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A ESTÚPIDA NOÇÃO DE CARIDADE DA ELITE DO BOM ATRASO

CENÁRIOS ASSIM ALIMENTAM A "MASTURBAÇÃO PELOS OLHOS" DA HIPÓCRITA ELITE PATERNALISTA BRASILEIRA.

Instituições como o Espiritismo brasileiro e a Legião da Boa Vontade, duas seitas obscurantistas que enganam a sociedade com seus lábios de mel que mascaram uma religiosidade medieval, buscam promover sua propaganda através de um falso altruísmo e de um pretenso culturalismo dotado de falsa sabedoria e promessas de "inteligência pura e fortalecida".

Num "centro espírita" situado na Rua Alfredo Pujol, em Santana, pessoas de forma ingênua foram em massa para contribuir para uma "feira do livro espírita", adquirindo as obras retrógradas dessa religião que trai mais Allan Kardec do que Judas traiu Jesus Cristo, pois os "postulados" se baseiam mais no velho Catolicismo punitivista e conservador da Idade Média, que marcou durante séculos a formação religiosa do Brasil no período colonial.

Essa constatação é tão certa que os padres jesuítas são evocados como "mentores" de muitas instituições "espíritas", a partir de um charlatão e reacionário de Minas Gerais, ainda adorado por muita gente e cujo nome é até usado para nomenclaturas fake de rodovias paulistas no Google Maps - o que faz o caso do "Golfo da América" parecer fichinha - , ter o famoso padre reaça Manuel da Nóbrega, escravocrata e intolerante religioso, como "orientador espiritual".

Daí se chamar o Espiritismo brasileiro de Catolicismo medieval de botox.

E os brasileiros médios, uns de boa-fé - como muitos familiares meus, inclusive meus pais - e outros por idiotização pura, ficarem evocando "médiuns" picaretas como pretensos exemplos de tudo: pretensos conselheiros sentimentais através de frases dóceis de moralismo ultraconservador, atribuições falsas de "adivinhos" ou "profetas", e, principalmente, a tal "qualidade indiscutível da caridade", que serve como carteirada para esses praticantes do charlatanismo místico e falsamente ecumênico.

Pois a "caridade" que faz a "boa" sociedade glorificar "médiuns espíritas" e sua mancenilheira de palavras - para quem não sabe, a mancenilheira é uma árvore venenosa em todos os aspectos - , de sabor doce mas com força maligna até hoje nunca reconhecida nem investigada, nunca trouxe benefícios de qualquer espécie para as classes populares, que até aceitam receber esses donativos precários que se esgotam em dois dias, mas recebem com desconfiança.

O Espiritismo brasileiro é uma religião burguesa. O povo pobre não se sente representado por essa seita que, de tão piegas, soa tão brega que seus pregadores, homens e mulheres idosos, são conhecidos pelo seu visual antiquado que, da parte dos homens, sobretudo os "médiuns" mais famosos, remete aos anos 1930 e 1940 e, da parte das mulheres, nunca vai além da estética das velhas senhoras da década de 1970, na melhor das hipóteses.

A tão festejada ação filantrópica dos "médiuns" pode ser desmascarada sem dificuldade, apesar de toda a blindagem de gente crescida que, neste caso, se comporta feito criancinhas teimosas e mal-criadas:

1) As ditas "psicografias" são obras fake montadas tanto pelas pesquisas de fontes escritas - de reportagens de jornal a diários escritos por um morto - , pelo legado deixado pelo falecido e pela interpretação de gestos psicológicos e depoimentos daqueles que conviveram com o finado. Essa interpretação é chamada de "leitura fria";

2) As supostas doações dos lucros de vendas de livros, que fazem a carteirada do medievalíssimo "médium da peruca" (as iniciais são as consoantes da palavra "caixa"), são uma grande mentira. O dinheiro apenas ficou nas mãos da federação que tutelou o "médium". Este, tal como a Rainha da Inglaterra, apenas não tocava em dinheiro, mas vivia na opulência. Desconfia-se até de que o "médium" de Uberaba era um homem riquíssimo, aliado dos "coronéis" do Triângulo Mineiro. Afinal, as doações de terrenos que o "médium" lançava para a "caridade" (leia-se criar "centros espíritas") não vinham do nada;

3) As doações de mantimentos parece muita, com aqueles sacos ou caixas que não dão mais do que uns poucos quilos de alimentos, roupas, remédios e outros utensílios. Roupas usadas e até com algum estrago, remédios com prazo de validade vencido e alimentos que só duram uns dois dias são entregues a pobres desconfiados que só aceitam tudo isso porque é "melhor do que nada receber".

