Pular para o conteúdo principal

PORQUE LULA É GIGANTE POR FORA E NANICO POR DENTRO


As notícias mais recentes de Lula retomam o projeto do Sul Global, que ele vou com mais prioridade do que a reconstrução do Brasil, está uma proposta muito mal explicada que se concluiu sem ter começado. Lula parece encenar um personagem. Não tem autocrítica, é indiferente às advertências dos amigos, despreza críticas e, como um cachorro correndo atrás do seu rabo, repete táticas de promoção pessoal que não deram certo.

A vergonhosa foto de sunga, por exemplo, remete ao episódio da praia de Fortaleza em 2022, quando o local foi fechado para Lula e Janja curtirem a Lua de Mel. O petista não teve escrúpulos de criar um clima de festa que destoava da urgência de reconstruir um país em ruínas.

Lula se contradizia, nesse sentido. Ele chegou a comparar o Brasil de Jair Bolsonaro a Gaza bombardeada pelas forças de Benjamin Netanyahu. Mas o petista criou um clima de festa desnecessário em seu projeto de reconstrução que teve que retardar a posse de ministros, que deveria ser imediata, para fazer um festival de música. Isso acabou irritando os bolsonaristas, que usavam o pretexto do uso do dinheiro público para o Festival do Futuro. Daí a revolta do Oito de Janeiro.

Mas o mais constrangedor foi Lula, no começo do terceiro mandato, priorizar a política externa em vez de ficar no Brasil para a reconstrução. Se Lula é considerado o “pai dos pobres”, ele foi bem ausente. O povo pobre sentiu isso e se sentiu abandonado, sendo inútil os lulistas dizerem que o presidente viajou para o exterior para “trazer investimentos”. Ficou aquela coisa do pai ausente que promete dar presentes para o filho necessitado.

Assim como não se consegue convencer um filho de que o pai ausente vai dar um monte de presentes, pois a criança se sente abandonada, o povo pobre sentiu que Lula não quis acompanhar de perto a reconstrução. É isso que se deve insistir.

O julgamento de valor de uma burguesia moderna que “aprendeu” a gostar de Lula e persegue paradigmas antigos não tem serventia. É irônico ver a burguesia implorando para os pobres reelegerem Lula enquanto estes, de tanto enfrentar perdas na vida, já nem se preocupam com este voto, desconfiados que estão com o pelego político que se tornou o petista.

Lula só deixou para depois as causas trabalhistas com as quais deveria ter investido nos primeiros meses do terceiro mandato. Lançar relatórios fantásticos não valem, pois Lula está distante do povo e o relatorismo não é palpável. Foi vexaminoso o governo Lula querer informar ao povo pobre sobre realizações que os próprios humildes não sentem no seu dia a dia. Afinal, o povo pobre não é ingênuo, pois é o primeiro a perceber e vivenciar as situações do cotidiano.

Além disso, conforme não cansamos de informar, um progresso numa reconstrução não se faz com passe de mágica. Não se fazem “recordes históricos”, mas ações concretas. Antes um pequeno resultado que pudesse ser sentido diariamente do que resultados fabulosos dos quais o povo não viu sinal algum.

Lula tentou realizar vários simulacros para compensar sua ostentação no exterior, com a desnecessária ênfase na política externa. Relatorismos e pesquisismos eram feitos para atiçar a histeria coletiva. Opiniões eram dadas quando Lula estava impedido de agir. E Lula mais discursava do que agia.

Esses simulacros e o sensacionalismo político dos “recordes históricos” do “Efeito Lula”, dos quais ninguém viu coisa palpável, fizeram mais diminuir sua imagem política. Fizeram Lula ficar pequeno ante o personagem “gigante” que tenta exercer no teatro político internacional.

Agora que Lula está em campanha pela reeleição, ele tenta fazer tudo que deveria ter feito no começo do terceiro mandato. Segurou os danos do governo Temer enquanto trabalhava a imagem de "salvador do planeta", enquanto no Brasil o presidente demorou para lutar contra preços caros e precarização do trabalho, deixando as classes populares no prejuízo.

