Em mais uma busca pelos quinze minutos adicionais de brilho, o presidente Lula conseguiu obter vantagens políticas não só pelo desgaste de Flávio Bolsonaro, que fez até lulistas apostarem na vitória no primeiro turno de seu ídolo. O episódio do tarifaço de Donald Trump fez Lula desempenhar o papel midiático do super-herói, um pretenso salvador não só do nosso país, mas também do mundo.
Mas, segundo a colunista da Folha de São Paulo, Mônica Bergamo, um interlocutor próximo a Lula disse que, no episódio do “tarifaço”, o presidente fez “discurso de miss”, falando coisas ao mesmo tempo genéricas e “positivas” que “todo mundo concorda”. Por alguns instantes, Lula foi visto como o “herói do planeta” ao desafiar o poderio de Donald Trump.
Mas em outros momentos Lula, que pelo jeito trocou o estigma da “língua presa” pela “língua solta”, cometeu equívoco em um discurso, enquanto que, em outro, só teve uma frase retirada de contexto mas, mesmo assim, está relacionado a um falha de ação.
Num dos discursos, Lula tentou investir numa comparação entre a classe média e as pessoas humildes num encontro com representantes da indústria automotiva, em Brasília. Eis o que o presidente disse, no seu impulso de opinador:
“Quando não tiver dinheiro para colocar gasolina, ele e a mulher empurram o carro para fora da garagem, lavam e colocam para dentro outra vez, felizes da vida”.
A declaração repercutiu mal nas redes sociais e Lula, em vez de agir contra os preços caros dos combustíveis, que tiveram a invasão de empresas privadas e a inexplicada privatização da BR Distribuidora - que ainda exibe a marca Petrobras - , prefere dar essas declarações.
Outro comentário foi dado quando Lula visitou o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), na Zona Portuária do Rio de Janeiro, a respeito do Sistema Único de Saúde (SUS):
“Se criou tanto ódio quando a gente aprovou na Constituição Federal de 1988 a criação do SUS, porque muita gente, muitas vezes de má-fé, tentava insinuar que o Estado não tinha condições de oferecer ao povo brasileiro um Sistema Único de Saúde, porque quem sabia cuidar da saúde era a iniciativa privada e saúde é para quem pode pagar. Quem não pode pagar que morra no esquecimento e na negligência do Estado brasileiro”.
Tudo bem, mas o problema é que o governo Lula não fez grandes realizações e o SUS só eventualmente presta um bom serviço, mas mesmo assim com limites, pois obriga os pacientes a marcar datas de consulta para vários meses mais tarde, além das longas esperas quando é a consulta do dia.
Quanto ao tarifaço de Trump, Lula fez muito barulho contra a medida, o que nesse caso é bastante correto, descontado o personalismo do presidente brasileiro que complica os acordos. No entanto, além de Lula não combater os juros altos da dívida pública (o “tarifaço à brasileira), a China, país do qual o presidente do Brasil busca aproximação, impõe ao nosso país uma cobrança de 55% sobre carne bovina, o que dificulta a exportação do produto brasileiro para o país asiático acima de 1,106 milhão de toneladas anuais. Para um presidente como Lula, que se diz tão preocupado com a fome dos brasileiros, essa omissão é um caso sério.
A extrapolação deste limite de isenção fez empresas frigoríficas no Brasil que tem a China como cliente paralisarem a produção e dar férias coletivas para seus empregados. Esse problema não é comentado pelos lulistas e, além disso, já se questiona a soberania brasileira quando Lula prefere trazer empresas chinesas para o Brasil do que investir em empresas nacionais. Lula permitiu até o monitoramento via satélite da Amazônia por empresa da China! Que soberania é essa que mais parece um “negócio da China”?

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