Pular para o conteúdo principal

UM DOS ARTÍFICES DO "POPULAR DEMAIS", SÍLVIO SANTOS DECLARA APOIO A BOLSONARO


Um dos maiores erros cometidos pelas esquerdas foi acolher a pretensa cultura brega-popularesca, ou o "popular demais".

Já se falou muito de toda a retórica de "combate ao preconceito" que deixou as esquerdas médias um tanto desnorteadas diante do apelo emocional demais ao popularesco.

Era um discurso sofisticado trazido por intelectuais "bacanas": jornalistas musicais, antropólogos, cineastas documentaristas etc lutando por um Brasil mais brega.

Isso teve um preço. Enfraqueceu as classes populares, porque elas foram isoladas no entretenimento brega-popularesco.

A intelectualidade "bacana" dizia que o "verdadeiro ativismo" das classes populares era dançar o "funk", o tecnobrega, o "rebolation", o "tchan".

Da mesma forma, os intelectuais considerados "mais legais do Brasil", dentro de um contexto de anti-intelectualismo, diziam que a "verdadeira música de protesto" estava nos ídolos da música cafona dos anos 1970.

Deu no que deu. O povo pobre se afastou das esquerdas, que não se deram conta da armadilha que intelectuais pseudo-solidários tramaram no âmbito cultural.

E aí o povo pobre foi atraído por grupos midiáticos e movimentos religiosos que guiaram a multidão para o bolsonarismo.

Sempre achei estranha essa falácia do "combate ao preconceito", como havia escrito antes.

Mas como eu não tinha muita visibilidade, foi preciso escrever um monte de textos para, ao menos, multiplicar meu questionamento nas buscas de Internet.

O "popular demais" vendia uma falsa imagem de "movimento musical dos sem-mídia".

No entanto, a mídia oligárquica, inicialmente não a Rede Globo, encampou a breguice musical.

Primeiramente, eram rádios controladas por oligarquias regionais, inclusive latifundiárias, que faziam um paradigma estereotipado e caricato das classes populares.

Como dizer que isso era "combate ao preconceito" trabalhando de forma preconceituosa o povo pobre é coisa que demorou-se muito a entender.

No âmbito televisivo, as TVs Tupi, Record e Bandeirantes apostaram na bregalização. Entrando no páreo, a TV Studios de Sílvio Santos, mais tarde SBT, reforçou a campanha, seguida, ainda mais tarde, pela Rede TV!.

Sílvio Santos contribuiu muito para "desenhar" o Brasil brega vigente nos últimos 40 anos.

Difícil ver que essa bregalização ganhou verniz de algo "vanguardista", pretensamente cult e falsamente libertário-esquerdista entre 2002 e 2014.

Sílvio Santos pode ser um talentosíssimo apresentador, de estilo inconfundível, carismático, de programas de puro e indiscutível entretenimento.

Mas é um sujeito bastante conservador. Como, por exemplo, são Pelé e Regina Duarte, e foram os falecidos Monteiro Lobato e aquele "médium espírita de peruca" que defendia que todos temos que "sofrer desgraças em silêncio".

Sílvio Santos, aliás, conseguiu sua TV Studios em São Paulo e no Rio de Janeiro por apoiar muito a ditadura militar.

Ele é tão conservador que, graças a seus programas, as "colegas de trabalho" viraram o paradigma da mulher-coitadinha, a "maria-coitada", estereótipo de mulher submissa e culturalmente subordinada ao que rolava nas rádios e nas TVs, principalmente música brega-romântica.

Boa parte do estereótipo da "solteira popular" seguia esse molde, sobretudo quando eram fãs do chamado "pagode romântico" dos anos 1990 para cá.

E aí Sílvio Santos, que apoiou com muito entusiasmo o governo Michel Temer a ponto de defender as reformas trabalhista e previdenciária, passou a apoiar também Jair Bolsonaro.

O "homem-sorriso", que parece manifestar interesse pela volta do boletim "Semana do Presidente", recorreu ao baú - não o dele, mas o da História do Brasil - para lançar o lema do SBT para os "novos tempos".

