Pular para o conteúdo principal

INTELECTUALIDADE "BACANA" NÃO ESCLARECEU SUAS VISÕES SOBRE MACHISMO E RACISMO


Há alguns dias, ando denunciando que a intelectualidade "bacana" que queria bregalizar o país, e que usava a seu bel prazer o rótulo "popular" para expressar seus preconceitos de uma visão "sem preconceitos", no estranho esforço de defender o "estabelecido" no entretenimento popularesco.

Esses intelectuais empastelaram o debate cultural das esquerdas e as fez deixarem de crescer em visibilidade e prestígio. Paulo César de Araújo e Pedro Alexandre Sanches, junto aos mais diversos ideólogos do "funk", fizeram o que queriam: bagunçaram o debate cultural nas esquerdas e correram para os braços dos barões da grande mídia.

Hoje não existe uma coragem para discutirmos os rumos da cultura popular, as esquerdas ficam isoladas para seus gostos pessoais de classe média, tristes porque toda a festiva campanha pró-brega de Sanches e companhia só abriu caminho para as réplicas de Rodrigo Constantino, Rachel Sheherazade e companhia.

Hoje vivemos a volta do direitismo, que, mesmo com seus pontos de vista lunáticos e fora da lógica, praticamente dominam as mídias sociais. Em boa parte de culpa está os "chorosos" intelectuais pró-brega, que enfraqueceram as esquerdas e as apunhalaram pelas costas, proibindo-as de mexer nos problemas que se escondem sob o carpete com o vocábulo "popular".

E isso foi a pior coisa que pôde acontecer nas esquerdas, porque a missão delas não é defender o "estabelecido", é questionar a "cultura" popularesca e não cair na cilada de achar que "perder o preconceito" é aceitar, muitas vezes de forma pré-concebida (e preconceituosa), qualquer coisa degradante que faz sucesso sob o rótulo de "popular".

Questões como o machismo e o racismo chegam a se limitar tão somente a veículos já notadamente reacionários, como a Rede Globo, a revista Veja, as propagandas da TV aberta, as capas de revistas femininas de grande circulação. A impressão é que as esquerdas médias não criticavam o racismo e o machismo em si, mas tão somente o que a grande mídia fazia.

Via-se, por exemplo, uma contestação seletiva sobre a exploração machista da mulher, uma seletividade comparável ao que a mídia reacionária faz da corrupção da Petrobras, evitando citar o envolvimento do PSDB.

No caso do machismo, as esquerdas médias, guiadas pela intelectualidade "bacana" vinda dos porões do PSDB para bancar a "esquerdista" visando arrancar uma grana do Ministério da Cultura, limitaram seu questionamento à imagem depreciativa sofrida pelas mulheres pelas campanhas publicitárias de produtos do mercado.

As críticas se limitavam à exploração imbecilizante que as mulheres tiveram nos comerciais de detergentes, automóveis, roupas íntimas, margarinas e também nas linhas editoriais de revistas publicadas, mesmo a partir de franquias de publicações estrangeiras, pela Editora Abril, Editora Globo e similares.

Só que elas poupavam as chamadas "popozudas", que também exploram uma imagem machista da mulher, só porque elas tinham aparente apelo "popular", e aí pesava o discurso seletivo, atribuindo a elas um improcedente valor feminista, sob o pretexto de que elas "faziam sucesso" sem a sombra dos homens, o que é uma grande mentira.

Sabe-se que muitas "mulheres-frutas", funqueiras, "peladonas", "proibidas", "liberadas", "turbinadas" etc são sustentadas por empresários (homens e machistas) que estabelecem parcerias até com banqueiros do jogo-do-bicho (machistas) e por dirigentes esportivos (também associados a muitos valores machistas). Cadê o feminismo?

Quanto ao racismo, o "funk" e o "pagodão baiano" são associados a uma exploração caricata do jovem negro e pobre, com o agravante que seus intérpretes são, em sua maioria esmagadora, negros. O "funk" é imbecilizante até à medula e o "pagodão" trabalha uma imagem do jovem negro como um misto de pateta e tarado.

Eles também trabalham o machismo, sobretudo o "funk". O "funk" tem empresários ricos, associados, mesmo indiretamente, com o latifúndio fluminense - que "dita" os parâmetros de entretenimento nos subúrbios do Grande Rio e é associado à contravenção - e castra ideologicamente o povo negro, transformando-o de "gado" para os barões do entretenimento suburbano.

