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O "FOGO DE PALHA" DAS PRODUÇÕES "ESPIRITUALISTAS"

O MORALISMO MEDIEVAL DA NOVELA A VIAGEM, DA REDE GLOBO.

O aparente sucesso da novela A Viagem, da Rede Globo, contrastando com o fracasso da nova versão de Vale Tudo, nos faz parar para pensar. Afinal, as produções "espíritas" aparentemente são festejadas com uma aparente popularidade que só tem sua razão de ser porque a chamada opinião pública é dominada por uma burguesia enrustida e "positiva", que se acha a "nata do povo brasileiro".

Afinal, o Espiritismo brasileiro não é uma expressão do povo pobre nem da totalidade do povo brasileiro e nem sequer da humanidade planetária. Essa religião, o Catolicismo medieval de botox que já foi um fardo pesadíssimo em minha vida, é, na verdade, a expressão mística da elite do bom atraso, da burguesia de chinelos que se acha "a classe mais legal do planeta".

Vejo com a preocupação de quem espera uma catástrofe a declaração de Guilherme Fontes em querer que a amaldiçoada novela da Globo tenha um spin off. "Auge da popularidade", diz o ator, que passou pano na novela que trouxe energias maléficas que atrapalharam a tentativa de se lançar como cineasta, com o filme Chatô, sobre Assis Chateaubriand, dono da TV Tupi, "derrubada" pela primeira versão da mesma referida novela.

Poucos sabem que o Espiritismo brasileiro foi uma das religiões que haviam sido financiadas pela ditadura militar para enfraquecer e combater a Teologia da Libertação católica, que atuava como uma poderosa força de oposição. Ao lado da Igreja Universal e da Igreja Internacional da Graça de Deus, o "movimento espírita" se lançou como uma pretensa "novidade religiosa", sob a desculpa da "diversidade da fé", para mascarar as ideias ultraconservadoras trazidas por "bispos" e "médiuns".

As narrativas unilaterais que só culpabilizam os neopentecostais mostram o quanto a burguesia "positiva" controla a opinião pública no Brasil. Imaginamos que o mal está apenas em pastores pedindo para os fiéis doarem até o que não têm para obter a "salvação", mas esquecemos dos "médiuns" que exercem um grande azar nas vidas das pessoas, até contra quem adora esses charlatães que se promovem às custas do sofrimento humano.

O Espiritismo brasileiro é blindado pela mídia empresarial, como a Globo e a Folha de São Paulo. Mas o "baixo clero" da mídia venal, incluindo Isto É, Band, Flipar e os portais de Internet, também apoiam essa religião que nunca passou de uma máscara para o velho Catolicismo jesuíta que prevaleceu no Brasil colonial e estava a serviço dos grandes proprietários de terra. 

Tanto isso é verdade que um "médium" de Uberaba, que afirmava ter um famoso padre jesuíta (e cruelmente medieval) como um "mentor espiritual", só conseguiu prestígio entre muita gente boa porque era patrocinado pelo poderoso e sanguinário coronelismo do Triângulo Mineiro, dos grandes coronéis do gado zebu cujo histórico de poder despótico vem desde séculos, justamente desde o período colonial.

E aí as produções "espíritas" empolgam apenas uma elite de "iluminados", de burgueses que se acham "as melhores pessoas do mundo", embora, por uma carteirada por baixo, também se autoproclamam "imperfeitos", pois precisam calçar os chinelos da falsa modéstia.

O Espiritismo brasileiro nada diz para o verdadeiro povo da vida real, que, desconfiado, enfrentava no passado longas filas só para pegar uns precários donativos distribuídos pelo "médium" charlatão de Uberaba (as iniciais são as consoantes da palavra "caixa"), cujo reacionarismo deixaria o coronel Brilhante Ustra ficar de queixo caído e faz o Silas Malafaia parecer um hippie socialista.