Mas mesmo assim isso não garante o mérito dos "médiuns", que além disso sonham com as fortunas do céu ao fazer esses atos que mais parecem propaganda de si mesmos do que qualquer iniciativa real de ajuda ao próximo.

É triste ver pessoas achando que "os médiuns ajudam mesmo", e mesmo gente evangélica, neopentecostal e tudo, corroborando com essa mentira grotesca e deslavada, com base em narrativas dominantes transmitidas há pelo menos 50 anos, o que mostra o quanto o Brasil, culturalmente falando, ainda vive como se ainda estivesse nos anos do general Ernesto Geisel.

Os pobres da vida real, invisíveis e silenciosos nas redes sociais - que eles não usam por falta de tempo, dinheiro e até interesse, pois eles não querem se perder nas florestas digitais da fantasia e do ilusionismo - é que ficam desconfiados com os "médiuns".

Houve até um episódio de um pobre que, esperto, foi para uma fila por três vezes, para ver se pegava mais donativos. E o que o "médium da peruca", sentado no seu camarote, disse para uma senhora que o chamou a atenção para essa atitude? "Deixa ele, ele está se preparando para (sofrer n)a próxima encarnação", disse o "médium", em sorridente cinismo.

Os pobres são geralmente famílias numerosas, e até para receber esses donativos, sofrem humilhações terríveis e o mal-estar de enfrentar longas filas. Quando recebe os donativos, os pobres estão tristes ou aborrecidos. Para piorar, o "adorado médium" aparece numa foto, publicada na Internet, com um bando de senhoras pobres, humilhadas e constrangidas, que beijavam a mão do presunçoso homem que é tido por muitos como "maior símbolo de humildade do Brasil e, quiçá, do mundo todo".

Humildade? Vejam o que ele fez, com seu juízo de valor digno de um bolsonarista - o "médium" de Uberaba teria apoiado Jair Bolsonaro, assim como seu sucessor de Salvador, recentemente falecido - , ao lançar um livro intitulado "Cartas e Crônicas", de 1966, fez um dos mais perversos julgamentos contra a gente humilde que frequentou um circo atingido por um incêndio criminoso a uma semana do Natal de 1961, em Niterói.

Os humildes espectadores e os artistas e equipe técnica do circo foram acusados pelo "iluminado homem" de terem sido reencarnações de sanguinários cidadãos da Gália, do Século II, que estavam "pagando pelo que fizeram", supostamente pelo prazer de ver pessoas sendo incendiadas em praça pública nas arenas do Império Romano.

É uma teoria sem pé nem cabeça, dotada da mais profunda piedade e que contradiz com a fama de "perdão" que tanto prega o Espiritismo brasileiro. Algo que é tão deplorável, tão vergonhoso e tão revoltantemente constrangedor que o "médium", para se isentar de culpa, cometeu algo ainda mais grave: botou as acusações na conta do escritor maranhense Humberto de Campos, há muito usurpado pelo charlatão do Triângulo Mineiro, como se este fosse dono do legado do autor que havia sido, também, membro da Academia Brasileira de Letras.

E aí nos lembramos do falso testemunho de Pedro, o apóstolo de Jesus Cristo, que, segundo a tradição bíblica, cometeu falso testemunho, dizendo, por três vezes, que nunca viu Jesus em dadas ocasiões. Isso é muito pouco, diante da hedionda atrocidade que o "bondoso médium" fez, fazendo acusações irresponsáveis contra pessoas pobres e artistas e técnicos circenses e ainda botando a culpa num falecido escritor, em suposto livro "espiritual", por tamanha falta de humanidade?