Dessa forma, Lula torna-se “gigante” por fora e nanico por dentro, se apequenando como líder popular enquanto busca o apoio dos ricos e poderosos. Não se pode agradar a diferentes coisas e a “democracia” de Lula mudou a frase de Paulo Freire para um sentido perverso: “Unir-se aos divergentes para se afastar dos afins”.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O BRASIL SERÁ UM MERO PARQUE DE DIVERSÕES?

Neste ano que se começa, temos que refletir a respeito de um Brasil culturalmente degradado que, sem estar preparado para se tornar um país desenvolvido, tende a ser uma potência... de um grande parque de diversões!! Isso mesmo. Um país que supostamente se destina a ser "justo e igualitário" e "inevitavelmente desenvolvido",  por conta do governo festivo de Lula, no entanto está mais focado no consumismo e no hedonismo, no espetáculo e na festividade sem fim. Um país que deveria ter, por exemplo, uma renovação real na MPB, acaba acolhendo um mero hitmaker  comercial da linha de João Gomes. Não perdemos, nos últimos anos, João Gilberto, Moraes Moreira, Erasmo Carlos, Gal Costa, Rita Lee, Lô Borges e Jards Macalé para que a "mais nova sensação da música brasileira" seja um mero cantor de piseiro. Mas esse exemplo diz muito ao astral de parque de diversões que fez o Brasil se tornar esse país excessivamente lúdico nos últimos anos, quando a Faria Lima mostrou...

RELIGIÃO DO AMOR?

Vejam como são as coisas, para uma sociedade que acha que os males da religião se concentram no neopentecostalismo. Um crime ocorrido num “centro espírita” de São Luís, no Maranhão, mostra o quanto o rótulo de “kardecismo” esconde um lodo que faz da dita “religião do amor” um verdadeiro umbral. No “centro espírita” Yasmin, a neta da diretora da casa, juntamente com seu namorado, foram assaltar a instituição. Os tios da jovem reagiram e, no tiroteio, o jovem casal e um dos tios morreram. Houve outros casos ao longo dos últimos anos. Na Taquara, no Rio de Janeiro, um suposto “médium” do Lar Frei Luiz foi misteriosamente assassinado. O “médium” era conhecido por fraudes de materialização, se passando por um suposto médico usando fantasias árabes de Carnaval, mas esse incidente não tem relação com o crime, ocorrido há mais de dez anos. Tivemos também um suposto latrocínio que tirou a vida de um dirigente de um “centro espírita” do Barreto, em Niterói, Estado do Rio de Janeiro. Houve incênd...

GERAÇÃO Z, UMA DEVASTADORA CULTURAL?

A declaração do músico e produtor Sean Lennon, no programa de TV CBS Sunday Morning, admitiu que a banda do pai John Lennon, os Beatles, possa cair no esquecimento entre os mais jovens. Segundo Sean, as transformações culturais e tecnológicas vividas pela chamada Geração Z podem fazê-la esquecer o produtivo legado da famosa banda de Liverpool. Sintoma disso já deve ser observado, quando um influenciador digital britânico, Ed Matthews, estava no aeroporto de Londres quando Ringo Starr, notando que o rapaz estava com os fones de ouvido, se aproximou dele e perguntou se ele era de alguma rádio. Ed não reconheceu o baterista dos Beatles. É claro que a situação é de fazer careca ter vontade de arrancar os cabelos e tetraplégico mudo ter vontade de sair correndo gritando por socorro. Estamos numa catástrofe cultural e ninguém percebe, o pessoal vai dormir tranquilo dentro de um quarto em chamas com o teto prestes a cair em cima dessa turma. A Geração Z é uma geração mais submissa ao mercado....