Trata-se do velho "Brasil: Ame-o ou Deixe-o" dos tempos do general Emílio Garrastazu Médici e seu "milagre brasileiro".

Uma época em que a bregalização crescia com todo o vapor, fazendo cortina de fumaça para a repressão que ocorria nos bastidores.

E aí vemos o quanto veículos como o SBT estão afinados com esses tempos sombrios que vêm aí.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ESTUPRO COLETIVO DERRUBA MITO DA "LIBERDADE DO CORPO"

O vergonhoso caso do estupro coletivo desmascarou uma situação que a intelectualidade "bacana" sempre abafou com falso relativismo.

O mito da "liberdade do corpo" num país do combate ao assédio abusivo.

O terrível caso ocorreu num bairro popular, na região de Jacarepaguá.

33 homens afoitos cercando uma moça de 16 anos, dopando a menina, depois a estuprando sob o registro da câmera do celular e depois publicando na Internet.

Um episódio de pura truculência, mas condicionado pela ilusão de liberdade sexual que a intelectualidade "bacana", que apostava num Brasil brega, queria para as classes pobres.

Mesmo mulheres aparentemente ativistas, dentro dessa intelectualidade, davam dois pesos e duas medidas.

Elas reclamavam contra a imagem caricatural que as mulheres, de classe média, recebiam dos comerciais de TV.

Mas consentiam que a mesma imagem fosse impunemente abordada sob o rótulo do "popular".

Reclamavam quando a imagem da mulher de classe média…

GOVERNO TEMER E A REVOLTA DOS UMBIGOS

A "revolta dos umbigos" que surgiu nas mídias sociais achou que tinha o poder pleno nas mãos.

Lutaram para ter Michel Temer no lugar de Dilma Rousseff para realizar uma agenda mais conservadora para o Brasil.

Essa agenda é um misto do programa eleitoral derrotado de Aécio Neves em 2014 com as "pautas-bombas" do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Primeiro, os "revoltados" na Internet se escondiam nas mídias sociais, se limitavam a trolar assuntos culturais ou coisa próxima e fingiam serem progressistas.

Depois, deixaram a máscara cair e iniciaram uma campanha para derrubar Dilma Rousseff.

Conseguiram o que fizeram, pois faziam parte de uma "frente ampla" às avessas, que clamavam por retrocessos políticos sob a desculpa do "combate à corrupção".

Estavam junto dos empresários em geral e, em parte, os que controlam a grande mídia.

Foram animadores juvenis de uma campanha que ludibriou a sociedade inteira, que passou …

O VEXAME PORNOGRÁFICO DO "MITO" BOLSONARO

A quarta-feira de cinzas rendeu uma grande queimadura no presidente Jair Bolsonaro.

O "mito", que levantava a bandeira da moral e dos bons costumes, se deu mal ao tentar "denunciar" uma ocorrência de Carnaval.

No perfil da Presidência da República no Twitter, Bolsonaro colocou um vídeo no qual um homem de trajes sumários urina e dança em cima de um ponto de táxi com a mão enfiada no seu ânus.

Só que o tiro saiu pela culatra. Jair Bolsonaro, mesmo sob o pretexto da denúncia, não poderia de jeito algum publicar uma imagem dessas, de um nível obsceno deplorável.

A sua atitude foi tão grave que viola até mesmo os termos e condições determinados pelo Twitter.

Além disso, o vídeo não foi exibido no perfil pessoal de Bolsonaro, mas no da Presidência da República.

Isso é bem mais grave. Como prevê a Lei 1.079, de 10 de abril de 1950, Bolsonaro pode perder o mandato, se for aplicado este instrumento legal. Vejamos:

CAPÍTULO V

DOS CRIMES CONTRA A PROBIDADE NA ADMINISTRAÇÃO

Art…

COMO SOBREVIVER NO BRASIL GOVERNADO POR JAIR BOLSONARO?

Está bem, Michel Temer completou o mandato, rindo do "Fora Temer" que não conseguiu tirá-lo do poder, e Jair Bolsonaro tornou-se presidente da República.