A religião diz apenas para uma burguesia que tem as redes sociais em suas mãos, pois o verdadeiro povo não tem dinheiro sequer para pagar um chipe de celular para usar uma precária conexão de Internet num estabelecimento comercial. Pensamos que o Espiritismo brasileiro é uma religião "tudo de bom", mas a religião é elitista, paternalista e, além disso, seus "ensinamentos" incluem a culpabilização da vítimas, pois pede sempre que se absolva os opressores pelos estragos causados aos oprimidos.

Os abusos do Espiritismo brasileiro - cujo exemplo histórico foi a exploração em cima do escritor Humberto de Campos - são comparáveis a atos criminosos como os trotes telefônicos de presidiários, que usam falsetes para fingir serem vítimas de sequestros, e também o uso irresponsável da Inteligência Artificial, na medida em que esse abuso se traduz, na "seara espírita", no uso irresponsável dos nomes dos mortos, pondo na conta deles opiniões e pontos de vista que eles nunca teriam.

Recentemente, a prática, que já demonstrou seu abuso através de um Domingos Montagner fake explorando emocionalmente as pessoas de mentes frágeis, apresentou um suposto Chacrinha falando de um hipotético destino do apresentador Sílvio Santos, que supostamente estaria "no umbral, acorrentado por se recusar a reconhecer o poder de Nosso Senhor Jesus Cristo".

Os defensores do Espiritismo brasileiro tentaram reprovar a "psicografia" do suposto espírito de Chacrinha falando dos "ensinamentos de Allan Kardec". Só que Kardec é muito mais traído pelos chamados "kardecistas" brasileiros do que Judas Iscariotes traindo Jesus Cristo. Perto do que o Espiritismo brasileiro faz com a Codificação original, a traição de Judas contra Cristo parece uma demonstração de fidelidade canina.

Aqui temos coisas bem anti-Kardec, como o culto à personalidade dos "médiuns", o uso da "caridade" para mascarar o charlatanismo, o uso de nomes famosos, de Humberto de Campos e Olavo Bilac até os Mamonas Assassinas, para promover sensacionalismo, o que diz muito quanto à idolatria dos "médiuns" ter começado, nos anos 1970, através da mídia popularesca e do mercado de fofocas.

O sucesso de filmes "espíritas" e da novela A Viagem é celebrado como se fosse a "popularidade crescente" do Espiritismo brasileiro. Grande ilusão. O sucesso é feito pela adesão maciça de uma "bolha social" de beatos da burguesia ilustrada. Gente metida a "boazinha" e "esclarecida", mas que se preocupa em falar mal do argueiro nos olhos dos neopentecostais, ignorando as traves que cegam os olhos dos "espíritas".

Apesar desse aparente sucesso, nota-se que, segundo dados do Censo 2022, que avalia o desempenho das religiões na população brasileira, o Espiritismo brasileiro reduziu de 2,1% para 1,8% o número de adeptos em relação ao recenseamento anterior. E, na prática, o Espiritismo brasileiro é uma religião que envelhece mal, diferente da capacidade comunicativa que as seitas neopentecostais conseguem exercer na população.

Tanto esses sucessos de público são "fogo de palha" que eles se tornam notícia apenas por pouco tempo. Passado o sucesso, ninguém fala mais do assunto, como se essas produções da dramaturgia piegas e irresponsavelmente moralista nunca tivessem existido. Por enquanto, A Viagem segue divertindo os incautos com a performance trash de Guilherme Fontes, mas daqui a pouco o "auge da popularidade" se reduzirá a um pó, voltado ao esquecimento do seu público de beatos burgueses.

Com uma religião que é o Espiritismo brasileiro, o Brasil não tem futuro. Essa religião está focada sempre numa repaginação do velho Catolicismo da Idade Média, sem oferecer alternativa ao neopentecostalismo que continua crescendo no país. A ditadura militar financiou duas forças religiosas para combater os católicos e criou duas monstruosas seitas que podem destruir o nosso país.

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