A VERDADE SOBRE A “INTERAÇÃO” ENTRE MPB E POPULARESCOS

JOÃO GOMES E JORGE DU PEIXE, DA NAÇÃO ZUMBI - O "coitado" da situação não é o que muita gente imagina ser. Ultimamente, ou seja, nas últimas semanas do ano passado, a mídia noticiou com certo entusiasmo as apresentações da banda de mangue beat Nação Zumbi com a participação do cantor brega-popularesco João Gomes, que agora virou um queridinho de setores da imprensa cultural, da intelectualidade e de setores da MPB mainstream. João virou o hype da vez, desfilando ao lado de descolados de plantão. Dançou com Marisa Monte, fez dueto com Vanessa da Mata e Gilberto Gil e até com som de arquivo de Luís Gonzaga. E fez até pocket show em uma livraria, para reforçar esse novo marketing do popularesco pretensamente cool. Isso lembra o que foi feito antes com Zezé di Camargo, vinte anos atrás. Então lançando o filme Os Dois Filhos de Francisco, do finado diretor Breno Silveira, Zezé e seu irmão Luciano gravaram um disco duetando com artistas de MPB e circulou nos meios artísticos e inte...

“COMBATE AO PRECONCEITO” ENFRAQUECEU LUTAS POPULARES NO BRASIL

PRETENSO ATIVISMO SOCIOPOLÍTICO, O "FUNK" ENGANOU AS ESQUERDAS, QUE ENDOSSARAM NARRATIVAS PRODUZIDAS PELOS GRUPOS GLOBO E FOLHA. A campanha do “combate ao preconceito”, que gourmetizou os fenômenos popularescos sob a desculpa de ser o “popular com P maiúsculo”, foi uma guerra cultural tramada pela Globo e Folha para enfraquecer as lutas populares no Brasil e permitir a retomada reacionária de 2016. Mordendo a isca, a mídia alternativa, seduzida pelo capataz freelancer de Otávio Frias Filho, Pedro Alexandre Sanches, que passeou pelas redações da imprensa de esquerda para fazê-la pensar culturalmente “igual à Ilustrada”, quase faliu ao empoderar supostos fenômenos populares que são patrocinados pelo latifúndio, pelas grandes corporações e pelas oligarquias midiáticas. A bregalização, ao ser vista como um pretenso ativismo sociopolítico, sob a desculpa da “provocatividade” e da “reação contra o bom gosto”, desviou as classes populares da participação do projeto progressista de L...

MÚSICA BREGA-POPULARESCA CRESCEU DEMAIS E SUFOCA RENOVAÇÃO NA MPB

"EMEPEBIZAR" O SOM BREGA-POPULARESCO, COMO NO CASO RECENTE DO ÍDOLO DO PISEIRO, JOÃO GOMES, SOA FORÇADO E CANASTRÃO E NÃO RESOLVE A CRISE QUE VIVE A MÚSICA BRASILEIRA DE HOJE. Uma demonstração de que vivemos numa situação de devastação cultural é o crescimento das várias tendências da música popularesca, numa linhagem que começou com os primeiros ídolos cafonas e hoje se desdobrou em fenômenos como o piseiro, a sofrência, o trap e o arrocha. Depois que vieram críticos musicais alertando sobre a gravidade da supremacia popularesca nos anos 1990 - com Ruy Castro e os finados Arnaldo Jabor e Mauro Dias mostrando sua contundente e nem sempre agradável lucidez - , houve uma reação articulada pelo tucanato cultural, envolvendo setores da USP ligados ao PSDB, as Organizações Globo e a Folha de São Paulo e, é claro, o empresariado da Faria Lima. Eles montaram uma narrativa que toma emprestado jargões da militância terceiro-mundista, usados de maneira leviana e tendenciosa pela intele...

