“Xiiii… Lá vem aquele chato”. Esse bordão é o alerta alarmista do negacionista factual que, “escondido” nos fóruns e espaços de comentários nas redes sociais, patrulha o tempo todo contra a expressão do senso crítico, quando este quebra a “normalidade” cognitiva e valorativa do público médio.
O negacionista factual é filho do desbunde com o AI-5. Jura ser o defensor da liberdade mas atua como um censor, desqualificando o pensamento crítico quando ele sai do repertório de valores aceitos pela sociedade dominante. Lembremos que o negacionista factual é um operador da cultura do cancelamento, esse resíduo da antiga censura ditatorial que não necessariamente apela para a repressão, mas dificulta a repercussão de narrativas que fogem da visão dominante.
O negacionista factual, agora “mais democrático”, num contexto em que o clube midiático abriu a corda e hoje inclui tanto a dupla O Antagonista/ Crusoé quanto Carta Capital, Fórum e Diário do Centro do Mundo no banquete comandado pela Globo e Folha de São Paulo, precisa manter as visões dominantes e evitar que o debate público se conduza para “longe demais”.
Vemos a luta do negacionista factual que, nos últimos anos, se comportou como o Hércules da Faria Lima. Blindou Lula mesmo nas suas aventuras neoliberais e no turismo bonapartista no começo do terceiro mandato. Blindou a sociedade “livre” que fuma cigarros e bebe cerveja mas joga comida fora. Blindou a atual tendência do rock mainstream sentar no colo da Faria Lima através da 89 FM.
Agora é a blindagem dos defensores do “funk” que, forçando a barra na argumentação, acusam os críticos do gênero de cometer racismo. Com exclusividade, nosso blogue alertou que tal acusação é de extrema gravidade, pois é como se pedisse cadeia para quem criticasse o “funk’. O negacionista factual não gostou e pediu para que textos assim fossem boicotados.
Veja que irresponsabilidade. Um sujeito que gosta de samba de raiz e jazz, que admira um sem-número de atores e escritores negros, só porque rejeita o “funk” é acusado de “racista”. É o mesmo que dizer “Quem não apoia o funk tem que ir pra cadeia”. Eu faço esse alerta e o negacionista factual vai logo pedindo para boicotar tais avisos.
E se for um negro? Se ele gosta de sua cultura musical de raiz, como samba, jazz e blues, mas rejeita o “funk “, do qual ele vê diferença com o funk autêntico sem aspas (tipo Earth Wind & Fire, Chic e Kool & The Gang, que ele adora), esse negro será considerado racista? E negro só pode ser funqueiro, se o negro não for funqueiro ele comete racismo contra si mesmo?
Não dá para debater os problemas do Brasil com alguém que puxa para trás, que é o negacionista factual, o descendente “democrático” da velha casa grande racista e escravocrata e, mais recentemente, das velhas oligarquias golpistas. O negacionista factual só quer saber de ideias que venham de gabinetes e escritórios e acha que só eles podem interpretar a realidade.
Os fatos, para o negacionista factual, não podem falar por si, mas através de filtros interpretativos vindos de quem obtém poder e prestígio. O negacionista factual acha isso “democrático” mas o DNA dos velhos golpistas continua fervendo em seu sangue.
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