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A QUE INTERESSA "ENTREGAR" A MPB AOS NEO-BREGAS DOS ANOS 90?

Temos a supremacia do "sertanejo" e do "funk", que cresceram na época do governo Fernando Collor.

De brinde, Chitãozinho & Xororó gravando "tributo" a Tom Jobim, Alexandre Pires fazendo um "tributo à MPB" denominado "DNA Musical" e Molejo e Leandro Lehart parodiando "Pelo Telefone", um dos pioneiros sambas/lundus gravados no Brasil.

Eles estão entre alguns nomes que tiraram a MPB das rádios, nos anos 90, despejando nas paradas de sucesso a música neo-brega.

Pastiches de samba e música caipira, intitulados "pagode romântico" e "sertanejo".

Até eles entrarem nas rádios, mesmo as FMs mais popularescas tinham alguma canção de MPB no cardápio musical.

Entre a infame indústria de Sullivan & Massadas, ou entre um Wando e um Fábio Jr., podia-se inserir um Milton Nascimento, por exemplo.

Hoje não mais, e, nos últimos tempos, pior ainda.

Ainda mais que o Rio de Janeiro, só para acumular seu rol de crises e decadências, não tem mais a MPB FM.

Nenhuma rádio herdou o formato e as rádios de pop adulto nem estão aí para aumentar as execuções de MPB.

Se pede até para os anunciantes ajudarem, criando jingles em arranjos de MPB, para ver se quebra a mesmice de comerciais falados que, no caso das rádios noticiosas, se perdem no turbilhão de notícias.

Mas aí querer que a bregalhada pegue carona na cauda do cometa, não dá.

Em tese, é a hipótese "mais possível", embora menos competente.

Temos uma amarga lição de como o oportunismo arrivista resulta numa canastrice lamentável.

Quando a Fluminense FM foi extinta, várias rádios tentaram herdar, ainda que parcialmente, o formato.

Mas a que assumiu, em tese, o formato, a Rádio Cidade, além de nunca ter tido um histórico de radialismo rock que prestasse, só demonstrou extremamente canastrona para o segmento.

Ela até fez mal: graças à Rádio Cidade, formou-se um tipo de jovem rebelde na forma e reacionário no conteúdo, que culminou nos chamados "coxinhas".

Evidentemente, uma FM O Dia da vida não vai virar uma MPB FM, a não ser que ela reestruturasse sua programação e equipe de locutores.

Mas a canastrice, no caso, poderia estar potencialmente nas músicas brega-popularescas que investissem em cover de MPB ou em dueto com um emepebista.

E aí, vendo a mina de ouro, os neo-bregas que queriam acabar com a MPB agora querem dar a falsa impressão de que a têm em seu "DNA musical".

Como "filhos" de Michael Sullivan, apelam para o morde-e-assopra musical.

Michael Sullivan, conforme denunciou Alceu Valença, queria banir a MPB do mercado, cooptando artistas que depois jogaria ao ostracismo depois de forçá-los a gravar repertório pasteurizado.

De mãos dadas com a Globo e a RCA, Sullivan comandava o comercialismo musical como um chefão, como um capitalista ferrenho da música brasileira.

Duas décadas depois, Sullivan estava no ostracismo e resolveu posar de coitadinho e, com seu vitimismo, se relançar na carreira bajulando a mesma MPB que ele quis destruir.

A que interessa entregar a MPB aos neo-bregas?

É verdade que eles agora são alvo de uma onda "nostálgica" dos anos 90.

Mas eles são apenas hitmakers, têm potencial comercial alto, mas vocação emepebista zero.

O que eles farão é aquela coisa: "fazer" o dever de aula, orientados por algum arranjador.

Nada visceral, nada que se some ao cancioneiro da MPB.

Enquanto isso, esperamos por uma verdadeira revitalização da MPB, que ao que parece não vai ocorrer tão cedo. O mercado não deixa.

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