Uma função que acaba sendo mal compreendida, mas também desprovida de critérios ao mesmo tempo justos e específicos, é a de Analista de Redes Sociais ou Analista de Mídias Digitais, que durante um tempo dominaram as ofertas de emprego em portais como Catho e Infojobs.
Em tese, Analista de Redes Sociais é uma função multifacetada que junta elementos de Assessoria de Comunicação e Publicidade e Propaganda num contexto de relação entre empresas, clientes e plataformas digitais como Facebook e Instagram. Seria, na teoria, uma função técnica com atividade dinâmica e vibrante
Mas, do jeito em que está o mercado, que pensa mais no clientelismo, no apadrinhamento e nos padrões de aparência - não necessariamente estéticos, pois temos servidores com pinta de locutor esportivo, por exemplo - , talento fica em segundo lugar pois as empresas vivem na ilusão de que qualquer um pode ser talentoso, bastando apenas “entender como se faz uma tarefa”. Tudo vira uma linha de montagem, um trabalho insosso que não traz prejuízo, mas também não se torna marcante.
O que acaba sendo a tal função de Analista de Redes Sociais? É gravar vídeo de propaganda para o YouTube, Tik Tok e Instagram, levando em conta apenas a fala coloquial e a capacidade de gesticular dos influenciadores digitais? Ou é um trabalho pertinente de apenas produzir textos publicitários para as redes sociais?
Já se fala até de um mero trabalho de contar piadas no intervalo do café, tamanho é o caráter vago a que se acredita ser a função, motivada pelo consumo de redes sociais que no Brasil ocorre com apetite multiplicado e pela onda de influenciadores e comediantes de estandape que invadem este mercado.
Até o “Efeito CQC” acaba complicando as coisas, quando vem a onda dos humoristas que se dizem “jornalistas”, muito diferente dos autênticos jornalistas de humor (como Jaguar e Millôr Fernandes, por exemplo). Afinal, são meros comediantes de estandape que, influenciados pelo sucesso do humorístico CQC, se autoproclamam “jornalistas” sob a desculpa de que “comentam os fatos do dia” (e, quase sempre, nem isso eles fazem).
E aí eles narram, com a habilidade de pescador quando conta uma mentira, carreiras jornalísticas paralelas à sua carreira de humor e longas demais para suas idades. Enganam direitinho os recrutadores que, acreditando na lorota, fecham contratos para cargos de Comunicação, com os comediantes fazendo trabalhos medíocres somente “dentro do esperado” e só dando um show nos divertidos intervalos para o cafezinho.
O mercado acaba não sabendo o que realmente quer e as tais “oficinas de ideias” permanecem na sua mediocridade inócua, pensando mais no prestígio, na aparência e nas formalidades do que no talento. Comediantes e influenciadores descumprem a finalidade de somarem algo às empresas, pois o que eles fazem qualquer pé-rapado faz.
Essas pessoas não somam nem subtraem, realizando um trabalho sem marca, apenas dentro das regras estabelecidas. Por trás da visibilidade e do prestígio, elas são apenas meras cumpridoras de tarefas, e de analistas de mídias sociais têm muito pouco. Conhecem mídias sociais muito bem, mas como consumidores e não técnicos. Daí que as tais “oficinas” ou “usinas” de ideias que prometem não é mais do que uma piada de intervalo do cafezinho. Os colegas adoram, mas o trabalho sai estagnado.
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