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O FRACASSO DA VOLTA DO VELHO MEC


O governo Michel Temer começou bastante impopular.

A direita comemorou a saída de Dilma Rousseff, mas agora enfrenta o gosto amargo de um governo velho, com cheiro de mofo tóxico dos porões históricos de 1974.

O governo Michel Temer mais parece um governo Ernesto Geisel repaginado.

Até os governos Fernando Henrique Cardoso (1994-1998 e 1998-2002), por mais retrógrados e atrapalhados que fossem, parecem relativamente mais modernos.

Uma das medidas retrógradas da equipe ministerial que, com Temer, tomou posse ontem como uma quadrilha de mafiosos comemorando uma vitória, foi a extinção do Ministério da Cultura.

Foi ressuscitado o velho MEC, Ministério da Educação e Cultura, no lugar do já saudoso, por mais controverso que seja, MinC.

Como titular da pasta, foi escolhido um pernambucano filho de fazendeiros, o conservador Mendonça Filho, do Democratas (DEM).

Mendonça Filho não tem a menor vivência com Educação e muito menos com Cultura.

Para os cariocas, isso não faz muita diferença. Afinal, no Estado do Rio de Janeiro, uma emissora de rádio FM que se diz "especializada" em rock, a canastrona Rádio Cidade, é coordenada por um locutor sem vivência com rock.

O tal do Van Damme, que comanda a rádio do "rock de verdade", só entende de "sertanejo universitário" e "funk".

Van Damme, o radialista, é capaz de prever o próximo sucesso de Anitta para daqui a dois anos e qual vai ser a próxima dupla "sertaneja" a estourar no país, mas é incapaz de entender 0,1% da trajetória do rock no passado, presente e futuro.

Daí que, para os cariocas, tanto faz um filho de fazendeiros assumir a Educação e Cultura.

O próprio Rio de Janeiro, reduto do anti-petismo, está vivendo um surto de provincianismo e coronelismo político, como um Acre de 40 anos atrás, só que à beira-mar.

Ao lado de São Paulo, o Rio de Janeiro perdeu o rumo da modernidade. Ambos os Estados pararam no tempo e caíram num provincianismo digno de Estados nortistas e nordestinos no tempo do general Emílio Médici.

Viraram redutos da mais aberrante bregalização cultural, antes vigente nos redutos coronelistas do interior e das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Tudo para sabotar a cultura popular em todo o país.

Depois, viraram redutos do mais preocupante reacionarismo político-ideológico do país.

E aí lutaram para derrubar Dilma Rousseff, tirando-a do poder.

E agora ajudaram a derrubar o Ministério da Cultura, vítima de um "enxugamento" administrativo do governo Michel Temer.

O MinC não era perfeito, e agiu de forma complacente com a degradação cultural do brega-popularesco.

Embarcou na utopia de que aceitar o degradado comercialismo cultural brasileiro era "combater o preconceito" e "aceitar a cultura na sua amplitude".

Mordeu a isca. Priorizou o brega-popularesco, em detrimento da riqueza cultural brasileira.

A riqueza financeira das empresas de entretenimento popularesco se sobrepôs à riqueza de nossa cultura, condenada a virar peça de museu.

Mesmo assim, muitas manifestações culturais autênticas recebiam respaldo institucional e financeiro, sob gestões de gente como o músico Gilberto Gil e o sociólogo Juca Ferreira.

Agora, depois que o velho MEC ensaiou uma volta, os protestos da classe artística obrigaram Michel Temer a criar uma Secretaria da Cultura, subordinada ao Ministério da Educação.

Vão escolher um nome ligado à Cultura, para tentar fortalecer o setor.

Vai ser a primeira pressão sobre o governo de Michel Temer. Ele terá que se acostumar com isso.

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