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O REACIONARISMO INTERNAUTA NAS MÍDIAS SOCIAIS


Nos últimos tempos, cada vez mais se evidencia o reacionarismo nas mídias sociais, o que dá a noção de que nem sempre o discurso ao mesmo tempo raivoso, rebelde e irônico de jovens tidos como "modernos" representa algo progressista e transformador.

Pelo contrário, muitas dessas manifestações, protegidas pela pouca idade - geralmente entre 15 e 35 anos - , são altamente reacionárias, espécie de pré-vestibular para Diogo Mainardi, embora essa prática, a trolagem, seja aparentemente "sem ideologias" e feita só para bagunçar.

Dois casos mostram o quanto o reacionarismo nas mídias sociais é perigoso. Um deles envolveu um simpático e admirável casal de jovens, a belíssima negra Maria das Dores, de 20 anos, e seu namorado Leandro, branco, de 18.

O casal vive uma saudável relação amorosa, procurando viver com dignidade e equilíbrio, mas foi só a foto ser publicada nas mídias sociais que vieram comentários extremamente violentos que definiram a moça como "escrava". Os comentários tiveram alto índice de "curtidas" - recurso que indica que a mensagem agradou cada internauta - no Facebook e um até escreveu errado: "se meche vira".

Lembra aquilo que eu mesmo sofri na comunidade "Eu Odeio Acordar Cedo", no Orkut. Eu havia escrito que a gíria "balada", ligada à juventude clubber, não era coisa de gente inteligente, em janeiro de 2007.

Uma porção de membros lotou meu espaço de recados com ofensas e gozações até que eu tive que eliminar minha conta e esperar um tempo para criar uma nova conta no Orkut, hoje em vias de extinção.

Maria e Leandro entraram em processo judicial por danos morais e os integrantes que fizeram os comentários ofensivos poderão responder até mesmo por crime de formação de quadrilha, já que se juntaram para fazer galhofas, ofensas e ameaças, como a "galera" do "Eu Odeio Acordar Cedo" contra mim.


Outra demonstração de reacionarismo envolveu a candidata à Presidência da República Luciana Genro (PSOL-RS), quando, depois que foi entrevistada pelo humorista de direita Danilo Gentili, no seu programa The Noite, do SBT, foi comparada a Adolf Hitler pelo apresentador na página deste no Facebook.

A comparação se deu porque Gentili não gostou da recomendação de Luciana de que precisava estudar mais História para saber o que é socialismo, já que Gentili é famoso por suas posições ideológicas bastante conservadoras.

O reacionarismo, neste caso, se deu quando muitos internautas deram apoio a Gentili e seguiram a tendência extremo-direitista que, estranhamente, tentam jogar o nazi-fascismo para a conta dos esquerdistas. Há até memes (mensagens em arquivos de imagens lançadas no Facebook) comparando o ex-presidente Lula a Hitler.

Esses extremistas chegam mesmo a dizer que o nazi-fascismo é produto do marxismo, como se o judeu Karl Marx fosse capaz de criar uma ideologia que exterminasse seus irmãos de crença. Essa paranoia ultradireitista confunde o ato de criticar a política petista, que realmente anda desgastada e pouco eficiente, com a atitude de lançar calúnias e teses infundadas.

Afinal, segundo antigos documentos secretos (depois revelados ao público) e páginas de jornais NADA ESQUERDISTAS da imprensa estadunidense, o nazi-fascismo, quando surgiu, era abertamente apoiado pelas nações capitalistas, como forma de afastar o perigo comunista do Ocidente.

Líderes nazi-fascistas, como Mussolini e Hitler, foram considerados, quando se ascenderam ao poder, políticos "moderados" pelos chefes capitalistas, a partir dos EUA. É de praxe, na política imperialista norte-americana, o apoio histórico a déspotas e ditadores para evitar a ascensão de governos populares que ameaçassem a supremacia estadunidense sobre seus países subordinados.

A grande diferença é que, quando esses déspotas passam a criar seu próprio projeto imperialista, os EUA mudam de posição e se voltam contra seus antigos protegidos, tendo sido assim com os chefes nazi-fascistas como também com o ditador iraquiano Sadam Hussein e o terrorista Osama Bin Laden, que haviam sido treinados sob o respaldo do exército estadunidense.

Esses relatos não são invencionices esquerdistas nem teses conspiratórias de militantes comunistas. O apoio dos EUA ao nazi-fascismo - que se estendeu com o aproveitamento de seus cientistas - é um dado verídico difundido por fontes não menos direitistas e também aversas ao socialismo, mas que também reprovam os excessos cometidos pelas nações capitalistas.

Portanto, conhecer melhor História não é pecado nem perda de tempo. É estar melhor informado das coisas. Por enquanto, a onda de estupidez que toma conta na Internet dá a impressão de que ser imbecil é melhor do que ser inteligente. Até porque os estúpidos acham que ser imbecil é ser "mais inteligente".

Mas um dia essas pessoas pagam o preço da gozação violenta, das calúnias e de seus pontos de vista reacionários e incoerentes. Como carros desgovernados, eles primeiro ameaçam todos, até o momento em que encontram alguma parede para sua autodestruição. Como diz o ditado: "um dia é do caçador, o outro é da caça". Um "huahuahuah" pode dar muita dor de cabeça no futuro.

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