Da mesma forma, o "funk" é machista por excelência. O pseudo-feminismo do "funk" não passa de jogada de marketing, respaldada por antropólogos subornados (que recebem investimento da CIA camufladas em verbas educacionais) que tentam justificar o injustificável, chegando ao absurdo de dizer que as funqueiras "retrabalham" condições machistas em prol de um "novo feminismo" (?!).

Comparemos tudo isso com o que eram as mulheres e os negros em manifestações populares autênticas, tempos atrás. Pessoas que eram capazes de enfrentar soldados da coroa portuguesa ou invasores franceses e realizar rebeliões de emancipação sócio-política tinham seus semelhantes de hoje reduzidos a meros reboladores idiotizados que não sabem o que querem na vida.

E isso com uma tradição de resistência de negros e mulheres ao longo dos séculos no Brasil, enfrentando até mesmo tragédias, para promover conquistas e benefícios que são reduzidos a pó pela farra verborrágica da intelectualidade "bacana", exposta até mesmo em monografias e documentários.

Sim, ideólogos da imbecilização cultural chegaram ao ponto de se usar de um suporte discursivo e textual sério, para defender seus valores cheios de contradições e equívocos, apesar da retórica soar atraente para muita gente.

E pensar que me deu uma trabalheira para desconstruir esse discurso, sem que tenha a visibilidade desses intelectuais "bacanas" que lotam plateias em auditórios de faculdades e sempre têm o microfone aberto para eles.

De certa forma, meus questionamentos repercutiram, não sem muito trabalho e sem qualquer beneficio para as forças progressistas, que sempre viram meu blogue Mingau de Aço como um "patinho feio" da blogosfera de esquerda e que tinha muita dificuldade em atrair seguidores e adeptos.

Mas esse é o preço de um país que vê a intelectualidade com preconceito. A verdadeira intelectualidade, que pensa, questiona e não fica fazendo propaganda do "estabelecido" disfarçada de etnografia.

É essa intelectualidade que pensa e transmite questionamentos que fica marginalizada, enquanto os "bacanas" fazem a festa da degradação cultural, se achando "progressistas" mas no fundo abrindo caminho para a reação dos "coxinhas" que quer que o Brasil volte às trevas. Como se já não estivéssemos em situação já bastante obscurecida...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ESTUPRO COLETIVO DERRUBA MITO DA "LIBERDADE DO CORPO"

O vergonhoso caso do estupro coletivo desmascarou uma situação que a intelectualidade "bacana" sempre abafou com falso relativismo.

O mito da "liberdade do corpo" num país do combate ao assédio abusivo.

O terrível caso ocorreu num bairro popular, na região de Jacarepaguá.

33 homens afoitos cercando uma moça de 16 anos, dopando a menina, depois a estuprando sob o registro da câmera do celular e depois publicando na Internet.

Um episódio de pura truculência, mas condicionado pela ilusão de liberdade sexual que a intelectualidade "bacana", que apostava num Brasil brega, queria para as classes pobres.

Mesmo mulheres aparentemente ativistas, dentro dessa intelectualidade, davam dois pesos e duas medidas.

Elas reclamavam contra a imagem caricatural que as mulheres, de classe média, recebiam dos comerciais de TV.

Mas consentiam que a mesma imagem fosse impunemente abordada sob o rótulo do "popular".

Reclamavam quando a imagem da mulher de classe média…

GOVERNO TEMER E A REVOLTA DOS UMBIGOS

A "revolta dos umbigos" que surgiu nas mídias sociais achou que tinha o poder pleno nas mãos.

Lutaram para ter Michel Temer no lugar de Dilma Rousseff para realizar uma agenda mais conservadora para o Brasil.

Essa agenda é um misto do programa eleitoral derrotado de Aécio Neves em 2014 com as "pautas-bombas" do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Primeiro, os "revoltados" na Internet se escondiam nas mídias sociais, se limitavam a trolar assuntos culturais ou coisa próxima e fingiam serem progressistas.

Depois, deixaram a máscara cair e iniciaram uma campanha para derrubar Dilma Rousseff.

Conseguiram o que fizeram, pois faziam parte de uma "frente ampla" às avessas, que clamavam por retrocessos políticos sob a desculpa do "combate à corrupção".

