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AVENIDA DE CARIACICA É "SÍNTESE" DE TRÊS RUAS DE SÃO PAULO

 "SOU CAPIXABA, MEU!" - A PAULISTANIZAÇÃO É UM FENÔMENO NACIONAL, MAS EM CERTOS LOCAIS, COMO CARIACICA, NO ESPÍRITO SANTO, ELA PODE SER UMA FORÇA LATENTE DE ENORME POTENCIAL DE URBANIZAÇÃO.

Agora que, no transporte de ônibus rodoviário, a Viação Aguia Branca adquiriu o arrendamento das linhas da Viação Itapemirim - até pouco tempo atrás administrada pela empresa Suzantur, de Santo André, no ABC paulista - , de certa forma ganha visibilidade a cidade-breço da VAB, Cariacica, no Espírito Santo.

A princípio, o Espírito Santo é um Estado do Sudeste que soa como uma mistura cultural de Pará com Bahia, com a capital, Vitória, marcada por suas excelentes paisagens e uma orla melhor do que a da cidade do Rio de Janeiro, que hoje foi rebaixado a uma arena do crime organizado no Brasil.

Cariacica é uma das várias cidades integrantes da Grande Vitória, mas, assim como Niterói vira capacho da cidade do Rio de Janeiro - que, para descontar da perda de status de capital do Brasil, criou a fusão dos Estados da Guanabara e do antigo Rio de Janeiro, no auge da ditadura militar, o que criou um caos administrativo e fortaleceu o fisiologismo político e o crime organizado - , a cidade capixaba é conhecida por ser a que menos evoluiu em qualidade de vida na região.

Sim, pode parecer lugar comum falar em aspectos paulistas em qualquer cidade brasileira, mas fica uma impressão que, no caso de Cariacica - nome que, em tupi-guarani, quer dizer "chegada do homem branco" - , a paulistanização é ou poderia ser uma solução para tornar a cidade mais dinâmica, de maneira peculiar como em certas cidades brasileiras.

A paulistanização envolve até cidades como Salvador, que em muitos aspectos parece "sósia" de São Paulo, como pudemos conferir nesta postagem. E agora que São Paulo se torna a capital cultural do Brasil, com a decadência do Rio de Janeiro, isso pode se evidenciar cada vez mais. 

No âmbito urbano, Cariacica já constrói até mergulhões, enquanto, no aspecto arquitetônico, constrói prédios modernos que coexistem com outros mais tradicionais dentro de uma perspectiva herdada da cultura modernista. Um viaduto, Dona Rosa, na Avenida Mário Gurgel, reforça para Cariacica aspectos que lembram a Radial Leste paulistana. Na gastronomia, sem prejuízo da comida local, a culinária italiana e japonesa e as pastelarias encontram um forte respaldo dos cidadãos de Cariacica.

Até a influência da Semana de Arte Moderna de 1922 não deixou de trazer Um pouco longe, mas nem tanto, de Cariacica, ecoa a influência do Modernismo local através da escritora Haydée Nicolussi (1905-1970), natural de Alfredo Chaves.

Até o Carnaval de Congo de Máscaras, se observarmos bem, tornou-se patrimônio cultural por causa dos "ventos" da Praça Ramos de Azevedo, na capital paulista. Foi graças ao Modernismo, cujo um dos maiores mentores foi o poeta Mário de Andrade, que isso foi possível, pois a ideia de patrimônio imaterial veio dele, também estudioso de cultura popular. 

O IPHAN (nascido em 1937 como SPHAN) demorou décadas para assumir o patrimônio imaterial como uma de suas politicas. No caso de Cariacica, João Bananeira, personagem folclórico da cidade, deve muito a Macunaíma por ter se tornado tradição cultural do município.

Sem prejuízo às suas tradições culturais locais, Cariacica também assume um cosmopolitismo que, se ainda não consegue rivalizar com o da capital paulista - que, por sua vez, também acolhe influências de outras regiões brasileiras, inclusive o capixaba Roberto Carlos (de outra cidade, Cachoeiro do Itapemirim), consagrado pelo programa Jovem Guarda, transmitido a partir do antigo Teatro Record na Rua da Consolação paulistana - , pode colocá-la no nível de cidades do ABC paulista.

Até o Estádio Kleber Andrade viveu seus dias de "Allainz Parque" ao ter recebido o ex-beatle Paul McCartney em 2014. A cultura rock em Cariacica é considerada ativa e uma das bandas principais da região é a Elemento 26. E até o discutível Dia Mundial do Rock, a cada 13 de julho anual, tem sempre eventos roqueiros comemorados em Cariacica, uma influência da elite empresarial da Faria Lima que criou essa data.

Mas a avenida de Cariacica que pode ser uma síntese de três logradouros de São Paulo é a Avenida Expedito Garcia, no bairro do Campo Grande, o maior reduto comercial da cidade. O logradouro acumula, em Cariacica, as atribuições que, na capital paulista, se reservam à Rua Vinte e Cinco de Março, a Rua Augusta e a Avenida Paulista.

Como status, a Avenida Expedito Garcia, cujo nome era Avenida Central e mudou o nome para homenagear um empresário e comerciante da região, é uma espécie de "Avenida Paulista" da região. Esteticamente, porém, a avenida de Cariacica remete à Rua Augusta com aspectos mais populares e, funcionalmente, identificados com a Rua Vinte e Cinco de Março.

A Avenida Expedito Garcia conta até com um shopping center, o Shopping Campo Grande, que passou por um recente trabalho de expansão. E a praça José Maria pode ser mais modesta do que a Praça Osvaldo Cruz paulistana, mas dá conta do recado para o entretenimento das pessoas. 

O único problema a Avenida Expedito Garcia é o estacionamento de veículos no seu entorno, que deveria acabar, para permitir maior fluidez no tráfego. Alternativas de estacionamento deveriam ser adotadas em ruas transversais e na construção de edifícios-garagens ou de pátios para estacionar os veículos e, em certos casos, caminhões de distribuição de mercadorias.

Enfim, se a Viação Águia Branca tem ambições de ser uma empresa mais nacional que regional, a visibilidade de Cariacica pode permitir que, nos momentos em que Vitória se esquece de sua cidade vizinha, a "chegada do homem branco" de Sampa possa dar umas boas pinceladas de cultura urbana na cidade. Se alguém, em Capixaba, vir com a pérola "Sou capixaba, meu!", não se assuste, siga em frente e encerre o assunto dizendo apenas "Fechou!".

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