossem quadros de programa humorístico, rindo demais e nada levando a sério.

Foi preciso esperar o tempo mostrar que a plutocracia, na disputa por protagonismo e privilégios, passou a brigar entre si.

E foi dentro desse ambiente de conflitos que o governo Michel Temer, que nunca teve um pingo de popularidade, começou a decair.

Temer até gostava de ser impopular, e confundia isso com coragem e ousadia.

As elites, dentro desse bafafá, tentam manter as causas, ainda que possam sacrificar certos personagens.

Para salvar o PSDB, têm que fazer decair alguns políticos do PMDB.

Mas também há esforços para salvar alguns homens fortes do governo Temer.

Há uma briga "fratricida" nos bastidores da plutocracia, mas não sabemos quem vai cair por definitivo.

Sabe-se, no entanto, que figuras como Aécio Neves estão sendo salvas por arranjos políticos e jurídicos bastante manjados.

E nesse cenário todo outro político sem carisma vêm à tona.

É o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, relativamente jovem para os padrões de carreira política (tem 47 anos, um ano a mais que eu).

É filho de César Maia e genro de Moreira Franco.

Aparentemente, Rodrigo Maia mantém sua fiel cumplicidade com o presidente Michel Temer e os dois trocam declarações elogiosas e manifestos de fidelidade.

Mas, na surdina, Maia está articulando sua equipe de governo.

Sabe que a análise da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, sobre o processo da denúncia contra o presidente Temer pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não será do agrado ao presidente.

O relator Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) já concluiu o relatório, e há quem diga que é de arrepiar.

Nos bastidores, há uma grande preocupação de Temer e aqueles que o acompanharão no seu provável fim.

E até o PSDB já começa a articular o prometido desembarque do temeroso governo.

Na disputa pelo protagonismo, no momento Legislativo e Judiciário disputam a façanha de atuarem na queda de Michel Temer.

Mas isso representará o fim de uma etapa do golpe plutocrático. Há risco de eleições indiretas e a garantia de que o legado de Temer estará sob os cuidados de terceiros.

A ideia é apenas instituir um governo plutocrático que dê alguma impressão de "criar esperança" para a população, algo que Temer não conseguiu fazer.

O triste espetáculo iniciado em abril de 2016 apenas fechará um ciclo e iniciará outro. Com os mesmos retrocessos sociais.

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