Estavam junto dos empresários em geral e, em parte, os que controlam a grande mídia.

Foram animadores juvenis de uma campanha que ludibriou a sociedade inteira, que passou …

CLÁUDIA ABREU MANDOU RECADO PARA DEFENSORES DO FASCISMO

A atriz Cláudia Abreu, durante sua participação no programa Altas Horas, que Serginho Groisman apresenta na Rede Globo, deu um recado para os defensores do fascismo.

Ela está preocupada, como tantos cidadãos sérios do Brasil, com a ascensão da extrema-direita diante do catártico (porém masoquista) favoritismo, nas pesquisas, da candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República.

Isso é muito, muito preocupante, e mostra que o reacionarismo das redes sociais anda ultrapassando os limites digitais, ameaçando botar o Brasil a perder.

Esses reaças - que conheci a partir dos tempos do Orkut, diante da "galera irada" da comunidade "Eu Odeio Acordar Cedo" - cada vez mais saem do armário, achando que seu obscurantismo social, político e ideológico representam o "novo" no Brasil.

Não, não representam o novo. Representam o velho, à volta à ditadura militar que os moleques que só querem "ir pra balada c'a galera" (observem o cacófato e se lembre…

A AÇÃO DO STF CONTRA LULA E O SUICÍDIO ELEITORAL DOS REAÇAS

CARMEN LÚCIA E MICHEL TEMER NA POSSE DE ALEXANDRE DE MORAES NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - A consagração do golpe político de 2016.

Não tinha que dar em outra coisa.

Quando Alexandre de Moraes, ministro do STF, foi indicado relator do recurso enviado pela defesa de Lula, que contestava a anulação do julgamento do pedido de liberdade feita por Luiz Edson Fachin, foi como se escolhesse a raposa para julgar a condenação do galo.

Foi ontem à tarde e Alexandre de Moraes foi curto e grosso: segundo ele, não havia problema algum na anulação do julgamento do pedido de liberdade para Lula.

Ele aceitou a decisão de Fachin de deixar o julgamento do novo recurso em agosto, praticamente dificultando a candidatura do ex-presidente a um novo mandato.

O pedido de liberdade foi negado e a possibilidade de julgar a condenação dada ao ex-presidente continua sendo de responsabilidade do plenário, e não da segunda turma.

Quando Fachin passou a saber que a segunda turma do Supremo Tribunal Federal, ao inoce…

A GAFE MUNDIAL DE GUILHERME FIÚZA

Há praticamente dez anos morreu Bussunda, um dos mais talentosos humoristas do país.

Mas seu biógrafo, Guilherme Fiúza, passou a atrair as gargalhadas que antes eram dadas ao falecido membro do Casseta & Planeta.

Fiúza é membro-fundador do Instituto Millenium, junto com Pedro Bial, Rodrigo Constantino, Gustavo Franco e companhia.

Gustavo Franco, com sua pinta de falso nerd (a turma do "cervejão-ão-ão" iria adorar), é uma espécie de "padrinho" de Guilherme Fiúza.

O valente Fiúza foi namorado da socialite Narcisa Tamborindeguy, que foi mulher de um empresário do grupo Gerdau, Caco Gerdau Johannpeter.

Não por acaso, o grupo Gerdau patrocina o Instituto Millenium.

Guilherme Fiúza escreveu um texto na sua coluna da revista Época em que lançou uma tese debiloide.

A de que o New York Times é um jornal patrocinado pelo PT.

Nossa, que imaginação possuem os reaças da nossa mídia, que põem seus cérebros a serviço de seus umbigos!

Imagine, um jornal bastante conhecido nos…

ABSOLVIÇÃO DE GLEISI E PAULO BERNARDO PELO STF E O CASO LULA

A segunda turma do Supremo Tribunal Federal absolveu o casal Gleisi Hoffmann, senadora e presidenta do Partido dos Trabalhadores, e Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff, da acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Os dois eram acusados, juntamente com o empresário Ernesto Kugler, de participarem de suposto esquema de corrupção que envolveu também a Petrobras.

Esse esquema seria um desvio de dinheiro para a campanha de Gleisi para senadora em 2010.

As acusações foram baseadas em delações feitas para a Operação Lava Jato, por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, e o doleiro Alberto Yousseff, e carecem de provas consistentes.