DOUTORADO SOBRE "FUNK" É CHEIO DE EQUÍVOCOS

Não ia escrever mais um texto consecutivo sobre "funk", ocupado com tantas coisas - estou começando a vida em São Paulo - , mas uma matéria me obrigou a comentar mais o assunto. Uma reportagem do Splash , portal de entretenimento do UOL, narrou a iniciativa de Thiago de Souza, o Thiagson, músico formado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) que resolveu estudar o "funk". Thiagson é autor de uma tese de doutorado sobre o gênero para a Universidade de São Paulo (USP) e já começa com um erro: o de dizer que o "funk" é o ritmo menos aceito pelos meios acadêmicos. Relaxe, rapaz: a USP, nos anos 1990, mostrou que se formou uma intelectualidade bem "bacaninha", que é a que mais defende o "funk", vide a campanha "contra o preconceito" que eu escrevi no meu livro Esses Intelectuais Pertinentes... . O meu livro, paciência, foi desenvolvido combinando pesquisa e senso crítico que se tornam raros nas teses de pós-graduação que, em s...

O BRASIL CONTINUA CULTURALMENTE DEGRADADO

WAGNER MOURA EM CENA DE O AGENTE SECRETO , FILME DE KLEBER MENDONÇA FILHO. A premiação dada ao filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho como Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor Ator para Wagner Moura, no Globo de Ouro (Golden Globe Awards, em inglês) pode ser animador para nosso cinema e incentiva reflexões a respeito de políticas culturais para o nosso país. Mas isso não significa que o Brasil esteja em um excelente cenário cultural. Nosso cenário cultural está péssimo, deteriorado. O que preocupa é que casos pontuais como os de O Agente Secreto e outro filme, Eu Ainda Estou Aqui, de Walter Salles Jr., não dão o diagnóstico total de nossa cultura, já que temos uma cultura de qualidade, sim, mas ela dificilmente rompe as bolhas sociais de seu público específico. Os dois filmes são mais exceção do que regra. Mas exceção é uma van que todos querem que tenha a superlotação de um trem bala de trinta metros de comprimento. Todos querem soar como exceção a si mesmos. E aí, no caso d...

BRASIL: UMA “SOCIEDADE DAS CAVERNAS”?

OS ESCRITORIOS SÃO EXEMPLOS DE QUE AS ELITES, NO BRASIL, IMPÕEM VALORES E CONCEITOS A PARTIR DESSES AMBIENTES FECHADOS. Um fato tristemente surpreendente é que o Brasil, nos últimos tempos, virou a “sociedade das cavernas”, com o monopólio dos ambientes fechados que ditam as visões de mundo a prevalecer em no senso comum e, se possível, até sobre o próprio mundo em volta. Tivemos uma ditadura militar que representou um governo fechado, com as decisões políticas feitas dos quartéis, a partir do arbítrio de velhos generais que, em primeiro instante, tentaram enganar a população impondo um modelo de “democracia” que não convenceu. Depois, a chamada distensão da ditadura veio a partir dos escritórios da Faria Lima, que bolaram um modelo de “redemocratização” que era “lenta, gradual e segura”, dentro da tradição de procrastinação das classes dominantes, deixando para depois as mudanças para que não cause susto nos detentores do poder. Até a cultura popular foi privatizada, pois a dita “expr...

NAÇÃO WOODSTOCK REJEITARIA “EVIDÊNCIAS” E OUTROS SUCESSOS “DESCOLADOS”

Anteontem fiquei abismado quando uma moça, presumivelmente com 19 anos estava no celular ouvindo “Lula de Cristal”, sucesso de Xuxa Meneghel, nas redes sociais. Gente com idade para entrar na faculdade pensando que sucessos popularescos como este, da lavra de Sullivan & Massadas, são “vanguarda”. Mas isso é fichinha para uma sociedade que chama “Evidências”, na versão de Chitãozinho & Xororó, de “clássico” e acha que João Gomes, ídolo do piseiro, é “a nova sensação da MPB”. Vivemos uma catástrofe cultural e muita gente vai dormir tranquila com esse triste cenário. Ainda temos uma sutil repaginação do É O Tchan que, diante da má repercussão da adultização de crianças, tem que agora se vender para o público universitário, tentando parecer ‘cult’ para um país em que muitos adoram “tomar no cool”. Ver que canções comerciais como "Evidências", "Lua de Cristal", "Ilariê", "Xibom Bom Bom", "Dança do Bumbum", "Segura o Tchan",...