LULA,MAIS UMA VEZ, EXPLORA O CLIMA DO "JÁ GANHOU".
A vida recomenda que não devemos confiar em narrativas oficiais, que muitas vezes transmitem muitas mentiras e promovem muitas ilusões. Por trás delas há muito juízo de valor, no qual as classes dominantes tentam se impor sobre os desejos e necessidades das classes populares, impedidas de obter conquistas reais.
Vendo a persistência do pesquisismo que mais uma vez anuncia o favoritismo de Lula, nota-se que não é um líder genuinamente popular que se torna favorito para a reeleição, mas um candidato das elites, um pelego há muito convertido em mordomo da burguesia.
Falo isso com base em fatos, não se trata de opinião. Lula quer a consagração pessoal e pouco se empenhou para conter os preços caros, os juros altos da dívida pública e os baixos salários. Essas agendas, prioritárias para a vida dos brasileiros, foram trabalhadas por Lula de forma procrastinadora, e mesmo o fim da escala 6x1 no trabalho ele hesitou muito antes de transformar a medida em sua bandeira eleitoral.
Supostas pesquisas de opinião, que em quantidade sucessiva e divulgação frenética, comemoram por antecipação o favoritismo de Lula, conforme um levantamento trazido anteontem pelo instituto Quaest, que trouxe números fantásticos do favoritismo de Lula a ponto de seus seguidores já falarem em "vitória no primeiro turno". Embora o levantamento citasse como motivos o Desenrola e o fim da escala 6x1 no trabalho, a suposta pesquisa foi motivada pela crise da candidatura do extremo-direitista Flávio Bolsonaro.
O pesquisismo criou um explícito clima de “já ganhou”, relançando o voto de cabresto da República Velha, num outro contexto, baseado no antigo carisma de Lula. Mas é a mesma manobra do candidato único, o “candidato do sistema”, previamente determinado e intimidando o eleitorado a parar para pensar sobre que candidato votar.
Lula tornou-se o queridinho do mercado neoliberal estadunidense. Isto é fato. É só ver as declarações dos tecnocratas do FMI, do Banco Mundial e outras instituições do mercado financeiro. Devemos observar isso não como uma ingênua alegação de que o mundo ficou “mais democrático” ou que os ricos passaram a se apaixonar pelos pobres, mas pela conversão de Lula ao neoliberalismo progressivo, corrente que admite medidas sociais paliativas.
A própria mídia venal eventualmente apoia Lula quando a pauta se volta ao protagonismo mundial. Ver o Brasil como vedete internacional, mesmo sob a condição de parque de diversões do mundo, empolga toda a burguesia. As classes dominantes são a prioridade de Lula, embora a própria burguesia crie narrativas que dificultem o reconhecimento dessa constatação.
O povo pobre é que anda indignado com Lula, tendo que esperar por alguma melhoria de vida mais concreta e profunda e não tem paciência para isso. Tem que se contentar com os auxílios que mal aliviam o orçamento familiar e com os créditos que não encerram as dívidas.
É a burguesia ilustrada, principalmente aquela que se define como classe média abastada, que se empolga com Lula. Os pobres, não, pois se desiludiram com ele. Dá para ver como o petista, ao anunciar o lançamento de próteses dentárias, tentou defender o povo pobre e até fez sinal obsceno, desesperado em parecer “gente como a gente”. O efeito só piorou e Lula agora tem que depender da burguesia para ser reeleito. A realidade é mais complexa do que os institutos tentam mostrar, se é que mostram.

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