COM DUPLA TRANSMISSÃO, "SUPER RÁDIO TUPI" ATRASA PAGAMENTOS


O "Aemão de FM" está em crise, às vésperas da Amplitude Modulada se extinguir. Se já começam a evaporar as promessas de que todas as emissoras AM iriam ter algum cantinho no dial de FM, as rádios que conseguiram migrar ou reproduzem o formato (quando programas tipo rádio AM já eram produzidos para o dial FM) não conseguem esconder sua gravíssima crise.

As duas rádios AM cariocas, antes garantias de audiência gigantesca, como a Rádio Globo e a Super Rádio Tupi, andam naufragando no Ibope, fato que nem os falsos dados de audiência - que geralmente multiplicam por até 60 vezes a audiência real, que mal consegue lotar metade de um estádio de futebol - conseguem esconder.

Sua migração para o rádio FM torna-se problemática. No caso da Rádio Globo, o declínio de sua programação, nos últimos anos, na tentativa de "se adaptar" para o FM, usando até um novo lema, "Vamos Juntos", e arrumando espaço nos 98,1 mhz da antiga 98 FM, torna-se uma das maiores queixas dos radiófilos nas mídias sociais.

O rádio FM já sofre crise como um todo, atingindo rádios que antes eram símbolo de grande audiência, e cria até mesmo uma falsa ascensão da Rádio Cidade, que na verdade nunca atraiu um público de rock, mas somente os mesmos ouvintes da Mix, Transamérica, O Dia e Nativa, e a Beat 98, antigo codinome da 98 FM, tanto que esta acabou derrubada depois da "volta da Cidade".

Já a Super Rádio Tupi tentou parecer "puramente AM" nas ondas de FM, o que não ajuda muito, já que o máximo que a sintonia FM fez foi enfeitar os anúncios de traseiras de ônibus, pois o maior erro do rádio AM no Brasil foi preferir que o "velho AM" migrasse para o FM, em vez de se fazer uma modernização dentro do dial AM.

A Tupi havia sido beneficiada pela dupla transmissão AM/FM que, tenhamos que admitir, é uma fórmula que rendeu superfaturamento às emissoras de rádio, já que consistia numa estratégia de duas rádios com registros diferentes, uma AM e outra FM, transmitissem a mesma programação, o que significa dupla remuneração para um único trabalho, duas emissoras "trabalhando" como uma só.

Com muito dinheiro em caixa, a Tupi está atrasando os pagamentos dos funcionários. Primeiro, foi o 13º salário, no final de 2014. Agora, é o do Carnaval. No caso do atraso anterior, funcionários realizaram um protesto denunciando a irregularidade trabalhista, o que abalou seriamente a reputação da Tupi, que já não conta mais com a audiência que a consagrou no AM.

A crise do "Aemão de FM" é tanta que já se fala que, em toda a região metropolitana do Rio de Janeiro (o Grande Rio), a audiência das transmissões feitas em rádio FM é INFERIOR A MIL PESSOAS (isso mesmo).

E tudo isso levando em conta pelo menos cinco emissoras (Bradesco Esportes, Band News, Globo, Tupi e Transamérica), quando as antigas expectativas é que cada uma somasse pelo menos 20 mil ouvintes ou mais.

A realidade mostra, porém, que só as cinco emissoras precisam competir feito lobos famintos para conquistar umas pálidas centenas de ouvintes que a cada mês migram para a TV paga ou simplesmente deixam de curtir futebol, esporte a cada ano mais atrelado à corrupção dos dirigentes esportivos e à máfia da manipulação de resultados.

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