Na votação, os ministros do STF, Luiz Edson Fachin, relator, e Celso de Mello, revisor, decidiram absolver Gleisi das acusações, mas condená-la por falsidade ideológica e caixa dois.

Os demais ministros, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, votaram pela absolvição total, por verem que as delações eram contr…

O "POPULAR DEMAIS" E O FIM DO SONHO PSEUDO-LIBERTÁRIO

Era uma vez a Santíssima Trindade da intelectualidade festejada, três reis magos que prometiam que a bregalização transformaria o Brasil num paraíso.

Paulo vinha com sua "bíblia" transformando cafonas despolitizados em supostos inimigos da ditadura militar.

Pedro passeava pelos bosques da mídia esquerdista (e ainda passeia) vendendo seu peixe chamado lochte originalmente criado pela Folha, na tentativa de promover o "popular demais" como algo "libertário".

E Hermano (hermano de um músico que, sinceramente, admiro) querendo promover à posteridade como "etnografia honorável" a ditabranda do mau gosto "popular" que os canonizados "são" Paulo e "são" Pedro divinizaram em seus textos.

Eram tempos áureos, em que se prometia que o jabaculê dos sucessos musicais radiofônicos do presente ou de um passado relativamente remoto seriam o folclore musical do amanhã.

Ou, no caso de, por exemplo, das mulheres-objetos (algumas tamb…

TRF-4 E A CRISE JURÍDICA NO CASO DA PRISÃO DE LULA

O DESEMBARGADOR DO TRF-4, ROGÉRIO FAVRETO, E O RELATOR DA SENTENÇA DO TRIBNUAL QUANTO À CONDENAÇÃO DE LULA, JOÃO PEDRO GEBRAN NETO.

Domingo, normalmente, é um dia de folga no Brasil.

Mas ontem foi um dia de muita trabalheira, depois que o desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Rogério Favreto, acatou ação movida por aliados do ex-presidente Lula.

Os deputados do Partido dos Trabalhadores, Wadih Damous (RJ), Paulo Pimenta (RS) e Paulo Teixeira (SP) entraram com o pedido de libertação de Lula no serviço de plantão do TRF-4.

O desembargador plantonista Rogério Favreto acatou a decisão e encaminhou ofício determinando a libertação do ex-presidente Lula.

Isso criou uma grande expectativa. Em Curitiba e em São Bernardo do Campo, simpatizantes de Lula já estavam em plantão diante da possibilidade de soltar o ex-presidente.

Diante dessa possibilidade, Sérgio Moro reagiu, irritado, escrevendo um documento alegando que o desembargador é incompetente na função de determ…

TV LINHAÇA - SALVADOR, NITERÓI E AS VIAS DA MOBILIDADE URBANA

Enquanto Salvador, capital da Bahia, construiu estradas visando resolver diversos problemas de trânsito, Niterói não consegue sequer resolver o problema de dois bairros vizinhos (Rio do Ouro e Várzea das Moças) que, sem uma avenida própria de ligação, dependem de rodovia estadual para se comunicarem. Com isso, a rodovia, RJ-106, sofre sobreposição de funções no trecho niteroiense.

A AMEAÇA FASCISTA É REAL E DEVE SER COMBATIDA

O SALTO PARA A MORTE DAS MORSAS DO ALASCA - METÁFORA PARA O QUE AMEAÇA VIR PARA OS BRASILEIROS.

De repente, a metáfora das morsas do Alasca contagia os brasileiros.

Num documentário de TV, se mostrou o estranho caso das morsas que saltam rolando pelo abismo.

Achando que irão cair na água para nadarem e sentir o seu frescor, as morsas caem do precipício e, abatendo-se sobre o chão, morrem.

A ameaça fascista de Jair Bolsonaro, um golpe militar travestido de voto popular, é algo que pode levar o país a perder.

Não podemos superestimar os traumas do golpe de 2016, no qual a presença, não só de Jair, mas também de seus filhos, foi bastante decisiva.

As orgulhosas marchas dos manifestoches, dois anos depois, são motivo de vergonha para o que antes se fazia de cabeça erguida, ainda que quente.

Mas, como diz o ditado, "cabeça quente, pé frio", e a lição catastrófica do governo Michel Temer, de maneira comprovada, não se resolverá com um Bolsonaro no poder.

Pelo contrário. Bolsonaro …