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A QUEDA DE BRAÇO DE LULA E SEUS OPOSITORES


O Brasil está muito desmoralizado.

As instituições estão todas sofrendo colapso, e a crise de 2013-2016 só aumenta.

A chamada plutocracia e quase tudo que representa o alto da pirâmide social está em crise.

A crise atinge tudo: prestígios de diploma, fama, poder político, poder empresarial, religião, técnica, visibilidade.

Mas a ganância ainda movimenta esses setores. Até religiosos lutam para terem a posse da verdade e se acham portadores do passaporte para o Paraíso.

A grande mídia, em decadência, ainda comemora suas vitórias de Pirro como se isso fosse recuperar a reputação perdida.

A Rede Globo vive sempre dizendo que o Jornal Nacional "aumentou a audiência".

Mentira: compraram-se estabelecimentos comerciais para sintonizar o programa.

Recolhe-se o número de frequentadores desses estabelecimentos, e, pronto: você pode até dormir numa sala de espera de um consultório, se a TV está ligada no JN, você é "espectador" do mesmo.

E aí a grande mídia tenta dar seu golpe final ao mais carismático presidente da história da República, Luís Inácio Lula da Silva.

Ele é acusado de supostos esquemas de corrupção que, embora com narrativa muito bem construída, ainda não conta de provas rigorosamente consistentes.

Lula até foi humilde, mas criterioso. Pediu para Sérgio Moro e companhia apresentarem pra valer as provas do suposto envolvimento do ex-presidente em corrupção.

"Se o Moro ou o Ministério Público provar com um pedaço de papel, um contrato, uma assinatura ou um cheiro meu naquele apartamento, eu peço desculpas a vocês e fico quieto. Mas enquanto eles não provarem, eu vou rodar esse país para vocês me julgarem", disse Lula.

Até agora foi o disse-me-disse que carece de investigação.

Muito diferente do regressado senador Aécio Neves, no qual há documentos sobre seus diversos esquemas de corrupção.

Consta-se que Aécio fazia até mesmo ameaças, nos bastidores do "seu esquema".

E ele nem sequer é investigado, com tantas denúncias de arrepiar.

E Michel Temer, outro com seu "esquema", parece tranquilo no seu mandato.

Venceu uma batalha, inocentado de irregularidades da campanha de 2014, e uma parte de outra, que é impedir que o Supremo Tribunal Federal leve adiante as denúncias do procurador Rodrigo Janot.

O processo ficará na Câmara dos Deputados, em parte "comprada" pelo próprio presidente.

Mas, enquanto Temer tenta salvar seu mandato, Lula busca reverter a condenação dada pelo juiz Sérgio Moro, encerrando seu papel na festiva Operação Lava Jato.

Seus advogados já entraram com ação contra a sentença do juiz paranaense.

Enquanto isso, a grande mídia capricha no linchamento, com o surpreendente apetite em níveis gulosos da Isto É.

A Isto É era ícone daquela imprensa "boazinha", conservadora mas controlada.

Quase toda essa mídia, que se contrapunha ao reacionarismo escancarado de Globo-Veja-Estadão, surtou para posturas semelhantes.

Só a Rádio Metrópole, em Salvador, tenta forjar um falso esquerdismo, com seu astro-rei Mário Kertèsz sonhando em ser uma versão (na verdade fake) contemporânea de Samuel Wainer, mediante uma possível volta de Lula.

O que vemos, agora, é que Lula vai travar uma grande queda de braços com seus opositores.

Lula vem com muita vontade e tem méritos para poder vencer a briga.

Mas, infelizmente, a plutocracia é trapaceira, e derrubou Dilma Rousseff com boataria.

O problema é esse. Será preciso que o povo brasileiro faça intensas passeatas e mobilizações sem firulas, vandalismo nem espetacularização.

Tem fulano querendo botar "funk" dentro de tudo isso e só vai estragar as coisas, dando a deixa para o reacionarismo de direita.

Sabe-se que, depois, os funqueiros apunhalam as esquerdas pelas costas e vão comemorar vitória junto à mídia hegemônica.

As manifestações têm que apostar na seriedade, ainda que use o humor, porque a situação no Brasil é gravíssima.

As chances de Lula entrar no páreo em 2018 são legalmente possíveis.

O problema está em seus opositores, que farão de tudo para evitar isso e manter a plutocracia no comando da República.

Uma res publica cada vez mais voltada aos interesses privados dos mais ricos.

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