ELITE DE EDITORES E O 'HIT-PARADE' ADULTO NO BRASIL


As elites decidem o gosto musical do grande público. Uma meia-dúzia de executivos de TV, rádio, gravadoras e editoras musicais, além de programadores e produtores, todos sem uma visão de mundo abrangente, são responsáveis pela mesmice que rola nas ruas, nos bares, nos aparelhos de CD, nas mídias sociais na Internet.

São uma minoria de pessoas que influi pelo fato do gosto musical, seja na música brega-popularesca, no pop comercial em geral (adulto ou juvenil) ou até mesmo no rock e na MPB, se torne superficial, repetitivo e defasado em relação ao que acontece lá fora.

Se, por exemplo, um ídolo musical decadente é exaltado no Brasil, ou um nome pop emergente demora a ser apreciado pelos brasileiros, ou se artistas de valor não conseguem ter a carreira acompanhada e se limitam a ser conhecidos por apenas um ou dois sucessos, a responsabilidade é desses senhores que regulam o gosto musical através do mercado e da mídia que comandam.

Existe, entre os editores musicais, o que chama a atenção, um grupo que é responsável por um punhado de sucessos de intérpretes obscuros e sem representatividade, mas que tocam com regularidade impressionante nas rádios de pop adulto que existem no país, várias delas surgidas sob a bandeira, pasmem, da "música de qualidade".

São aquelas músicas, geralmente românticas, bastante grudentas, que só os brasileiros conhecem e se lembram. Sucessos que eram considerados "tapa-buracos" em sequências de antigas trilhas de novelas da Rede Globo e que até hoje são tocados pelas "FMs adultas" que prometem tocar a tal "música sofisticada" que afirmam divulgar.

É esse segundo ou terceiro escalão - para não dizer as divisões inferiores - da música estadunidense ou europeia que faz com que as percepções do público médio quando o assunto é "clássicos da música internacional" se tornem não só atrofiadas como sujeitas a fanatismos desnecessários.

Daí que muitas pessoas simplesmente "pagam mico" quando não aceitam que seu cantor romântico favorito - na verdade, um ídolo decadente do qual só o mercado brasileiro se lembrou - e reagem com raiva ou sarcasmo. Porque o ídolo só é maioral para esse tipo de pessoa, que acha que o mundo gira em torno de seu umbigo.

Enquanto artistas de valor não são devidamente acompanhados em sua carreira, sempre dependendo de ganchos para serem tocados no Brasil - ou a trilha sonora de um filme de sucesso de Hollywood, ou a trilha sonora das novelas da Globo - , ídolos medíocres passam mais tempo rolando em FMs de "boa música", corrompendo os ouvidos das pessoas que pensam que isso é música de qualidade.

E assim o mercado musical mostra seu aspecto provinciano, matuto, provando que o hit-parade brasileiro é defasado e bairrista, comprometido apenas com o que meia-dúzia de executivos e editores acha que é "música de sucesso", através de seus pontos-de-vista restritivos, repetitivos e superficiais.

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