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LISTA DE RODRIGO JANOT NOS PÕE A PENSAR


O assunto mais comentado nos últimos dois dias é a chamada "lista do Janot".

A lista elaborada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, envolvendo vários políticos citados em delações de executivos da empreiteira Odebrecht para a Operação Lava Jato.

A Operação Lava Jato é tendenciosa, Sérgio Moro e o próprio Janot atuaram de maneira seletiva e nesses três anos de andamento, pegaram pesado apenas nos políticos petistas e associados em outros partidos (como PP e PMDB).

De repente, vem a lista do procurador e ela, sem dúvida, cita os ex-presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e os ex-ministros Guido Mantega e Antônio Pallocci.

Cita também outros esquerdistas como o senador Lindbergh Farias e o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel.

Cita nomes já decadentes no establishment político, como o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho e o ex-deputado federal Eduardo Cunha, um dos "mentores" do governo Michel Temer.

Mas já cita membros que hoje estão com Temer.

São Aloysio Nunes (PSDB - Relações Exteriores), Eliseu Padilha (PMDB - Casa Civil), Moreira Franco (PMDB - Secretaria Geral), Gilberto Kassab (PSD - Ciência e Tecnologia), Bruno Araújo (PSDB - Cidades) e Marco Pereira (PRB - Indústria, Comércio Exterior e Serviços).

Dois braços-direitos de Temer no Legislativo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, do DEM, e Eunício Oliveira, do PMDB, também estão na lista.

Dois ex-ministros de Temer também são citados: o hoje senador Romero Jucá e Geddel Vieira Lima, ambos do PMDB. Outro peemedebista, senador Renan Calheiros, ex-presidente da casa, também.

A novidade é que a lista cita também os políticos do PSDB, geralmente beneficiados pela blindagem da grande mídia.

Os senadores Aécio Neves e José Serra, o governador paranaense Beto Richa e o já mencionado Aloysio Nunes, todos tucanos de "alta plumagem", estão na lista.

A grande mídia menciona todos eles, aparentemente com o objetivo de revelar os "podres" da velha política brasileira.

No entanto, a lista de Rodrigo Janot nos põe a tomar cautela e pensar um pouco.

Afinal, a seletividade da Operação Lava Jato pode trazer futuras decepções.

E Lula e Dilma estão incluídos na lista.

Lula deu ontem seu primeiro depoimento como réu da Lava Jato. Estava seguro, respondendo a todas as perguntas, desmentindo as acusações.

O ex-presidente afirmou que era vítima de um "massacre", sempre sentindo a impressão de que algum dia sairá preso e terá a imprensa o esperando na porta de casa.

Lula disse não ser contra a Lava Jato, mas contra a campanha de execração feita pela mídia.

O ex-presidente pode ter se saído bem com os argumentos, mas infelizmente lidamos com uma plutocracia capaz de entrar numa sala arrombando portas.

Infelizmente, as elites não querem Lula candidato em 2018.

Prefiro ser cauteloso com isso, embora se percebeu que Lula fez grandes realizações em prol da coisa pública e da causa pública.

Acredito até que ele teria coragem e iniciativa para revogar o congelamento dos gastos públicos.

Mas é preciso desmontar e desmoralizar a plutocracia como um todo.

A Carta Capital, na edição do último domingo, 12 de março de 2017, fez sua parte divulgando o poder e as fortunas dos membros do Judiciário e do Ministério Público.

O Diário do Centro do Mundo divulga as trapalhadas da direita brasileira que defendeu o golpe de maio de 2016.

Há a pressão da Internet sobre os abusos dos barões da grande mídia.

Mas isso ainda é pouco. Pode ser alguma coisa.

Pelo menos, os tucanos, ao serem citados na lista de Rodrigo Janot, terão como legado o profundo desgaste de suas imagens.

Vão empurrar com a barriga, mas é difícil que eles deem a volta por cima.

Podem parecer que darão, mas tão somente por manobras políticas que, mais adiante, revelarão escândalos ainda piores.

A lista de Janot não é para comemorar, pois é difícil prever, pelos contextos conhecidos, que haverá uma faxina a tirar a sujeira política nacional.

Se a imagem dos plutocratas for irremediavelmente abalada, a exemplo de José Sarney e Paulo Maluf hoje em dia, será alguma coisa.

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