É terrivelmente assustador que o "médium da peruca" receba tantas passagens de pano de muita gente, sejam seus mais fanáticos devotos, sejam os mais distanciados simpatizantes, mesmo os que se declaram "laicos", "céticos" e "ateus". Até o negacionista factual adora passar pano no "médium" de Uberaba, caprichando na pose de pretenso imparcial, falando até grosso e firme para que suas ideias e argumentos sem pé nem cabeça recebam o status tendencioso da "objetividade".

Por muito menos, Madre Teresa de Calcutá, tão ranzinza e reacionária quanto o "médium" de Uberaba e uma sósia live action da Bruxa do Mar, aquela vilã do seriado do Popeye, foi desmascarada como megera pelo jornalista inglês Christopher Hitchens, cujas denúncias foram também confirmadas por um estudo universitário no Canadá. Lá não tem essa atitude de passagem de pano que acoberta os crimes de um charlatão que quase foi para a cadeia por tentar se apropriar do legado de um autor maranhense.

Aí a gente vê a estupidez da elite do bom atraso, que sempre adora passar pano em "médiuns", a ponto das narrativas em favor deles ser tratada como "verdades absolutas". E isso não vem porque a graça divina pousou em solo brasileiro para proteger "pessoas de bem" de qualquer investigação, mas porque essas narrativas, plantadas durante a Era Geisel, fabricaram um pretenso consenso que tornou-se difícil de desmontar.

Afinal, os "médiuns" possuem um poderosíssimo lobby que envolve de produtores de emissoras de televisão até os grandes latifundiários do Triângulo Mineiro, exploradores de gado zebu e considerados os proprietários de terras mais conservadores de todo o Brasil, com um histórico que teve como ponto crucial o crescimento através da exploração de escravos nos engenhos e também no comércio do ouro no chamado Ciclo de Ouro que fez de Minas Gerais um dos Estados de maior destaque nacional no Século 18.

Portanto, nada a ver com a adoração das classes populares aos "médiuns", porque isso não existe. O povo fica sempre desconfiado com essas pessoas, já veem que essa filantropia não passa de oportunismo. A analogia a "caridade dos médiuns" se equipara à demagogia eleitoral da distribuição dos mantimentos pelos políticos do interior em busca de votos. O provincianismo do Triângulo Mineiro faz escola.

Mas isso também é comparável com as "psicografias", que de tão fake devem se chamar psicografakes, que se equiparam aos trotes telefônicos que criminosos fazem para praticar extorsão, golpes feitos através de falsos sequestros que pediam resgates em dinheiro. O "telefone toca do lado de lá" e não há diferença essencial entre um golpista que imita uma voz de criança para pedir resgate de um sequestro e um charlatão que busca se promover através de uma mensagem falsamente espiritual.

"Mas as psicografias são feitas gratuitamente, sem cobrar de viva alma um só centavo". Grande engano. A inicial "gratuidade" é apenas uma isca, pois os "médiuns" vão usar outros recursos de captação de dinheiro, com seminários caríssimos e também a lavagem de dinheiro de latifundiários, empresários e políticos fisiológicos, e também a supervalorização do "dinheiro da caridade" para fazer os "médiuns" e outros palestrantes "espíritas" comprarem propriedades, como edifícios à beira das praias, fazendas e outros bens de luxo, enganando milhares de pessoas que, pelo jeito, adoram ser trouxas neste caso.

Daí vemos o quanto a elite do bom atraso, os executivos da Faria Lima e os herdeiros das famílias que lutaram para derrubar João Goulart, fez para impor um modelo fajuto de "altruísmo humano", que na verdade não tem de altruísta, sendo apenas uma noção estúpida do que hoje em dia a caridade humana. Um "altruísmo" que aborrece os pobres que enfrentam longas filas para pegar pouca coisa, enquanto as elites que vivem no conforto abusivo vão dormir tranquilas, achando que isso é "dedicação de amor ao próximo". Vá entender essas visões das elites brasileiras...

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