Agora, temos que encarar a situação com cabeça fria. Foi perdendo a cabeça que a oposição fez com que a ditadura militar decretasse o AI-5, há 50 anos.

Bolsonaro pretende eliminar o que ele entende como "doutrinação ideológica" nas escolas, que devem retomar as antigas relações hierárquicas entre professor e aluno.

Ele divulgou o novo salário mínimo, abaixo da expectativa. Em vez de R$ 1.006, R$ 998.

Na véspera da posse, ele anunciou ainda que vai decretar leis facilitando o porte de arma do cidadão comum "sem antecedentes criminais".

Isso causará uma espécie de holocausto a varejo. O Partido dos Trabalhadores já encomendou estudos para comprovar o desastre da medida e impedir sua regulamentação (ou desregulamentação, melhor dizendo, porque será o caos).

Jair Bolsonaro ainda falou da "libertação&qu…

ESTIMULADOS PELO REARMAMENTO, BOLSOMÍNIONS PROVOCAM MASSACRE NUMA ESCOLA EM SUZANO, SP

LUIZ HENRIQUE DE CASTRO (E, NO ALTO) E GUILHERME MONTEIRO (D) PROVOCARAM MASSACRE EM ESCOLA EM SUZANO, INTERIOR PAULISTA. ACIMA, MOVIMENTAÇÃO NO LOCAL APÓS A TRAGÉDIA.

Mais uma amostra de como será a liberação do porte de armas no Brasil ocorreu hoje de manhã.

Um massacre ocorrido na Escola Estadual Prof. Raul Brasil, em Suzano, no interior paulista, causou, até o meio-dia de hoje, dez mortes.

De imediato, dois jovens que chegaram na escola atirando mataram cinco estudantes e uma diretora do estabelecimento, e causaram vários feridos. Até o meio-dia, duas pessoas morreram no hospital.

Os jovens foram depois identificados como Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, e Guilherme Monteiro, de 17. Eles se suicidaram após cometerem a chacina.

Ambos eram reacionários bolsomínions que chegaram a compartilhar uma postagem de Eduardo Bolsonaro em favor da violência policial contra pessoas pobres.

Luiz Henrique, sobretudo, defendia o porte de armas, sob as mesmas desculpas conhecidas dos reacionár…

A GAFE MUNDIAL DE GUILHERME FIÚZA

Há praticamente dez anos morreu Bussunda, um dos mais talentosos humoristas do país.

Mas seu biógrafo, Guilherme Fiúza, passou a atrair as gargalhadas que antes eram dadas ao falecido membro do Casseta & Planeta.

Fiúza é membro-fundador do Instituto Millenium, junto com Pedro Bial, Rodrigo Constantino, Gustavo Franco e companhia.

Gustavo Franco, com sua pinta de falso nerd (a turma do "cervejão-ão-ão" iria adorar), é uma espécie de "padrinho" de Guilherme Fiúza.

O valente Fiúza foi namorado da socialite Narcisa Tamborindeguy, que foi mulher de um empresário do grupo Gerdau, Caco Gerdau Johannpeter.

Não por acaso, o grupo Gerdau patrocina o Instituto Millenium.

Guilherme Fiúza escreveu um texto na sua coluna da revista Época em que lançou uma tese debiloide.

A de que o New York Times é um jornal patrocinado pelo PT.

Nossa, que imaginação possuem os reaças da nossa mídia, que põem seus cérebros a serviço de seus umbigos!

Imagine, um jornal bastante conhecido nos…

ASSUSTADO, MICHEL TEMER LIGA PARA FAUSTÃO PARA DAR EXPLICAÇÕES

FAUSTO SILVA LEMBROU DOS TEMPOS EM QUE ENTREVISTOU MICHEL TEMER NOS ANOS 80.

O comentário de Fausto Silva, no Domingão do Faustão da Rede Globo, contra o governo Michel Temer, foi sem dúvida alguma tendencioso.

Foi muito longe de ser um progressista.

Não dava para o intelectual "bacana", que sonha com o folclore brasileiro de amanhã montado com as breguices que rolam nos palcos do Domingão, "guevarizar" o comentário do apresentador dominical.

