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VALE A PENA HAVER TANTOS TRIBUTOS E REGRAVAÇÕES'?


Recentemente, foi anunciada a participação do projeto conhecido como Queen com a participação do ex-calouro do American Idol, Adam Lambert, como vocalista. O projeto já está em turnê em várias partes do mundo e está cotado para se apresentar no Rock In Rio deste ano, a ser realizado em setembro deste ano, no mesmo Rio de Janeiro que celebra os 30 anos do primeiro evento.

O Queen propriamente dito se apresentou no Rock In Rio de janeiro de 1985, para resolver uma dívida de uma vinda anterior, que limitou as apresentações do grupo a São Paulo, três anos antes. O carismático Freddie Mercury empolgava as plateias brasileiras principalmente quando tocou a então pouco conhecida "Love of My Life", de 1975, fazendo o público cantar sozinho parte do refrão.

Mas Freddie, em 1991, faleceu devido aos sintomas da AIDS, e o Queen praticamente acabou. O grupo reduziu-se, hoje, a uma banda-tributo conduzida pelos próprios remanescentes. Até pouco tempo atrás, era só o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor que estavam no projeto, mas recentemente o antes desconfiado John Deacon, baixista, resolveu também aderir.

Testando vários vocalistas, o projeto revisava o próprio repertório original, sem haver novidades em suas composições. Talvez o melhor deles foi quando Paul Rodgers, ex-Bad Company e ex-Free, foi vocalista do tributo durante uma temporada.

No entanto, tributos como esse são bastante duvidosos. Afinal, o processo eventual de gravar covers, fazer regravação e realizar tributos está indo longe demais, causando uma onda de esterilidade musical que, no Brasil, está atingindo a chamada MPB autêntica, aquela que não vive de lotar plateias com facilidade.

No caso do Queen, o fato de o grupo celebrar 30 anos de Rock In Rio com um vocalista adestrado por um reality show é preocupante. O que Freddie Mercury tinha de espontâneo, passional e orgânico, Adam Lambert - cujo único ponto em comum é ter a mesma opção sexual-afetiva que Freddie teve nos últimos anos de vida - tem de treinado e burocrático.

Adam vai gesticular quase igualzinho a Freddie Mercury, movimentar o corpo no palco, se ajoelhar, inclinar o corpo para trás, cantar as músicas numa entonação certinha e tudo o mais. Mas isso se dá por técnica, mais por ele ser um cantor treinado do que um artista que Freddie Mercury foi, ele sim, movido com o coração e se comportando de maneira explosiva no palco.

O problema nem é o fato de Adam ter tido apenas nove anos quando Freddie faleceu. Seu problema é que, como cria de um reality show, o que se esperará de Adam Lambert é que ele cumpra o dever de aula e só, imitando direitinho os trejeitos de Freddie Mercury e dando alô para a plateia.

No entanto, ele não tem a mesma criatividade e o tom emocional de Freddie. Este, sim, era a "rainha" do Queen, era um cantor de um estilo vocal próprio e de uma conduta no palco que não tem igual, porque Freddie fazia aquilo sendo ele mesmo, conduzido por suas próprias emoções, e não alguém que é orientado por um professor a se comportar de forma "desinibida" no palco.

Num país de um cenário musical cada vez mais estéril, como o Brasil, o tributo do Queen soará "tão maravilhoso e histórico" quanto as apresentações com Freddie Mercury. Raros são os brasileiros que sabem realmente ouvir música, pois música, para a maioria, é apenas uma trilha sonora para bebedeira, bate papo ou demais ocupações ou desocupações.

Quase ninguém ouve música a sério. Daí que tanto faz haver versões originais ou regravações, daí a aceitação bovina de uma enxurrada de tributos disso ou daquilo. Se o pessoal aceita Chitãozinho & Xororó massacrarem o repertório de Tom Jobim, um tributo ao Queen tendo à frente um cantor de riélite já lhes entusiasma muito.

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