Pular para o conteúdo principal

CONGRESSO NACIONAL DECIDIU: TRABALHADOR AGORA SÓ FAZ "BICO"


O Congresso Nacional aprovou ontem à noite a ampliação da terceirização para as atividades-fim.

Até então, a terceirização só era válida para atividades-meio, prestações de serviço em empresas ou instituições que não correspondiam à sua especificidade.

Por exemplo, se um hospital contrata um serviço de limpeza, ele é atividade-meio.

Se o mesmo hospital emprega médicos e enfermeiros, neste caso isso é uma atividade-fim.

Com o projeto aprovado pela Câmara dos Deputados, a terceirização tende a ser um processo dominante nos contratos de trabalho.

Um hospital pode, portanto, contratar médicos terceirizados.

Um dos detalhes da terceirização é o contrato temporário de trabalho, ampliado de três para seis meses.

O trabalhador terceirizado - que na prática fará "bico" - que cumprir o prazo de seis meses será impedido de voltar ao trabalho no mesmo local por um intervalo de três meses.

Só falta o presidente Michel Temer sancionar a amarga proposta.

A medida, uma das âncoras da reforma trabalhista do governo Michel Temer - que ainda tem a reforma previdenciária que deixará a aposentadoria para o fim da vida - , não surgiu no seu governo.

Ela já era uma proposta do segundo governo Fernando Henrique Cardoso, em 1998.

E já era uma bandeira defendida pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Também é uma das bandeiras abertamente defendidas por empresários como Flávio Rocha, da Riachuelo.

O empresariado que defende a terceirização alega que a medida irá aumentar o número de empregos.

Na prática, porém, a terceirização só vai trazer problemas, além de deixar o emprego cada vez mais instável.

A terceirização não é de interesse público, é apenas um interesse privado. Com ela, o empresariado espera ter menos obrigações e menos investimento financeiro em mão-de-obra.

O Congresso Nacional virou as costas para o povo brasileiro, representando mais os interesses do empresariado e da plutocracia restante.

A situação é até inversa do que Dilma Rousseff fez com os empregados domésticos, que passaram a se beneficiar de direitos e encargos de profissionais com carteira assinada.

Hoje é o inverso. As profissões tendem a ser agora em boa parte rebaixadas a "bicos". O mercado formal se nivelará ao trabalho informal.

A Consolidação das Leis Trabalhistas de 1943 está sendo desmontada pelo temeroso governo.

Agora, as negociações de patrão com empregado priorizarão os interesses daquele.

Os trabalhadores terão que optar entre o ruinzinho e o pior.

Os acidentes de trabalho aumentarão, mas, como nos primórdios da indústria mundial, os feridos terão que se virar pagando algum plano de saúde, não se sabe com que dinheiro.

Afinal, os salários serão desvalorizados.

E as cargas horárias se tornarão flexíveis com a aprovação da reforma trabalhista como um todo, desgastando ainda mais nossos trabalhadores.

Se havia remuneração para transporte e alimentação separados do salário propriamente dito, o que aumentava o valor do vencimento, hoje o salário absorveu tais encargos.

Junte-se isso à "oportunidade" de só receber a aposentadoria no fim da vida, isto é, se as forças sobrecarregadas do trabalho mal-remunerado persistirem, e veremos uma coisa.

Sob a desculpa de combater a recessão, o governo Temer combate as classes trabalhadoras, a CLT e a Justiça do Trabalho.

E isso só vai causar crise na Economia. O efeito será inverso, pois menos salários, mais horário de trabalho e menos garantias e direitos, haverá também menos consumidores e, com isso, mais prejuízo econômico.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ESTUPRO COLETIVO DERRUBA MITO DA "LIBERDADE DO CORPO"

O vergonhoso caso do estupro coletivo desmascarou uma situação que a intelectualidade "bacana" sempre abafou com falso relativismo.

O mito da "liberdade do corpo" num país do combate ao assédio abusivo.

O terrível caso ocorreu num bairro popular, na região de Jacarepaguá.

33 homens afoitos cercando uma moça de 16 anos, dopando a menina, depois a estuprando sob o registro da câmera do celular e depois publicando na Internet.

Um episódio de pura truculência, mas condicionado pela ilusão de liberdade sexual que a intelectualidade "bacana", que apostava num Brasil brega, queria para as classes pobres.

Mesmo mulheres aparentemente ativistas, dentro dessa intelectualidade, davam dois pesos e duas medidas.

Elas reclamavam contra a imagem caricatural que as mulheres, de classe média, recebiam dos comerciais de TV.

Mas consentiam que a mesma imagem fosse impunemente abordada sob o rótulo do "popular".

Reclamavam quando a imagem da mulher de classe média…

GOVERNO TEMER E A REVOLTA DOS UMBIGOS

A "revolta dos umbigos" que surgiu nas mídias sociais achou que tinha o poder pleno nas mãos.

Lutaram para ter Michel Temer no lugar de Dilma Rousseff para realizar uma agenda mais conservadora para o Brasil.

Essa agenda é um misto do programa eleitoral derrotado de Aécio Neves em 2014 com as "pautas-bombas" do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Primeiro, os "revoltados" na Internet se escondiam nas mídias sociais, se limitavam a trolar assuntos culturais ou coisa próxima e fingiam serem progressistas.

Depois, deixaram a máscara cair e iniciaram uma campanha para derrubar Dilma Rousseff.

Conseguiram o que fizeram, pois faziam parte de uma "frente ampla" às avessas, que clamavam por retrocessos políticos sob a desculpa do "combate à corrupção".

Estavam junto dos empresários em geral e, em parte, os que controlam a grande mídia.

Foram animadores juvenis de uma campanha que ludibriou a sociedade inteira, que passou …

CRIMINALIZAÇÃO DO "FUNK" É UMA PROPAGANDA ÀS AVESSAS

Um abaixo-assinado na página do Senado atingiu, anteontem, a marca de 20 mil assinaturas, diante de uma causa bastante controversa, a de criminalização do "funk".

A proposta é de autoria do empresário paulista Marcelo Alonso, que se declara pai de família e afirma estar tentando "salvar a juventude".

Deu um tiro no pé, porque a proposta acabou estimulando mais o natural coitadismo do "funk", tido como "vítima de preconceito".

A repressão policial transformou um ritmo musicalmente medíocre em "canção de protesto".

A presença de "bailes funk" em noticiários policiais transformou os ricos empresários-DJs, ávidos por dinheiro, em supostos ativistas culturais.

A criminalização transformou medíocres MCs de vozes esganiçadas em pretensos militantes.

Da mesma forma, a criminalização do "funk" fez um mero ritmo dançante e comercial virar, durante anos, um pretenso paradigma de folclore popular.

Enquanto rolava o discurso de…