Farofafeiros "guevarizaram" a novela Os Dez Mandamentos, da Rede Record, só porque tiraram a Rede Globo da liderança da audiência.

Deram um tiro no pé.

Os donos da Rede Record fazem parte da "bancada da Bíblia" que ultimamente está relacionada à derrubada do governo Dilma Rousseff e ao estabelecimento de agendas retrógradas para o país no Congresso Nacional.

Uma dessas agendas é a ultradecadente Escola Sem Partido, que proibirá tanto o debate da realidade quanto a interferência em mitos religiosos.

Os farof…

O CARNAVAL DO ULTRACOMERCIALISMO MUSICAL

IVETE SANGALO NO CARNAVAL DE SALVADOR DESTE ANO.

2019 é a consagração do ultracomercialismo musical brasileiro, quando a chamada música brasileira deixou a arte de lado e passou a ser mero entretenimento.

É claro que dizer isso irrita boa parte dos millenials, sobretudo os bolsomínions, assumidos ou não, que não veem diferença entre o que é comercial e o que é não-comercial na música.

Para eles, o não-comercial é "comercial" porque o coitado do artista que quer fazer algo diferente é acusado de fazer isso "por dinheiro", quando a renda é apenas uma ajuda de custo.

Em compensação, pensam que o comercial é que é "não-comercial", por uma mal-explicada alegação de que "estão conquistando seu espaço".

Mas essa geração é hipermidiatizada e hipermercantilizada, à qual questões envolvendo grande mídia e regras do mercado lhes parecem tão naturais que parecem inexistentes.

Perdemos, há poucos dias, Tavito, um grande compositor de MPB, e fico pensando em …

LUKE PERRY, KEITH FLINT E O LADO MELANCÓLICO DOS ANOS 90

Ontem morreram o vocalista do grupo inglês Prodigy, Keith Flint, e o ator estadunidense Luke Perry.

Com idades próximas, respectivamente 50 e 53 incompletos, Flint e Perry, embora muito diferentes, tiveram em comum o envolvimento com a cultura dos anos 1990.

Eles se somam a um elenco de mortos precoces que se ascenderam na década, indo de Kurt Cobain a Brittany Murphy e de Bradley Nowell (Sublime) a Dolores O'Riordan.

A década de 1990 nos EUA e Grã-Bretanha (no caso de Dolores, a Irlanda é culturalmente "conurbada" com o Reino Unido) foi muito diferente da do Brasil.

O Brasil assimilou tardiamente o hedonismo debiloide e cafona que marcou os EUA na década de 1980 e que continua valendo até hoje, com revivais de uma década que não acabou, através do saudosismo artificial trazido pela novela Verão 90.

Nos EUA e Grã-Bretanha, a década noventista foi uma década de ressaca, marcada pelo niilismo do grunge e pela tristeza do brit pop, espécie de "primo rico" mas men…

O LADO INÓCUO DO "CARNEVALE" BRASILEIRO

FOLIÕES PARODIAM CORRUPÇÃO NO GOVERNO BOLSONARO EM BLOCO CARNAVALESCO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, INTERIOR PAULISTA.

O Brasil está na Idade Média repaginada e até o nosso Carnaval segue esse clima.

As esquerdas, ingenuamente, acreditam nessa espécie de quixotismo folião, entendendo o protesto contra o governo Bolsonaro como uma mobilização para derrubar o governo.

Se essa derrubada não ocorreu com o governo Michel Temer, que, feliz da vida, completou seu desgoverno rindo dos gritos de "Fora Temer", um governo como Bolsonaro se torna mais difícil.

Apesar da aparente debilidade, sobre Bolsonaro se apoiam importantes elites do capital financeiro e estrategistas políticos e militares vinculados aos EUA.

No Carnaval deste ano, foliões gritavam em várias partes do país, "Ei, Bolsonaro, vai tomar no..." ou "Bolsonaro é o c******", como se isso fosse influir no cenário político.

Esquecem as esquerdas do caráter catártico do antigo "Carnevale" medieval.

Ness…