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CRIMINALIZAÇÃO DO "FUNK" É UMA PROPAGANDA ÀS AVESSAS


Um abaixo-assinado na página do Senado atingiu, anteontem, a marca de 20 mil assinaturas, diante de uma causa bastante controversa, a de criminalização do "funk".

A proposta é de autoria do empresário paulista Marcelo Alonso, que se declara pai de família e afirma estar tentando "salvar a juventude".

Deu um tiro no pé, porque a proposta acabou estimulando mais o natural coitadismo do "funk", tido como "vítima de preconceito".

A repressão policial transformou um ritmo musicalmente medíocre em "canção de protesto".

A presença de "bailes funk" em noticiários policiais transformou os ricos empresários-DJs, ávidos por dinheiro, em supostos ativistas culturais.

A criminalização transformou medíocres MCs de vozes esganiçadas em pretensos militantes.

Da mesma forma, a criminalização do "funk" fez um mero ritmo dançante e comercial virar, durante anos, um pretenso paradigma de folclore popular.

Enquanto rolava o discurso de que "funk é cultura", seus empresários-DJs enchiam os bolsos de dinheiros e ficaram ainda mais ricos, embora posando de "pobrezinhos".

O "funk" acabou se tornando o "Cabo Anselmo" da Era Lula-Dilma, um fenômeno "exótico" que veio mais seduzir e bagunçar os movimentos sociais com falso esquerdismo.

Como o sinistro sargento, em seu tempo também "amigo das esquerdas", o "funk" é comprovadamente vinculado à CIA, órgão do Departamento de Estado dos EUA.

Isso é certo. Dois grandes órgãos da CIA, a Fundação Ford (que, apesar do nome, reúne várias empresas de diversos setores) e a Soros Open Society, comprovadamente financiam instituições que apoiam o "funk", como o Instituto Overmundo e a APAFUNK.

O próprio Hermano Vianna, que fez o livro O Mundo Funk Carioca sob patrocínio da Fundação Ford, está à frente do Overmundo, financiado por George Soros e propagandista do seu "negócio aberto".

O "funk" também ganhou apoio decisivo das Organizações Globo.

O DJ Tubarão admite que a popularização do "funk" se deu graças à corporação da famiglia Marinho.

Mas, apesar disso, empurrou-se o "funk" para as esquerdas e elas engoliram a isca.

Muito da queda de Dilma Rousseff se deu porque as esquerdas adotaram o "funk", se esquecendo que o ritmo trabalha uma imagem caricatural das classes populares.

O "funk" havia sido a trilha sonora principal do discurso da "pobreza linda", um engodo discursivo que na verdade queria preparar o povo pobre para aceitar projetos como as reformas amargas do governo Michel Temer.

O "funk" vendia valores como o machismo e o consumismo sob a falsa imagem de "novos valores" para as classes populares.

O mais recente oportunismo do "funk" foi abafar um protesto contra a abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.

A Furacão 2000, que havia escolhido ninguém menos que Luciano Huck para ser "embaixador do funk", conseguiu enganar as esquerdas e minimizar o poder de fogo do protesto em Copacabana.

A imprensa internacional esteve mais preocupada em reportar a festa, a dança, a alegria.

Os deputados acabaram sendo beneficiados pela armação de Rômulo Costa, que viveu seus tempos de Cabo Anselmo da ocasião, ovacionado pelas esquerdas desavisadas.

Passado esse factoide, que na prática enfraqueceu o protesto em Copacabana no seu propósito original de salvar Dilma, o "funk" só apareceu como som curtido por rapazes que fizeram estupro coletivo numa jovem.

E isso quando uma funqueira "feminista" foi viajar para a Disney com uma ex-BBB.

E isso quando o "funk" passou a entrar na alta sociedade (com a ajuda de gente como a promoter Carol Sampaio, mas também com o empurrão da Globo, Folha, Caras e Jovem Pan).

Hoje o que é discriminado é a Bossa Nova, quando muito reduzida a um "baile da saudade".

E quem é discriminado é Chico Buarque, sempre fiel às forças progressistas mas desprezado pelas esquerdas médias que o "funk" apunhala pelas costas.

Quanto ao abaixo-assinado, a proposta de Marcelo Alonso - o nome coincide com o de um executivo da Natura - foi dirigida para o relator da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, senador Cidinho Campos, do PR matogrossense.

Cidinho, no entanto, rejeitou a relatoria, por estar envolvido em outras prioridades, como os debates dos senadores em torno das reformas do governo Michel Temer.

Apesar da grande adesão, a causa está, portanto, parada, e é difícil que seja levada adiante.

Isso tem seu lado positivo.

Afinal, qualquer iniciativa neste sentido é lucro para os funqueiros.

Eles conseguiram armar todo o "mimimi" discursivo que atraiu acadêmicos, ativistas culturais e até artistas modernistas.

Uma falsa retórica de "vanguarda" que favoreceu o "funk" nunca deixou o povo das periferias em melhor situação, e o pseudo-esquerdismo do "funk" só fez os empresários-DJs se enriquecerem mais e mais e ainda arrancarem uma boa grana dos governos Lula e Dilma.

O que um mero ritmo comercial e dançante sem muito valor artístico-cultural pode fazer.

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