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FARIA LIMA ESTÁ DOMINANDO OS MODOS DE SER DOS BRASILEIROS MÉDIOS


O culturalismo brasileiro de 1974, que perdura até hoje com seus derivativos trazidos principalmente na década de 1990 - pelas afinidades que esse culturalismo tem nos governos de Geisel, Collor e FHC -  está causando estragos em todo o Brasil.

Os brasileiros médios estão deixando de pensar por conta própria e aceitando como "novos normais" a degradação cultural que ocorre há cinco décadas, se adaptando a essas formas de ser, sentir, estar e fazer marcadas pela bregalização cultural, pelo obscurantismo religioso e pelo hedonismo desenfreado.

A gourmetização do cigarro, a aceitação das psicografakes - quando mensagens falsamente atribuídas aos mortos são feitas por puro mershandising religioso - , o fanatismo pelo futebol como "única alegria do povo brasileiro", o gosto musical padronizado no mesmo hit-parade estrangeiro e nas canções popularescas em geral (inclusive a pseudo-sofisticada "Evidências"), tudo isso parece vir trazido pelo ar fresco que respiramos.

Mas o problema é que esse "ar fresco" vem dos escritórios da Faria Lima, cujos executivos, publicitários e alguns propagandistas - que vão dos influenciadores digitais a apresentadores de TV aberta - correspondem à geração recente da velha ordem social que retomou o poder no golpe civil-militar de 1964 e consolidou o poder em 1974, levando os prêmios do "milagre brasileiro", ou seja, a "maior parte do bolo" da suposta prosperidade econômica da época.

Da gourmetização da música "Evidências" com Chitãozinho & Xororó à persistência da gíria "balada" - que tenta forçar a barra do vocabulário comum através de matérias do jornalismo "sério" do G1, UOL e companhia - , a Faria Lima tenta manter seu poder oculto desenhando um "Brasil" que seus executivos querem que prevaleça. Um "Brasil" único que mais parece um joguinho manipulado por essa burguesia.

Um caso patético de como a Faria Lima influi na manipulação de corações e mentes com seu culturalismo é o caso de uma mulher que estava na UTI em tratamento contra uma doença neurológica pedindo para ver de maca uma apresentação de um grupo de "pagode romântico" ou sambrega. É a mediocridade cultural se vendendo como "coisa legal", fruto das estratégias marqueteiras dos executivos da famosa avenida de São Paulo.

As pessoas estão se deixando aceitar e se adaptar a essa degradação cultural, a acolher a mediocridade e a dormir tranquila com absurdos. Ainda hoje temos um padrão de condicionamento psicológico dos tempos do AI-5 e há muita resistência ao senso crítico, esperando que nossa imprensa tenha o mesmo caráter analgésico do Jornal Nacional dos anos de chumbo.

A domesticação dos jovens pela música popularesca, pela MPB carneirinha, a domesticação dos pobres pelas comédias de TV e também pelo som popularesco, a infantilização do público de rock por "rádios rock" dos anos 1990 para cá, que nunca passavam de escritórios da Artplan, tudo isso veio das mentes férteis dos estrategistas da Faria Lima, num processo de guerra cultural de arrepiar, mas que recebe vista grossa de analistas ainda presos à zona de conforto das narrativas do "jornalismo da OTAN".

É assustador ver gente considerada admirável aderir a fenômenos de pura idiotização cultural, ouvindo "Evidências" e "Um Dia de Domingo" ou causando vergonha dançando a imbecilidade tóxica do É O Tchan. E aplaudir o "funk" que aprisiona o povo pobre nas favelas e torna as classes populares reféns de sua própria pobreza simbólica, para depois, nos "bailes funk" montados pela elite fashion, a burguesia se divertir com esse som da pibreza fake que nem de longe assusta a alta sociedade.

A adoração a falsos filantropos - tipo "médiuns" e similares como a LBV - que nada fazem para combater a pobreza de verdade mostra, também, a hipocrisia da burguesia "positiva" que, com seus lábios de mel, sabem muito bem mascarar seu egoísmo, pedindo ao aflito para ficar rezando, mas nada faz para encerrar seu sofrimento.

E essa sociedade ainda quer mandar no mundo e se arroga em achar que o Brasil será um país desenvolvido, bastando jogar as convulsões sociais, a degradação sociocultural e as desigualdades em geral debaixo do tapete. Triste país esse em que uma meia-dúzia de executivos de uma parte de uma avenida decidem sobre o que devem ser os valores de todo o Brasil.

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