A PIOR DERROTA DO FUTEBOL CARIOCA

BAIRROS RESIDENCIAIS COMO A TIJUCA, NO RIO DE JANEIRO, SE TORNAM EXTENSÕES DE ESTÁDIOS DE FUTEBOL DURANTE JOGOS COM TIMES CARIOCAS.

Na noite do dia 03 de setembro de 2014, anteontem, uma derrota vergonhosa marcou o futebol carioca. Algo que envergonha os cidadãos trabalhadores, as pessoas de bem, e envolve um time com o maior número de torcedores do Brasil.

Espere aí. O Clube de Regatas Flamengo ganhou de goleada a partida contra o Coritiba Futebol Clube, no Maracanã. Foram 3 a 0, com uma estranha prorrogação por pênaltis graças à questão das pontuações, que apesar dos dois gols do time paranaense, garantiu ao Flamengo a vaga nas quartas de final da Copa do Brasil. Qual foi a derrota?

Simples. Foi a derrota do bom senso, do respeito ao ser humano, da tolerância com aqueles que não veem o futebol como a coisa mais importante da vida. E, sobretudo, com aqueles que, numa noite de quarta-feira, precisam dormir para irem ao trabalho ou ao estudo.

Imagine quem precisava acordar na madrugada, por conta da distância para o local de trabalho, e teve que aguentar a gritaria dos torcedores a cada gol do time flamenguista, os pés batendo, os torcedores gritando palavrão, as zonas residenciais parecendo extensões de estádios de futebol, as salas de estar transformadas em arquibancadas dos estádios.

Como se isso não bastasse, a grande mídia ainda alimenta o fanatismo, explorando de forma sensacionalista a vitória de um time, estimulando toda a histeria futebolística que deixa homens e mulheres mais chatos, porque torcedor de futebol carioca é um dos tipos mais "malas" existentes no país que, no caso, tem como "heróis" são Galvão Bueno, Ricardo Teixeira e Neymar Jr.

Por isso, a vitória do Flamengo teve um sabor amargo de derrota retumbante. A derrota do respeito humano e do sossego nas noites de sono, do desprezo à necessidade de uma noite de sono em silêncio para enfrentar mais um duro dia de trabalho.

A vitória do Flamengo só interessa aos fanáticos pelo futebol, aos barões da mídia e aos dirigentes esportivos que faturam com essa exploração comercial e sensacionalista do esporte. Mas, com essa vitória, perderam a cidadania, o bom senso e o respeito à lei do silêncio necessária para renovar as energias na noite para o preparo de mais um dia trabalhoso e duro.

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